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Análise | Biomutant traz ambição exagerada que o leva à ruína

Ser um bicho peludinho em um mundo aberto pós-apocalíptico onde mutações alteram os seus poderes, e elementos de RPG vão ditar uma aventura épica, soa legal demais. Com cada vez menos títulos que fogem da mesmice, não à toa, Biomutant foi visto com bons olhos pela comunidade gamer desde o seu anúncio. Só que, infelizmente, a realidade por vezes desaponta.

Antes de cumprir com o meu papel de analista e te contar os pontos negativos e positivos do Biomutant – talvez te ajudando a decidir se vale ou não gastar o seu dinheiro suado neste jogo – vale ressaltar um ponto. Este título foi desenvolvido por um estúdio bem pequeno, a Experiment 101. Conforme dito pela THQ Nordic, uma equipe de apenas 20 pessoas trabalhou no projeto, e a ambição era enorme, grande demais. Independentemente dos parágrafos que seguirão e os problemas apontados, Biomutant foi um feito impressionante pelas condições e, nesse sentido, merece ser reconhecido.

Tutorial, crashes, patches, fps horripilante

Biomutant já começa mostrando suas qualidades e defeitos, sem medo. Logo após iniciar um novo jogo, fui guiado diretamente para o editor de personagens. A variedade do sistema de atributos é ambiciosa, com várias resistências a tipos diferentes de ataques, atributos principais que influem em secundários e tudo isso gerando alguma modificação na aparência do seu personagem nesse momento. Há seis raças diferentes, que também contam com as suas peculiaridades visuais e mecânicas. Uma é mais focada em habilidades de KI enquanto outra é mais apta ao combate corpo a corpo, por exemplo. Por fim, há as classes que focam em tipos de armas diferentes, ao menos no início, já que depois você pode ir mudando tudo ao seu gosto. É, sem dúvidas, uma boa gama de customização.

No processo de criação do meu bichinho, já percebi que a parte de usabilidade e experiência do usuário, os clássicos UX e UI, não são lá muito o forte da Experiment 101. Eles inventaram um círculo que cria uma ligação entre os atributos, colocando uns como opostos do outro, como Força vs. Inteligência e dependendo de como você movimenta um marcador no meio deste círculo, vai definindo os atributos e a aparência do seu personagem. É impreciso, corta muito da sua liberdade criativa com a build e principalmente no visual do bichinho. Uma opção de sliders à parte teria resolvido isso.

Com um certo custo, e idas e vindas entre as abas, consegui criar o meu personagem. Não ficou tão bom quanto eu queria, mas foi o mais agradável possível. Ao menos, por conta da classe, ele ficou bem legal com suas duas adagas. Terminei empolgado para ver o resto do jogo, louco para experimentar com o sistema de criação de armas que mostraram nos trailers, combater e… CRASH! Sério?

Joguei toda a jornada no PS5, algo que não contei até aqui e, meus amigos, os primeiros dias foram de luta. Não com os inimigos, mas com a estabilidade do jogo mesmo. Os crashes aconteciam a cada 30 minutos, em média. A taxa de quadros por segundo? Terrível. Girar a câmera dava dor de cabeça. Vários objetos sem textura, o que é um problema inaceitável, vide Cyberpunk 2077. Só que, para o bem dessa análise e de todos vocês que fizeram a pré-venda do Biomutant, alguns patches foram lançados e agora o jogo está bem mais estável. Ainda rolam alguns crashes de vez em quando, mas são bem mais toleráveis. A taxa de quadros por segundo também ficou mais estável no modo 60fps, principalmente após reduzirem a resolução no PS5, sendo agora de 1080p com upscaling para 4K. Vale lembrar que essa não é uma versão nativa para o console, rodando via retro, já que o game só tem, por enquanto, versões para os consoles da geração passada.

Por que interromper o fluxo da análise para contar isso, se foi “resolvido”? Para exemplificar para você, leitor querido, que o jogo ainda não parece totalmente finalizado no momento. Há vários problemas de desempenho e os patches, pelo visto, serão constantes. Podem até ter coisas citadas aqui, inclusive, que já estejam corrigidas no lançamento. A tendência é que o Biomutant vá melhorando com o passar das primeiras semanas, mas espere por um produto sem bordas aparadas.

