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A Night Dive Studios, que ficou famosa por dar vida nova ao clássico System Shock com uma versão remasterizada, fez recentemente o mesmo com um dos jogos mais aclamados do Nintendo 64. Estou falando, como você já sabe, de Turok: Dinosaur Hunter. Na época em que foi originalmente lançado, ele era tão popular no console da Nintendo quanto GoldenEye 007, outro gigante daqueles dias. Ele possuía muitas coisas que os fãs de jogos de tiro adoram: um vasto arsenal com armas das mais variadas, mapas complexos, além de trazerem dinossauros como inimigos, ao lado de humanos, ciborgues e monstros humanoides.

Na história, você precisa impedir um vilão chamado “The Campaigner” de conquistar a Terra Perdida, lar dos índios da raça Turok. Contudo, a trama do jogo não interessa muito. Você vai jogar este game é para dar tiros em dinossauros e contemplar a paisagem pré-histórica, temática que não é muito utilizada hoje em dia. Mas como ficou a remasterização deste clássico, afinal?

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A primeira coisa que você percebe ao jogar esta nova versão de Turok: Dinosaur Hunter é que o jogo está rodando bem melhor do que há quase 20 anos atrás. Os gráficos e texturas estão um pouco mais definidos graças ao suporte para resoluções altíssimas, além do jogo rodar a suaves 60fps. Efeitos adicionais como iluminação dinâmica, reflexos de água melhorados e filtro FXAA também estão presentes. Contudo, o aspecto que mais me chamou a atenção graficamente falando foi o fato de que aquela densa neblina que existia antes simplesmente sumiu, aumentando e muito a distância que você consegue enxergar. Mas se por acaso você preferir jogar com ela, saiba que é possível, pois existe uma opção que deixa a neblina exatamente igual a do jogo original. Particularmente, acho bem difícil de alguém fazer isso, pois a experiência fica mais prazerosa sem ela. Chega de consultar o mapa constantemente para saber onde você está.

Apesar das melhorias visuais, fica bem claro que Turok: Dinosaur Hunter não envelheceu bem graficamente. As texturas, apesar de mais nítidas, são as mesmas do jogo para Nintendo 64. Isso também vale para os modelos dos personagens, monstros e objetos espalhados pelos vastos cenários do jogo.

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Falando da jogabilidade de Turok, digo com bastante convicção de que ela está muito melhor que a do jogo original. Você pode escolher jogar com mouse + teclado ou utilizando um controle, além de poder configurar as funções das teclas como bem entender. O personagem se move também de forma extremamente rápida, diferentemente do que acontecia no jogo original. Isto ocorre justamente por causa ausência da neblina. Aliás, é extremamente irreal a velocidade na qual você anda, mas isso deixa o jogo muito divertido. Eu acho uma pena, inclusive, que os jogos de tiro atuais não façam uso desta mecânica com mais frequência, pois as produtoras dão preferência a uma movimentação mais realista.

Agora vamos falar da IA dos inimigos. No Turok para Nintendo 64, os inimigos te atacavam apenas quando você os via. Isso acontecia por causa da neblina. Devido ao fato de na remasterização ser possível retirá-la, quase sempre você vai ter os inimigos no seu campo de visão, apesar de muitas vezes não os enxergar pois estão muito distantes. No entanto, eles enxergam você perfeitamente, e todos aqueles que possuírem algum tipo de arma de fogo irão começar a atirar em você, e com precisão certeira. O bom é que você também pode atirar neles de longe e matá-los desta forma até mesmo com armas que você não esperaria terem um longo alcance, como a espingarda.

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Não posso deixar de comentar a respeito do design dos mapas de Turok, que para mim estão no mesmo nível de Doom ou Duke Nukem 3D, que possuem alguns dos melhores mapas da história dos jogos tiro. A mecânica em Turok é similar a deles. No caso, você precisa encontrar chaves que servirão para abrir portais para que você tenha acesso às demais fases do jogo. Ao contrário da grande maioria dos jogos de tiro atuais, você precisará explorar (e muito) os mapas para achar todas as chaves e também seus segredos, se assim desejar. Turok recompensa de forma gratificante quem explorar cada pedacinho dos cenários, com armas poderosas, armaduras e itens que deixam sua vida com um valor maior do que a padrão ou que permitem que você carregue mais munição. Caso decida jogar, recomendo pelo menos que vá atrás do Chronoscepter, a arma definitiva do jogo. O último chefe fica extremamente mais fácil com ela. E falando dos chefes, eles ainda são osso duro de roer, mesmo na remasterização.

Voltando aos mapas, existem checkpoints espalhados por eles que você utiliza quando perde uma vida, além de pontos onde você pode salvar seu progresso. Faça isso sempre que puder, pois quando você ficar sem vidas, o jogo termina, e você terá de continuar a partir do último ponto de salvamento. Mas não se preocupe, pois se o jogo estiver difícil demais para você, basta usar os códigos de trapaça do jogo original, que também funcionam na versão remasterizada.