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“Blasphemous” foi definido pela sua desenvolvedora, a The Game Kitchen, como um jogo de plataforma punitivo. De fato, não existem palavras melhores para descrevê-lo. O metroidvania que segue a pegada de “Dark Souls” é surpreendente deste o seu nome e garante uma jornada original.

O game começa com uma mulher lamentando seus pecados e buscando redenção atravessando uma espada com um emblema divino no seu tórax. Aparentemente, muito tempo se passa, seu corpo se transforma em uma pedra e, um homem, cuja penitência é o silêncio, retira a arma do corpo desta mulher. Após esses eventos, ele acorda por cima de uma pilha de cadáveres de pessoas nuas, “vestidas” apenas com elmos cônicos que cobrem seus restos. Ao se levantar e prosseguir para a próxima sala, uma boss fight se inicia. Sim, você mal aprende os comandos e já tem que lidar com um desafio. Estas são as boas-vindas de “Blasphemous”.

O game tem claras referências religiosas, em especial, do cristianismo. Para começar, a jornada de nosso peregrino (chamado de Penitente, pelos NPC’s) tem uma ligação profunda com dor, sofrimento, abstinência e voto de silêncio, que são elementos muitos ligados ao catolicismo. Essa sensação permanece durante todo o game. O design dos inimigos e de alguns chefes, as estátuas presentes por todo o jogo, o terço na mão do peregrino ao se pausar o game e muitos outros momentos que reforçam a alusão a esta crença. É de se admirar decisão ousada da The Game Kitchen e a criatividade de criar algo novo por cima disso.

É preciso explorar para encontrar itens importantes.

“Blasphemous” tem cenários bem diversificados. Pode-se dizer que, grande parte de seu level design é inspirado na arquitetura gótica, por outro lado, a geografia das áreas abertas passam uma sensação melancólica, principalmente pelos sprites do plano de fundo que trazem construções e ambientes decadentes, na maioria das vezes, acompanhados por músicas que ajudam a construir essa atmosfera.

Os gráficos do game estão impecáveis. Diferente de outros jogos atuais em 2D, Blasphemous continua bonito em televisores maiores. Além disso, a movimentação do herói e dos inimigos chamam a atenção pela quantidade de frames que cada boneco exibe. Por isso, os movimentos são naturais e em muitos momentos passam uma sensação de efeitos 3D, graças a alta qualidade. Um ponto que merece destaque são algumas das finalizações de inimigos.

O gameplay de Blasphemous gira em torno do parry. Defender primeiro e bater depois é a chave para a sobrevivência. Quase todos os inimigos podem ter seus golpes bloqueados, a diferença é que alguns tem sua guarda aberta após o impacto e outros não, por isso, é necessário decorar como cada inimigo reage para não perder sua vida e ter de começar tudo de novo. O dash também é muito importante. Deslizar em direção as costas dos adversários funciona contra alguns inimigos que carregam armas pesadas ou escudos (desde que o escudo não seja nas costas).

Aos poucos o mapa é interligado.

Ao longo da jornada é possível evoluir o personagem, porém isso, não é tão fácil quanto parece. Diferente de games do gênero, como “Dark Souls”, “The Surge” ou “Lords of the Fallen”, você não evolui no savepoint. É necessário encontrar santuários específicos ao longo dos mapas que permitem trocar seus pontos acumulados por upgrades. Em outras palavras não dá para rushar até o próximo boss, pois a exploração é fundamental para conseguir equilibrar o personagem com a dificuldade do jogo, encontrar itens necessários para as side quests e também interligar cenários. Abrir novos caminhos é fundamental para facilitar a chegada a outros pontos do mapa, como save points, por exemplo.

Paciência é fundamental.

Mas e aí, o jogo é difícil? Sim, porém, fica a dica: é mais fácil morrer por pressa do que por dificuldade. Como já mencionado, é necessário entender o padrão de cada inimigo e, às vezes, a falta de paciência nos faz cometer erros terríveis. Como bastam poucos golpes para ser aniquilado, o ideal é agir sempre com cautela e não arriscar manobras novas em áreas pouco exploradas. Mas é claro, isso não impede ninguém de enfrentar a morte várias e várias vezes.

Conclusão

Meio a ascensão do gênero souls-like, Blasphemous se destaca pelo seu enredo, belo trabalho de arte, jogabilidade responsiva e desafio constante. Inspirando-se em ótimas referência, a desenvolvedora não errou em nenhum detalhe e consegue surpreender o jogador com duas ideias ousadas desde os primeiros minutos dentro do jogo. Título indispensável para os fãs de RPG, metroidvanias e souls-like.

Prós

  • O enredo é original
  • O combate é fluido
  • Não exige muito tempo para se aprender as mecânicas e macetes do jogo

Contras

  • Algumas áreas têm estrutura parecida, causando uma leve sensação de déjà-vu
  • Ausência de legendas em português
  • Apenas 3 slots para salvar campanhas

Nota – 8

Uma cópia do jogo para PS4 foi fornecida pela Team17 para elaboração desta análise.