Recapitulando então: Criei meu personagem, superei o(s) Crash(es) e fui ao tutorial. Se fosse verdade que a primeira impressão é a que fica, Biomutant provavelmente estaria condenado. É incrível como no tutorial eles mostraram toda a parte limitada do jogo sem pudor. É quase uma prova. Se você superar este ponto, está pronto para o resto. Animações muito fracas nas cenas não interativas que são constrangedoras, combate pouco responsivo, com combos muito limitados e uma mecânica de tiro lenta, que deixa muito a desejar. O visual nesse espaço comprimido mostra como é incoerente nos personagens. Aquele sinal de alerta, indicando que as horas seguintes seriam difíceis, foi ligado.

Uma história que poderia ser outras dez

A história aqui é bem criativa, mas infelizmente sem muito ritmo, coerência e nem de longe traz algo que realmente fisga o jogador. O nosso personagem é filho de uma lutadora de Wung Fu, que é a adaptação desse universo para o Kung Fu que conhecemos. A vila onde nascemos é atacada por um vilão chamado Lupa-Lupin, um monstro que lembra um lobo e parece extremamente forte. No processo deste ataque, perdemos a família, quase morremos e até a memória do herói vai para o limbo. Um momento que poderia até ser emocionante e nos ligar ao personagem, mas não passa absolutamente nada pelo amadorismo das animações e construções de cenas. Anos depois, treinado também pela azedume da vida, é hora do protagonista retornar e salvar o mundo de uma porção de problemas.

O mundo, aliás, foi detonado pela ganância de corporações, como a Toxicol. Com o uso indiscriminado dos recursos naturais e a criação sem limites de lixo e dejetos, o planeta começou a falecer. A radioatividade e produtos químicos despejados por todos lugares condenou parte da vida que existia aqui, mas trouxe a mutação que criou os bichos que nesse período dominam esse mundo e “empodera” o nosso personagem. Agora, começa a embaralhar tudo, então se prepare.

A única esperança para a parte ambiental, o grande foco do jogo, é restaurar a árvore da vida, que está sendo destruída por quatro monstros chamados Devoradores. Ao mesmo tempo, você precisa lidar com a questão da vingança contra o lobão carnívoro. Por cima disso tudo há uma guerra de tribos(!!). São sete no total, e você precisa unificá-las invadindo bases e derrubando líderes, os Shifu. Além disso, ainda há toda uma trama com uma nave antiga (??), do povo que fugiu do planeta séculos antes. Sem medo de mandar camada em cima de camada, já quase desmoronando o bolo, a Experiment 101, com seus poucos funcionários, ainda decidiu fazer um mundo aberto com sistema parrudo de criação de armas e equipamentos, combate influenciado por build complexa, árvore de habilidades, montarias, escolhas que impactam a história do jogo, sistema de moralidade que influencia os NPCs, áreas com biomas agressivos que pedem roupas específicas… ufa. Achou pouco? Com certeza ainda deve faltar coisa. É de pretensão nível Rockstar que estamos falando aqui. Mas fica só nisso mesmo.

Com tanta vontade de abocanhar o mundo, o Biomutant acaba passando fome em praticamente todas as frentes, e a parte narrativa é a que mais sofre. A história patina e não consegue resolver a maioria dos conflitos que propõe ou faz de forma apressada. A ligação entre todas essas ramificações não convence e no final das contas, o melhor (eu juro) é realmente ignorar tudo isso. A campanha tem menos de 20 horas, mas as dezenas de missões opcionais (falaremos delas mais tarde), podem estender o jogo para mais de 50 horas. Os melhores momentos que tive com Biomutant foram simplesmente explorando e melhorando o meu personagem, sem nem pensar no por que. Afinal, você também provavelmente não vai ligar para nenhum personagem.

