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Análise | Call of Duty: Vanguard tem multiplayer vibrante, campanha sem sal e modo Zombies dispensável

Como verdadeiros chefs julgando em um programa de culinária, os jogadores são servidos de vários jogos de tiro no fim de cada ano. Em 2021, pudemos experimentar um Battlefield aqui, um Halo ali e, claro, um Call of Duty.

A Activision apostou em Call of Duty: Vanguard para este ano e retornou para uma ambientação onde está cada vez mais difícil de inovar: a Segunda Guerra Mundial. O resultado tem seus altos e baixos e deixa aquela sensação que faltou aquele “tompero” extra, como dia o Chef Érick Jacquin.

Protagonistas Operadores

Sem tantas histórias novas para contar sobre a guerra mais importante do século XX, a saída para Call of Duty foi criar a sua própria, usando alguns personagens e referências a batalhas reais para dar aquela sensação de pertencimento. O jogador passa as curtíssimas cinco ou seis horas de campanha na companhia de quatro personagens, um de cada país da aliança, que formam quase um super grupo de soldados.

O foco na construção dos personagens é alto, com cutscenes até bem longas e uma boa explicação sobre o passado de cada um em missões e cenas em flashback. Toda a narrativa se passa de dentro de uma cadeia onde o grupo está aprisionado. Enquanto um nazista tortura e tenta tirar informações dos protagonistas, a história via sendo contada, mostrando como o Reich destruiu a vida de cada um deles, e dando motivação para as suas ações corajosas na guerra.

Na jogabilidade, o principal detalhe a se levar em conta é que todos esses protagonistas funcionam como operadores de um jogo focado em habilidades. A Polina, atiradora de elite do exército vermelho, consegue escalar paredes e deslizar por buracos de forma ágil, e conta também com uma faca que usa para refletir a luz e atrair snipers para fora da posição. Já o Wade, piloto americano, consegue rastrear inimigos por trás de paredes e ativar um modo de frenesi que trava a mira nos inimigos, aumentando os abates e eficiência. Cada um deles conta com uma habilidade assim.

O problema é que a campanha curta permite explorar muito pouco desses elementos e por várias vezes as situações parecem forçar a usá-los para criar um momento de clímax que não se concretiza e acaba deixando a progressão mais linear e limitada que a já conhecida linearidade de Call of Duty. Um exemplo é logo na abertura do Lucas, o soldado australiano que pode carregar mais de um tipo de granada. Um comboio inimigo fica imóvel após um ataque equivocado do seu time e há a oportunidade de lançar uma granada, e tudo para até você executar essa ação, tirando totalmente a liberdade de abordagem do jogador.

Mesmo com habilidades diferentes, os quatro protagonistas jogam de forma muito parecida e são raros os momentos em que funcionam de forma revigorante na jogabilidade. Por outro lado, como são de locais diferentes, permitiram fases variadas em ambientação. Há missões em florestas, deserto, cidades bombardeadas, neve e mais. Todas com a qualidade gráfica que você espera do motor gráfico mais recente da franquia, que foi utilizado no reboot de Modern Warfare. O ponto mais baixo é a missão com os aviões do Wade, que contam com objetivos confusos e muitos problemas nos controles da aeronave.

A jornada tem ótimos momentos, mas nunca traz algo novo e empolgante para a fórmula da franquia. A conclusão é rápida demais e a curta duração faz com que a história fique prejudicada e esquecível. Não chega a ser um ponto negativo do jogo, mas definitivamente ficou faltando algo a mais.

Multiplayer salva, Zombies afunda

O modo Zombies é um marco interessante de Call of Duty, principalmente nas mãos da Treyarch. Ela retornou em Vanguard para criar o modo, mas dessa vez não conseguiu entregar um complemento legal para os outros modos mais famosos da franquia.

Mais voltado para os novatos, o Zombies aqui conta com objetivos bem definidos e guiados em tela, o que difere um pouco dos anteriores. Embora isso deva incomodar os mais veteranos, está longe de ser o ponto mais baixo. No momento, o modo conta com pouco conteúdo e todo o fator de quebra-cabeça que exista em cada mapa parece ter sido deixado de lado. Uma sequência de ondas de inimigos por sala lembra mais uma versão capada de Left 4 Dead do que o DNA do modo que marcou época nos jogos Black Ops. É uma pena, principalmente por acompanhar uma campanha tão curtinha.

Já o multiplayer padrão salva o pacote e é um dos mais legais dos últimos anos. O uso das mecânicas e física do Modern Warfare mais recente em conjunto com as armas e cadência da Segunda Guerra funciona surpreendentemente bem. Os controles são precisos e as armas respondem com impacto e de forma bem satisfatória.

Há mais destruição do cenário, incluindo paredes, o que cria toda uma nova camada de estratégia. Em nenhum momento você se sente seguro e algumas jogadas extremamente criativas podem ser feitas utilizando essas novas oportunidades.

A customização das armas também é um ponto positivo. A princípio parece estranho fazer tantas modificações bizarras em armas quase sagradas do período, como a KAR, mas na jogabilidade funciona muito bem e é divertido, se você não ligar para a falta de realismo.

Toda a progressão de armas é carregada entre os modos do multiplayer, o que permite e incentiva a jogar tudo. Os modos de jogo, aliás, são divertidos e variados, indo de batalhas com poucos jogadores e focadas na velocidade de ação, como até mesmo confrontos voltados em movimentação e com um número maior de inimigos. O destaque vai para os modos Patrol e Champion Hill.

A parte sem graça fica por conta dos operadores. Cada um deles é um personagem com relevância na história de Vanguard, que atuou de alguma forma na campanha. No entanto, aqui eles não tem nenhuma diferença prática. Há algumas preferências por arma de cada um deles, que na realidade só significa maior velocidade de progressão com elas, mas na jogabilidade em si não há nada que justifique.

Conclusão

Call of Duty: Vanguard tem alguns pontos altos em missões da campanha e principalmente no multiplayer competitivo, mas não consegue adicionar muito à fórmula ou empolgar a ponto de ser memorável. A campanha é curtinha demais e o modo Zombies é totalmente dispensável, o que gera um pacote que não vai marcar a franquia que ultimamente vive de Modern Warfare.

Prós

  • Gráficos chamam a atenção
  • Ambientes variados na campanha
  • Destruição de cenário no multiplayer traz novas oportunidades

Contras

  • Campanha muito curta
  • Modo Zombies inacabado
  • Habilidades dos protagonistas não empolgam
  • Operadores inúteis no multiplayer

Nota: 7.0/10.0

Uma cópia do jogo para PS5 foi fornecida pela Activision para a elaboração desta análise.

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