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O grande jogo no qual a BioWare estava trabalhando nos últimos anos, “Anthem” dava a impressão que seria algo extraordinário, destinado a competir ou até mesmo superar outros jogos de ação e RPG focados no multiplayer tais como “The Division” e “Destiny”. Infelizmente não foi este o caso, pois o novo título da criadora de “Dragon Age” é facilmente seu pior trabalho até hoje. Sim, meus caros, nem mesmo o decepcionante “Mass Effect Andromeda” consegue ser tão ruim quanto “Anthem”.

Eu esperei alguns dias antes de começar a jogar para elaborar esta análise, pois o estado do game em seu lançamento era intolerável a ponto de eu achar melhor aguardar até que saíssem algumas atualizações que remediassem os problemas mais sérios relacionados com o desempenho. Quem sabe o jogo melhoraria com isso, não é mesmo?

Sendo sincero, até que deu uma melhorada, especialmente nos loadings, que mesmo no PC eram muito longos. Aliás, existem tantas cenas de carregamento nesse jogo que é quase que uma obrigação você jogá-lo em um SSD, de modo a não perder muito tempo com isso.

Depois de jogar experiências de mundo aberto tais como “God of War”, “Breath of the Wild” e mais recentemente “Spider-Man”, onde a ação é quase que ininterrupta, é um verdadeiro retrocesso o sistema visto em “Anthem”. As missões, além de tediosas, sofrem interrupções em determinados momentos, o que acaba quebrando o ritmo de jogo. Quando as coisas começam a melhorar, vem um loading, algo que irrita muito dependendo do momento onde ocorre.

A jogabilidade deixa muito a desejar por várias razões. Atirar em “Anthem” não traz satisfação. Muito pelo contrário, você apenas faz isso para ganhar tempo até conseguir utilizar os poderes especiais das Lanças, como são chamados em português os trajes que você veste para lutar. O foco é quase que total nessas habilidades poderosas, tanto que alguns dos atributos adicionais das próprias armas são voltados a fortalecer estes golpes, ao invés das armas em si.

O sistema de loot é péssimo. Lembra muito “Diablo 3” em seus primeiros dias, demorando uma eternidade até você conseguir encontrar uma arma ou acessório que lhe deixe boquiaberto e ansioso para equipar. Mesmo o fato de você poder criar itens não é muito recompensador, já que demora um bom tempo até conseguir destravar diagramas que lhe permitam construir algo de qualidade.

Outra coisa que decepciona é o fato de que você não pode trocar suas armas ou habilidades durante as missões. Só dá para fazer isso na forja, que pode ser acessada apenas na cidade. Qual a dificuldade em criar um sistema onde você pode achar itens, olhar eles no inventário e equipá-los ali mesmo no campo de batalha?

Apesar de ter um mundo aberto, a variação é baixa. Todos os lugares parecem iguais, havendo uma ou outra diferença. Há um modo de jogo que lhe permite explorar à vontade sem a necessidade de realizar as missões, mas honestamente, é tão chato, graças em boa parte às limitações impostas na hora de voar, que você vai preferir se atrelar a ficar somente nas missões mesmo, tanto as opcionais quanto as obrigatórias para avançar a história, que embora confusa, tem horas que agrada.

Há uma pegadinha no entanto, que lhe é apresentada em um determinado momento na campanha. Chega uma hora onde o jogo te obriga a conseguir determinadas conquistas se quiser continuar a história, algo que fará algumas pessoas até mesmo pensarem em desistir do jogo ali mesmo, já que para prosseguir terá de realizar tarefas como matar X inimigos em combate corpo a corpo ou abrir um número Y de baús.

Graficamente “Anthem” impressiona. Não é tão bonito quanto o material mostrado na E3 2017, mas é um jogo visualmente chamativo. O problema é que ele roda muito mal. Mesmo jogando no PC, utilizando um Core i7 e um GeForce GTX 1070 Ti, é praticamente impossível manter 60 fps constantes. Jogar com os visuais na qualidade baixa lhe dá uma média de 10 fps a mais do que fazer isso no ultra. É ridículo se tratando de um game feito com o motor gráfico Frostbite, que sempre se mostrou extremamente leve e versátil em jogos anteriores onde foi utilizado, como “Battlefield V” e “Star Wars Battlefront II”. Contudo, se for jogar pensando apenas em fazer isso em 30 fps, não terá problemas.

Algo que eu gostei muito em “Anthem”, no entanto, é que o co-op funciona bem, ao ponto de que dificilmente você vai querer jogar sozinho. Entretanto nem isso salva esse jogo da experiência decepcionante que ele proporciona.

CONCLUSÃO

“Anthem” tinha tudo para ser um dos jogos obrigatórios de 2019 mas acabou tropeçando em suas próprias ideias, quase todas muito mal implementadas. Hoje ele não vale o seu tempo, mesmo porque há opções semelhantes e muito melhores no mercado. Mas calma, nem tudo está perdido, pois jogando o game você percebe que ele tem um tremendo potencial, podendo estar muito melhor daqui alguns meses (ou anos), da mesma forma que ocorreu, por exemplo, com “Diablo 3” e “No Man’s Sky”, jogos medíocres no lançamento, mas que hoje são ótimos, graças às drásticas mudanças que receberam.

Prós

  • Gráficos chamativos
  • Bom sistema de co-op

Contras

  • Extremamente mal otimizado
  • Jogabilidade que não empolga
  • Loadings a perder de vista
  • Missões tediosas
  • Mundo aberto sem graça
  • Péssimo sistema de loot

NOTA – 5.5

Uma cópia do jogo para PC foi fornecida pela Electronic Arts para elaboração desta análise