Um dos motivos para o fiasco é a forma como decidiram contar a história, que joga contra a própria proposta. Que me desculpe o ótimo David Shaw Parker, narrador do jogo, mas eu nunca mais quero ouvir essa voz na minha vida. Entenda: nenhum dos bichinhos tem dublagem, o que obviamente é uma decisão tomada por conta de recursos escassos. Dá para encaixar na proposta, são animais, afinal de contas. O que rola no lugar, já que é um RPG com diálogos ramificados e escolhas que prometem impactar na história, é uma narração desse simpático senhor. Só que ele narra praticamente tudo que acontece no jogo. Cada frase dos diálogos, cada momento importante ou não, tudo é feito com essa mesma voz, muitas vezes se repetindo, o que cansa demais. Não é como no Immortals: Fenyx Rising, que a narração de duas vozes tem uma interação legal e divertida. Aqui vemos algo monótono mesmo. A grande dica, inclusive, é que há uma opção no menu para limitar bastante a narração. Ative-a e seja mais feliz.

Some essa jornada de uma só voz com a inexistência de animações faciais ou boas animações no geral para os diálogos e cenas, e tudo fica pouco crível, sem nenhuma emoção ou imersão.

Um ponto positivo nessa frente, finalmente, é a localização para o nosso idioma. Só há legendas, mas elas são muito bem feitas. Em jogos de orçamento menor assim, principalmente com mais textos e muitos menus, geralmente encontro vários erros, tanto gramaticais quanto de inserção do texto nos espaços corretos. Até o momento, a minha experiência foi impecável. Tanto a equipe de localização por aqui, quanto quem implementou por lá, estão de parabéns.

Exploração e criação são o ponto alto

Obviamente que também há coisas legais no Biomutant. Uma delas, a que mais me impressionou, é a densidade do mundo aberto que criaram. O design do mapa e da exploração tenta uma mistura de The Legend of Zelda: Breath of the Wild com a fórmula padrão da Ubisoft, então dá para você imaginar. O que ele faz até melhor que alguns desses jogos é te apresentar algo interessante em quase toda esquina, digamos assim.

Há diversas vilas, personagens para conhecer com missões especiais, ruínas das antigas civilizações para explorar, monstros poderosos para enfrentar, e uma infinidade de itens para coletar. A exploração é o ponto mais alto e, no geral, quase sempre recompensa com algo útil ou inesperado.

A construção do mundo também tem os seus pontos fortes. Com regiões variadas, é possível encontrar biomas totalmente diferentes. Alguns deles, inclusive, até exigem algum tipo específico de equipamento para serem explorados. Um exemplo foi entrar em uma antiga usina que agora é tomada de gás tóxico. É preciso fazer uma outra missão secundária que libera uma roupa específica para entrar nela e explorar sem morrer envenenado. O mesmo rola para locais muito frios, quentes, com radiação, dentre outros.

As missões opcionais mais interessantes, aliás, são bem melhores que qualquer missão da campanha, que parecem inacabadas. Há, no entanto, aquele probleminha chato de colocar muitas delas repetidas para inflar o conteúdo do jogo. Várias são de encontrar um objeto do mundo antigo e fazer um minigame para ligá-los. O minigame é bobinho e a repetição não recompensa com nada de especial. Há muito mais delas do que deveriam e o mapa vira aquela bagunça de pontinhos que fazem parecer que você está completando uma check list ao invés de realmente se divertir.

A travessia pode ser feita pelo seu próprio personagem, mas também há a opção de montarias. No próprio mundo é possível domar diversos bichos. Não tem minigame nem nada, é bem simples, basta dar uma fruta específica e montar. A animação deles trotando é horrenda, mas a velocidade obtida compensa. No entanto, o mais legal mesmo é utilizar as montarias especiais, que são concedidas ou na história ou avançando em missões opcionais de personagens específicos. Elas têm outras funções, incluindo lutar ou planar ao saltar de locais altos. Algumas delas também permitem customização, o que soma bastante pontos aqui. Como nada no Biomutant vem sem um ponto negativo, há diversos bugs de invocação em algumas delas, principalmente do Jet Ski para atravessar as partes de água.

Com uma porção de itens que você vai coletando durante a exploração, que no geral são sucata, é possível fabricar armas e armaduras direto do inventário. Essa é outra parte bem legal do jogo, depois que você desvenda a interface caótica para executar essas ações. Criar uma arma do zero, combinando vários pedaços de sucata que você encontrou, é bem gratificante, principalmente as mais bizarras. Há armas de contusão, cortantes, adagas, dentre outras. Isso só citando as de corpo a corpo, pois há um leque legal de armas de fogo também. Algumas delas são bem criativas, como um chocalho gigante com uma serra elétrica acoplada. As combinações possíveis devem beirar o infinito e acrescentam bastante na experiência. Ainda dá para evoluir as suas favoritas em uma mesa, para elas nunca ficarem para trás no nível em relação às novas.

