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por  Henrique Tozzi 

Os jogos de plataforma sempre tiveram o seu lugar ao sol durante todas as gerações que passamos até agora. Seja em 2D ou em 3D, é um gênero com muitos representantes, e agrada aos jogadores em geral. No entanto, existe um subgênero que consegue despertar paixão onde passa, conta com defensores ferrenhos, e cada lançamento de um jogo nesse subgênero é muito comemorado. Estamos falando do gênero “plataforma de progressão lateral não linear”. Estamos falando do gênero “Metroidvania”.

O termo “metroidvania” foi usado pela primeira vez por Scott Sharkey, editor do 1UP, e é, em linhas gerais, usado para descrever jogos que contém alguns elementos de gameplay particulares que ficaram famosos com os jogos “Metroid” (1986), para o Nintendo Entertainment System, e pouco depois com “Vampire Killer”, da série “Castlevania” (1986). No entanto, esses dois jogos não foram os primeiros a apresentar as características de um metroidvania. “The Castle” para MSX, também de 1986, tinha um cenário labiríntico com 100 salas em um castelo, onde o jogador deveria resolver puzzles em cada sala a fim de salvar a princesa.

Brain Breaker” (nome bem sugestivo), para o Sharp X1, pode ser considerado o grande pai do gênero. Desenvolvido por Hiroshi Ishikawa e publicado pela Enix, é classificado como um “adventure de plataforma de mundo aberto” épico. Uma pena que só saiu no Japão.

São característicos desse gênero um cenário labiríntico não linear, com áreas não alcançáveis em um primeiro momento até que um certo item ou habilidade seja conseguida pela personagem; power ups são conquistados com o progresso da história, que deixam o seu personagem com mais habilidades do que começou originalmente; diferentemente dos jogos de progressão lateral, o jogador pode explorar livremente a tela para a direita e esquerda, não estando limitado somente a ir para a direita e subir/descer; e por último, mas não necessariamente presente em todos os jogos do gênero, elementos de RPG, como evolução de níveis da personagem, que muda significantemente a dinâmica do jogo, uma vez que o desafio do jogo não ficará restrito somente aos Power ups adquiridos, mas também à maneira de jogar e enfrentar os desafios.

Exatamente por essa dinâmica distinta, e por não necessariamente levar o jogador invariavelmente de ponto A até ponto B é que o gênero conquista tantos jogadores. Seus maiores representantes são alguns jogos da Série Metroid, como Metroid, Metroid II – Return of Samus, Super Metroid, Metroid Fusion, Metroid: Zero Mission, e da série Castlevania, como Symphony of the Night, Circle of the Moon, Harmony of Dissonance, Aria of Sorrow, Dawn of Sorrow, Portrait of Ruin e Order of Ecclesia (sempre títulos excelentes). Vale lembrar que, apesar de “Symphony of the Night” ser um dos títulos mais adorados pelos jogadores, a série Castlevania começou no gênero com o jogo “Vampire Killer”, também de 1986 (o primeiro Metroid foi lançado em Agosto de 86, e Vampire Killer no fim de outubro de 86).

Felizmente, a representação no estilo “metroidvania” não é feita somente de jogos dessas duas séries. Ótimos jogos apareceram ao longo dos anos, enriquecendo o gênero, e por vezes ocupando o espaço deixado pela falta de lançamentos. Mega Man ZX, para Nintendo DS é um excelente exemplo, com o gênero sendo aproveitado pela Capcom no grande universo do Blue Bomber. Shadow Complex é o representante do Xbox 360, com um visual 2,5D extremamente apurado, uma história cheia de reviravoltas, e mecânica que não esconde a inspiração em Metroid/Castlevania. Guacamelee é outro ótimo exemplo, lançado para PSVita e PS3, combinando muito humor e referências (digamos homenagens) a jogos como Zelda, Mario, Mega Man, e veja só, até Metroid.

Outros representantes poderiam ser adicionados aqui, como Batman Arkham Asylum e City, Darksiders, e porque não, os jogos da série “Prime” de Metroid. Apesar de ser muito evidente que a transição do gênero “metroidvania” está acontecendo com força total para o 3D, suas raízes fortes no 2D ainda acalora muitos debates entre os fãs.

E não para por aí. Devido ao sucesso recente dos jogos do gênero nas plataformas portáteis, parece que este é o nicho onde o estilo terá vida longa. O recém-anunciado “Batman: Arkham Origins Blackgate”, para 3DS e Ps Vita, vêm com a promessa de ser uma ótima adição à biblioteca do estilo metroidvania. Contando com o universo do Cavaleiro das Trevas, a produtora tem à mão todos os elementos para um excelente jogo. Esperamos que o seu provável sucesso seja uma garantia à sobrevivência e vida longa desse gênero tão venerado pelos jogadores.

Já pensou se Mario tivesse um jogo no estilo? 😛