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Poucas pessoas tem o privilégio de poder cruzar os céus com um caça supersônico, mas felizmente existem jogos que nos permitem saber um pouco qual é esta sensação. O novo game da franquia de simulação de batalha aérea da Bandai Namco, Ace Combat 7: Skies Unknown, é um deles e vinha sendo bastante aguardado pelos fãs que há muito esperavam por mais um título da linha principal desta saga ao invés de outro spinoff. A expectativa era grande, mas terá sido alcançada ou até mesmo superada? Isso você confere agora!

Ace Combat 7 introduz você a uma guerra envolvendo duas nações fictícias, Osea e Erusea. Você é um piloto novato em um dos lados do conflito que vai ganhando renome de acordo com suas ações nas batalhas. Embora a história tenha surpresas e até consiga alcançar bons momentos algumas vezes, ela é confusa, não chama muito a atenção e por causa disso você acaba perdendo o interesse depois de um certo tempo. O que te levará a continuar jogando não é ela, mas sim a muito bem executada e viciante jogabilidade arcade presente no game.

Se você gosta desta série ou então simplesmente é fã daqueles jogos de caça dos anos 90, vai se sentir em casa. Há dois tipos de controles específicos – um voltado para quem nunca jogou este tipo de game e outro para quem já está habituado a títulos desse gênero. Se você, como eu, se encontra no segundo grupo, escolha a opção de controles avançados, pois acredite, com ela você obtém muito mais liberdade na hora de manobrar seu caça.

Embora as primeiras missões não tenham nada de especial, pois mais servem como um tutorial do que qualquer outra coisa, as demais sempre lhe fornecerão algum desafio que, ao ser superado, lhe darão uma sensação muito boa de conquista.  Há fases onde você precisa se preocupar com as condições climáticas, pois elas afetam não apenas o controle do seu avião e a visibilidade, mas também sua eficácia na hora de atacar os inimigos. Entrar numa nuvem tempestuosa pode congelar seu caça ou até mesmo ter ele atingido por um raio, o que “frita” os sistemas dele por alguns segundos, lhe deixando impedido de mirar ou usar suas armas de maneira adequada. Existem momentos onde você não tem escolha e precisa passar por lugares nos quais as condições de voo estão muito abaixo das ideais, o que aumenta consideravelmente a dificuldade e requer que você preste atenção naquilo que está ao seu redor, assim como nas coisas bem diante dos seus olhos. Fazer uso inteligente do radar também é crucial para obter vantagem nessas situações.

A variedade das missões é satisfatória, envolvendo tarefas como ter de abater alvos terrestres em meio a uma tempestade de areia; destruir plataformas inimigas no oceano; escoltar aliados; voar abaixo das nuvens para evitar ser detectado por um muito eficaz sistema anti-aéreo, ao mesmo tempo que precisa destruir determinados alvos e até mesmo manobrar seu caça em meio a um estreito desfiladeiro sem ser detectado para que você efetue um ataque surpresa na base inimiga.

Algo que ficou faltando é uma opção para poder dar ordens aos seus colegas de esquadrão, que são todos controlados o tempo inteiro pela inteligência artificial, que nem sempre age da maneira como você gostaria, lhe dando muitas vezes a impressão de que você está voando sozinho, sem ajuda. Outra coisa que poderia ser melhor é o sistema de checkpoints. Para você fazer uso dele é necessário avançar bastante nos objetivos de cada missão. Há algumas fases, inclusive, onde você pode ficar vários minutos jogando, morrer, e por não ter conseguido progredir o suficiente para alcançar o ponto de salvamento automático, será obrigado a fazer tudo de novo. Algo assim pode acabar frustrando jogadores menos pacientes ou aqueles que estão habituados com jogos onde o progresso é salvo quase que a todo instante.

A customização é outro aspecto muito interessante de Ace Combat 7. A medida que você vai progredindo na história, recebe pontos que podem ser trocados por aviões mais potentes, juntamente com armamentos e peças que deixam eles melhores. Antes de decolar é importante prestar atenção no que você irá fazer na próxima missão, de modo a equipar seu caça com as armas mais apropriadas. Não que isso seja essencial para você ter sucesso, mas facilita e muito a sua vida escolher o equipamento correto para cada missão.

O multiplayer me surpreendeu positivamente, pois embora seja simples, tendo apenas dois modos – os clássicos deathmatch (chamado aqui de “Batalha Real”) e team deathmatch – ele funciona de maneira exemplar. Nas partidas que joguei não tive problemas de conexão ou de latência e me diverti bastante abatendo caças de outros jogadores (e sendo derrubado). Particularmente espero que a Bandai Namco dê mais atenção ao online por meio de atualizações, pois é muito bom e tem potencial para ser ainda melhor.

Outra coisa legal é que os pontos e a maioria das coisas obtidas jogando a campanha podem ser utilizados no multiplayer, que inclusive possui seus próprios desbloqueáveis. Assim como no modo para um jogador, jogar online também serve para obter os pontos utilizados na compra de caças, armas e peças.

Graficamente Ace Combat 7 cumpre bem o seu papel, mostrando visuais estonteantes. Contudo, de vez em quando é possível perceber texturas de baixa qualidade nos cenários, mas nada que comprometa drasticamente o visual, já que a maior parte do tempo você estará ocupado enfrentando seus inimigos e mal conseguirá prestar atenção nesses detalhes.

Embora não tenha dublagem em português, todo o restante está localizado, com legendas e interface no nosso idioma, o que auxilia no acompanhamento da história e também na compreensão dos nomes utilizados para descrever manobras e equipamentos de aviação que estão presentes no game.

O desempenho no PS4 Pro, console onde joguei o jogo, é muito bom, mantendo-se em 60 fps quase que o tempo inteiro. Infelizmente quando há muita ação na tela, é possível notar quedas na taxa de quadros, mas é algo que dura apenas alguns segundos e não chega a afetar negativamente a jogabilidade. Não posso dizer o mesmo dos outros consoles já que não tive a oportunidade de jogar o game neles.

A trilha sonora é outro aspecto onde Ace Combat 7 se destaca. Embora não possua nenhuma música marcante, daquelas que ficam grudadas em sua mente ou que você sente vontade de ficar ouvindo repetidas vezes, as que estão lá ajudam a complementar a ambientação de acordo com cada situação, lhe deixando focado naquilo que está acontecendo na tela.

Quem tiver um PlayStation VR poderá aproveitar um bônus na forma de missões feitas exclusivamente para serem jogadas nele, sendo este inquestionavelmente um dos melhores usos do headset de realidade virtual do PS4. Um complemento de ótima qualidade que você deve aproveitar assim que tiver a chance. Minha experiência nisso, no entanto, é com base nas oportunidades que tive de jogar dessa maneira em eventos nos quais fui convidado e o game estava disponível para ser jogado com o acessório da Sony, já que eu pessoalmente não tenho um PS VR.

Uma cópia do jogo para PS4 foi fornecida pela Bandai Namco para elaboração desta análise