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Análise | Adrenaline Rampage: caos indie frenético e cansativo

Roguelite da Midhard Games, cheio de caos, bugs, adrenalina e frustração deliciosa.

RumbleTech cansadão, com café frio, dedo doendo e paciência no negativo!

Tem dias em que eu acordo, olho pra biblioteca do Steam e penso: “Será que hoje vou jogar algo que não tente me matar em 40 segundos?”

Aí aparece Adrenaline Rampage, da Midhard Games, com esse nome que parece slogan de energético vencido, e eu digo: “Tá bom, universo, vamos lá. Me atropela.”

E, olha… ele atropela mesmo.
Com gosto.
Com pneus serrilhados.
Com efeito sonoro que parece alguém batendo panela dentro da cabeça.

E se você acha que isso é crítica… não é. Ou é? Eu nem sei mais. Tô cansado.

☠️ A PREMISSA: “VEM, MONSTRO, ME PEGA NO PULO”

Adrenaline Rampage é aquele tipo de jogo que parece ter nascido de uma briga interna no estúdio:
— “E se a gente fizesse um roguelite?”
— “E plataforma 2D?”
— “E bullet-heaven?”
— “E zumbis tecnológicos?”
— “E cinco armas ao mesmo tempo?”
— “E caos em 4K?”
— “E se a gente juntasse tudo?”
“Tu tá maluco?”
— “Sim.”

E aí pronto: o jogo existe.

Você cai numa cidade espacial toda torta, cheia de robôs zumbi fumando circuito queimado, e precisa sobreviver enquanto tenta montar uma build decente e não permitir que seu dedo WASD abra um boletim de ocorrência por tortura.

É tipo se Hotline Miami tivesse sido batizado num culto de Vampire Survivors, adotado por um Doomguy deprimido e abandonado num beco cyberpunk.

⚙️ JOGABILIDADE — OU POR QUE MEU TECLADO TÁ PEDINDO FÉRIAS

Eu vou ser sincero: Eu entrei achando que ia descansar a mente. Dez segundos depois, parecia que eu tava no meio de um assalto em Gotham City com o Batman tirando férias.

O jogo joga hordas, hordas e mais hordas em você. O cenário muda, mas a sensação é sempre a mesma: “eu não vou aguentar isso”.

Aí, do nada, você encontra uma arma boa, ativa um buff, pega um dronezinho simpático, desvia de três zumbis, upa uma skill e… Pronto.

Você virou John Wick em versão pixelada.

Mas essa sensação dura pouco, porque na run seguinte a RNG te entrega:

  • uma arma que parece espingarda enferrujada,

  • inimigos que brotam feito dívida,

  • e um chefe que aparece só pra te lembrar que sofrimento é temporário, mas vergonha é eterna.

É aquele roguelike puro: quando funciona, você se sente um deus; quando não funciona, você considera mudar de carreira.

🔥 O POVO QUE SOFRE JUNTO

Fui ler as análises no Steam e foi quase terapêutico. A galera claramente está passando pelas mesmas fases:

“Ótimo jogo, gameplay frenético!”

Tradução: conseguiu uma run boa e tá feliz.

“Precisa de mais balanceamento, spawn injusto demais.”

Tradução: RNG destruiu a alma dessa pessoa.

“Skill Luck não funciona.”

Tradução: já desinstalou e reinstalou três vezes.

“Chefes não apareceram, jogo travou na progressão.”

Tradução: o jogo te obrigou a meditar à força.

Mas, no geral, o povo gosta. E eu entendo. Porque mesmo quando você está de saco cheio, o jogo tem aquele charme sujo. Aquela sensação de “deixa eu tentar só mais uma run”, mesmo que você saiba que vai acabar xingando o monitor.

É o famoso “ciclo de sofrimento gostoso”.

Ou, como eu chamo: ter uma conta no Steam.

👀 ESTILO VISUAL — O CAOS É BONITO (QUANDO VOCÊ CONSEGUE VER)

Eu realmente gosto da estética: É suja, neon, distorcida, cheia de zumbi tecnológico fazendo uns barulhos que parecem a Alexa tendo crises existenciais.

É meio Blade Runner, meio Dead Space, meio “tá tudo pegando fogo e eu não sei por quê”.

Só que tem tanta coisa acontecendo na tela — tantos tiros, explosões, partículas, efeitos, inimigos — que às vezes eu sinto que estou jogando dentro de uma máquina de lavar cheia de LEDs RGB.

Não é ruim. Só… é cansativo. Igual eu agora.

🔄 PROGRESSION: A PARTE QUE ME FAZ VOLTAR MESMO ESTANDO EXAUSTO

A progressão é boa. As armas evoluem pra versões mais fortes. Os personagens mudam o estilo de gameplay. A meta progression dá aquela sensação de melhora mesmo quando você morre feito um pato.

E com o tempo você começa a entender como o jogo pensa:

  • Se a run começou fácil demais, você vai sofrer depois.

  • Se a run começou difícil demais, você já está sofrendo agora.

  • Se a run tá equilibrada… então algo está errado.

É muito parecido com a vida adulta.

🧘‍♂️ MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL — O DESABAFO DE UM JOGADOR CANSADO

Eu fiz 12 runs seguidas. As primeiras 5? Eu morri tão rápido que o jogo deveria ter emitido um atestado de óbito automático.

A run nº 6 foi boa.
A run nº 7 foi incrível — virei o próprio deus do tiroteio pixelado.
A run nº 8 foi tão ruim que eu questionei se realmente sabia usar teclado.
A run nº 9 travou o spawn do chefe.
A run nº 10 eu pausei só pra respirar porque o jogo tinha me dado uma arma que fazia o cenário inteiro chiar.
A run nº 11 eu deixei rolar só pra testar uma build meme.
A run nº 12 eu desisti no meio porque percebi que meu café tinha esfriado e eu tava bebendo ressentimento puro.

Mas… Eu gostei. Eu realmente gostei.

Mesmo cansado, mesmo com bugs, mesmo com RNG maligna, mesmo com chefe desaparecendo igual promessa eleitoral — Adrenaline Rampage tem aquela centelha que te pega.

É frenético, é sujo, é caótico, é irritante, é absurdo.

É indie. E, no fundo, é bom.

Prós:

  • Gameplay frenético do jeito que roguelite deve ser
  • Evolução de armas divertida e satisfatória
  • Atmosfera sci-fi suja e caótica muito bem feita
  • Sensação gostosa quando a run “vem boa”

Contras:

  • RNG que te dá tapas na cara (constante)
  • Bugs ocasionais, inclusive chefes que não aparecem
  • Runs injustas que parecem pessoal
  • Conteúdo ainda meio limitado
  • Difícil a ponto de esgotar sua saúde mental

Nota Final: 6/10

Adrenaline Rampage é o tipo de jogo que te faz pensar: “eu vou só testar mais 5 minutinhos”… e quando vê, você está suando, tremendo, xingando inimigos que nem existem na vida real e rezando pra RNG te dar aquela arma boa. Ele é divertido, imperfeito, caótico, viciante, bugado, satisfatório, frustrante e deliciosamente malcriado. Exatamente como um bom roguelite indie deve ser. Se você gosta de jogo frenético e não tem medo de sofrer, mete bala. Se você quer algo zen, narrativo, suave… irmão, corre daqui.

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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