O design das armaduras, por outro lado, me incomodou um pouco. A direção de arte para os personagens, no geral, já não me agradou, e as armaduras só agravaram, já que a maior parte dos inimigos também são criações aleatórias feitas pelo criador de personagens com elas adicionadas. Foram feitas com texturas mais realistas do que o jogo precisava, com formatos estranhos e que encaixam mal no personagem. Entretanto, acaba servindo dentro do tema de uso de sucatas. Não há muitos conjuntos prontos, e os que existem também não são legais. Com mais de 40 horas de jogo, ainda não consegui deixar o meu personagem com um visual mais bacana do que o oferecido com a primeira roupa do jogo e isso diz muito.

Jogabilidade inacabada

Por fim vamos falar da jogabilidade, que infelizmente apresenta muita coisa inacabada ou feita às pressas. Há problemas menores de conceito que incomodam, desde a área de qualidade de vida até os mais graves, em sistemas mais importantes, como o de combate.

A minha principal crítica ao combate do jogo é que ele é repetitivo e não há partes da aventura onde há design de encontros para variar a experiência. É sempre uma batalha meio padrão, com inimigos feitos de forma aleatória para enfrentarem o seu personagem, mas que contam com movimentos idênticos. Há uma coerência visual deles com o bioma local ou construção, mas falta variação mecânica. Como essa é a resolução da maioria das missões e rolam do mesmo jeito também ao explorar sem rumo por aí, após algum tempo você estará evitando lutar.

Muito disso seria amenizado se o sistema de habilidades e construção de builds ajudasse, mas o que rola é o oposto. Você tem uma árvore de habilidades de mutação e outra de perícias com as suas armas, mas elas são extremamente limitadas. Os combos com as armas são idênticos na execução e embora uma ou outra coisa na finalização funcione diferentemente, não rola uma variação legal para te manter interessado por conta da forma de lutar.

As habilidades que funcionam, como magia, as que consomem Ki, são pouco inspiradas e algumas atuam muito mal. As ideias, no entanto, até que são legais. Há um cogumelo, por exemplo, que você pode usar para saltar mais alto e atingir locais que antes eram inalcançáveis. Só que colocar ele onde você quer é um martírio. No combate ele joga os inimigos para o alto de uma forma bem feia e as animações não ajudam também. Uma habilidade de teletransporte, que é liberada no início, também tem um problema de execução parecido, e as demais são magias de emissão pouco inspiradas e com efeitos nada chamativos. Não há aquela habilidade liberada que serve para algo do bioma local, criando uma assinatura para a região e seus desafios. É incrível como todos tentam copiar The Legend of Zelda e não percebem o principal do seu design micro que mantém a experiência fresca em cada nova etapa. Lá, cada local tem a sua cara e novas recompensas. Como aqui nada disso existe, gastei a maior parte dos pontos que ganhei nas habilidades passivas de resistência a efeitos.

No fim do jogo, o combate virou um minigame simples de execução para mim. Eu entrava na luta, fazia os dois combos da arma à distância e o combo da arma de corpo a corpo, os três praticamente iguais em execução. Isso libera o especial de Wung Fu. Uso ele e finalizo quem ainda estiver vivo. A repetição cansa, e com armas mais poderosas que são trocadas com menos frequência, fica ainda mais previsível.

As missões de conquista de base são outro exemplo de trabalho inacabado. Bem fraquinhas, elas te jogam em uma batalha por ondas de inimigos ou atrás de um item, tal qual uma missão secundária qualquer. Após completar essa tarefa, elas acabam sem nenhum clímax ou avanço narrativo, bem chatinho e pouco polido. No fim, aparece o Shifu da tribo, em mais uma animação bem ruim, citando a exata mesma frase dos Shifus das outras tribos e que ele mesmo disse na conquista das bases anteriores. O narrador, claro, ajuda a tornar o momento ainda mais embaraçoso.

