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5 jogos que mereciam um remake urgente (e não são só mais um The Last of Us de novo)

Porque se é pra reviver coisa velha, que seja direito — e não só botando filtro de Instagram no mesmo jogo de sempre

A moda da indústria de games hoje é simples: pega um clássico, passa na chapinha do Unreal Engine 5, joga uns shaders de reflexo molhado e pronto, remake de respeito. O problema é que 90% dessas escolhas parecem decididas em uma reunião de executivos que nunca seguraram um controle na vida. Quer remake? Toma mais uma versão de The Last of Us, porque obviamente ninguém pediu nada diferente, né?

Então bora inverter a lógica e pensar em cinco jogos que realmente mereciam ser trazidos de volta, com remake de verdade — e não aquela enganação estilo “HD Edition” que só deixa tudo mais quadrado.

E não, não vai ter Jet Set Radio nem Legacy of Kain aqui, porque um já tá em produção e o outro até ganhou carinho. Aqui a lista é pra quem ficou no porão da indústria, esquecidos, mas que poderiam brilhar mais do que muito triple A genérico com gráfico fotorrealista e alma zero.

1. Dino Crisis – O Resident Evil dos dinossauros

Capcom, minha querida, você acha que a gente não percebeu que Exoprimal foi uma piada interna que saiu do controle? Jogar dino do céu em loop não é exatamente o que os fãs de Dino Crisis estavam esperando.

O primeiro Dino Crisis era basicamente Resident Evil com dinossauros. Só que, convenhamos, muito mais legal: porque zumbi você até encara com uma 12, mas quando aparece um velociraptor abrindo porta e correndo atrás de você dentro de um laboratório claustrofóbico… aí meu amigo, até o Chris Redfield ia sair correndo com medo.

Um remake decente desse jogo, feito na RE Engine, com aquele climão de terror e suspense? Ia vender mais do que ação da Petrobras em dia de hype. Mas não, a Capcom prefere gastar energia em 20 spin-offs de Monster Hunter e remakes de remake de Resident Evil.

2. Vagrant Story – O RPG gótico da Square que a galera finge que nunca existiu

Enquanto a Square Enix empurra mais um remaster preguiçoso de Final Fantasy (com fonte de celular que parece mod de fã), tem um tesouro esquecido mofando no catálogo: Vagrant Story.

Esse RPG era diferente de tudo: sombrio, gótico, adulto e cheio de sistemas de combate tão complicados que você precisava de uma planilha do Excel só pra entender o que estava acontecendo. Mas quando clicava, meu amigo… era poesia.

Em 2000, esse jogo foi inovador. Em 2025, ele ainda parece mais moderno do que muito RPG de turno que insiste em copiar fórmula batida. Um remake em estilo Final Fantasy VII Remake, com jogabilidade fluida e aquele clima de mistério em Leá Monde, faria o mundo inteiro parar.

Mas claro, a Square vai preferir relançar Final Fantasy VIII pela 12ª vez. Com filtro “Instagram Paris 2008”.

3. Chrono Trigger – O remake que o universo inteiro pede, mas a Square Enix finge demência

Já virou até piada interna na comunidade gamer: se você gritar “remake de Chrono Trigger” três vezes no espelho, aparece um produtor da Square dizendo: “Já pensou num novo gacha de celular com os personagens, hein? ;)”

Chrono Trigger é provavelmente o RPG mais amado de todos os tempos. História incrível, múltiplos finais, personagens carismáticos e uma trilha sonora que bota até Hans Zimmer pra chorar.

E o que a Square faz? Absolutamente nada. Nem remake, nem remaster decente. Só portas esquisitas pra celular e PC, todas bugadas e feias. Parece até birra, como se os caras tivessem medo de mexer no santo graal.

Um remake digno, no nível do que fizeram com Dragon Quest III HD-2D, seria o evento do século. Mas a Square continua agindo como aquele tio que finge não ouvir quando alguém pede pra ele pagar a rodada de cerveja.

4. Bushido Blade – O jogo de luta que não enrolava

Se tem um jogo que nasceu antes do tempo certo, esse foi Bushido Blade. Enquanto todos os outros jogos de luta estavam apostando em barra de vida, combos e magias coloridas, Bushido Blade veio com a seguinte filosofia: um golpe bem dado, acabou.

Era duelo de espadachim raiz. Nada de firula, nada de Hadouken. Você errava a guarda, tomava uma espadada no peito e já era. Uma luta podia acabar em três segundos — e era isso que tornava o jogo incrível.

Hoje em dia, com o tanto de modinha de “soulslike”, Bushido Blade ia cair como uma luva. Imagine um remake com combate técnico, cenário destrutível e sangue voando em câmera lenta no Unreal Engine 5. Ia ser tão satisfatório que até o Miyazaki ia ficar com inveja.

Mas a Square (sim, ela de novo) prefere gastar tempo em NFT de Chocobo.

5. Comix Zone – A HQ que virou jogo (e que precisa de mais amor)

Esse aqui é aquele clássico que todo mundo lembra, mas que a SEGA finge que nunca existiu. Comix Zone era uma ideia genial: você jogava dentro de uma história em quadrinhos, pulando de quadro em quadro, lutando contra vilões cartunescos enquanto a própria página virava diante dos seus olhos.

No Mega Drive, já era uma obra-prima. Imagina hoje, com gráficos estilizados no estilo Spider-Verse, cheio de glitch art, transições insanas e cores estouradas. Seria um espetáculo visual e, de quebra, uma homenagem à cultura pop que o jogo já tinha no DNA.

Mas a SEGA prefere relançar Sonic 200 vezes. E agora até colocou o Robotnik de DLC em Shinobi. Enquanto isso, Comix Zone continua esquecido, como aquele álbum de figurinhas que você nunca completou.

Chega de reciclar os mesmos de sempre

A verdade é que a indústria precisa parar de apostar só no seguro e começar a reviver jogos que realmente fizeram diferença. Dino Crisis, Vagrant Story, Chrono Trigger, Bushido Blade e Comix Zone não são só clássicos: são experimentos ousados, criativos e que poderiam brilhar ainda mais hoje.

Só que, claro, isso exige risco. E risco é uma palavra que executivos de gravata têm alergia. Então seguimos na era dos remakes de jogos que já ganharam remake semana passada.

Mas fica aqui o recado: se um dia essas pérolas ganharem versões modernas, pode apostar que vai ser mais emocionante do que qualquer “upgrade de performance” que troca 90 fps por 120 fps e acha que fez revolução.

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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