De resto, fica a insatisfação com a falta de polimento e problemas menores de design mesmo. A tela de loading, por exemplo, demora bastante, mesmo no PS5. Sabendo disso, era bem mais fácil terem feito que ao se afogar na água ou no óleo (meu Deus, até a animação de nadar é feia), o jogador voltasse para a terra com uma punição na barra de vida. Só que não, o jogo te mata e obriga a dar um loading demorado do mundo, te retornando para um checkpoint próximo, de antes de você morrer. Esse exemplo pode ser expandido para muitas coisas do jogo. Menus que não precisavam existir, como a aba de criação separada da aba de equipar o personagem, que são iguais, sendo que é preciso apertar o botão no equipamento para criar de qualquer forma. O limite de número de trajes salvos, que é menor que o número de trajes de bioma, exige ficar trocando manualmente todas as partes da armadura para não morrer com algum agravante climático. Dificuldade para sair de um diálogo. Inutilidade do sistema de moral e de carisma para os diálogos. São muitas coisas pequenas que vão se somando e te fazendo perder a paciência.

Tudo isso deixa o jogo com jeitão de inacabado. O maior exemplo são as lutas com os grandes chefes, os Devoradores que estão acabando com o resto do mundo. Eles tem modelos 3D muito melhores que do restante dos personagens do jogo, as animações também são muito mais trabalhadas, chegando quase a empolgar. Dá para ver o que era o escopo se o tempo e recursos fossem suficientes. No entanto, eles também sofrem com a falta de polimento, sendo desbalanceados. Demoram uma eternidade para serem derrotados, mesmo sem oferecer desafio. Também estão repletos de bugs. Para citar um: é preciso sempre usar uma montaria específica contra esses chefes. Em um deles, a minha montaria bugou e sumiu. O meu último save estava longe e mesmo morrendo e recomeçando, eu voltava com esse bug. Tive que matá-lo sem a montaria, atirando infinitamente nas bolinhas que nascem nas suas pernas enquanto tentava escapar dos seus disparos de veneno com a minha velocidade limitada. Deu certo, mas foi ainda mais frustrante. No fim, a cutscene mostrou meu personagem saindo com a tal montaria. Esse é o nível.

É possível ver qual era o objetivo do jogo com o passar das horas. Você sente que poderia ter sido algo marcante, diferente e divertido, mas as limitações de orçamento e equipe, como em boa parte dos jogos atuais, minaram a visão de forma brutal.

Conclusão

Biomutant quis abocanhar o mundo, mas acabou morrendo de fome. Tem seus méritos pelo que entregou levando em conta a equipe pequena, mas isso não basta. Com muitos problemas de polimento, desempenho e decisões ruins de design, acaba entregando uma experiência mal acabada na maior parte daquilo que apresenta. Mesmo as áreas mais divertidas, como a exploração e a criação de equipamentos, não conseguem segurar a decepção com o resto, que é difícil de tolerar por dezenas de horas.

Custando o preço de um jogo completo, o que é caríssimo no Brasil atualmente, é impossível indicá-lo para qualquer um no lançamento. Há outros jogos do mesmo tipo no mercado que fazem melhor essa proposta parecida com Zelda e estão mais baratos por conta do tempo de lançamento. Passe por esse sem olhar para trás.

Prós

  • Exploração é recompensadora
  • A ambientação tem a sua beleza
  • Criação de armas e equipamentos diverte
  • Montarias especiais são divertidas e ajudam a variar a jogabilidade
  • Localização para o português foi bem feita e implementada

Contras

  • Desempenho ruim no PS5
  • Diversos bugs, mesmo após as atualizações pré-lançamento
  • Animações muito fracas atrapalham a narrativa, exploração e o combate
  • Narração é monótona e apresenta uma solução ruim
  • Muitos problemas de polimento em diversas frentes
  • Interface confusa e mal executada
  • Combate repetitivo
  • Árvore de habilidades pouco inspirada e mal executada
  • História sem pé nem cabeça
  • Missões de invasão inacabadas
  • Muitas missões secundárias repetitivas para inflar a duração
  • Repetição de locais quebra a imersão

Nota: 5/10

Uma cópia do jogo para PS4 foi fornecida pela THQ Nordic para elaboração desta análise

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