AnálisesNotíciasr7

Análise | Casting Whispers prova que o silêncio é o pior vilão

Jogo de terror psicológico em primeira pessoa ambientado nos anos 60, que transforma o som em arma

Por Magali “meu coração não aguenta mais” Susana!

Gente… eu juro que tentei ser corajosa. Peguei meu café, acendi uma velinha e pensei: “ah, deve ser só mais um joguinho de terror psicológico, tipo Oxenfree com fantasma indie”. HA! Que ilusão. Cinco minutos depois, eu já tava com o fone torto, o gato no colo (pra me proteger, claro), e o dedo tremendo no teclado.

Sim, Casting Whispers, da Lantern Bay Entertainment, é o tipo de jogo que faz até quem já viu o capeta pixelado em Silent Hill querer dormir de luz acesa. É um terror baseado em som, ambientado nos anos 60, com uma vibe que mistura The Medium, Alan Wake e aquela fita antiga que você jurava que não devia ter rebobinado.

👂 O barulho que vem do além

A mecânica central do jogo é o tal do “Listen Mode”.

Você literalmente fecha os olhos pra ouvir melhor o que tem à sua volta. E isso, por si só, já é aterrorizante. Porque, amiga, o que você escuta não é bom.

Tem passos que se aproximam devagarzinho (tipo aquele toc-toc-toc no assoalho de madeira), tem vozes que sussurram seu nome quando você tá quieta demais, tem portas que respiram (sim, respiram), e até o som do próprio coração começa a virar um instrumento de tortura psicológica.

Eu, uma pessoa normal e covarde, me vi parando o jogo pra literalmente respirar e pensar:
“Ok. Se eu fosse a protagonista, já teria fugido do prédio, mudado de país e aberto uma padaria em outro continente.”

Mas Casting Whispers não te deixa fugir. Ele te prende no som.

🕰️ Uma história que ecoa

Você joga como Victoria, uma assistente de pesquisa que vai investigar o desaparecimento do professor dela, um estudioso de fenômenos psíquicos. Só que nada, absolutamente nada, é o que parece.

O prédio onde ela está — um laboratório abandonado de parapsicologia — parece vivo. As paredes murmuram, o elevador geme, e tem coisas no corredor que você só sente.

O clima lembra muito The Shining misturado com Control e um toque de Call of Cthulhu.

Aquele tipo de narrativa que diz: “relaxa, não tem monstro aqui”, mas você sabe que está prestes a ver uma sombra andando onde não devia.

E os anos 60 são o temperinho extra de pavor: telefones de disco que tocam sozinhos, rádios chiando palavras que você jura que reconhece, e gravações antigas de vozes tentando avisar algo.

Em resumo: é o tipo de história que te faz querer jogar abraçada num travesseiro.

🎧 O som é o vilão (e o herói)

Gente. O som. Eu nunca pensei que ficaria tão tensa com o barulho de um grampo de cabelo caindo no chão digital.

Mas Casting Whispers faz isso com você.

O design de áudio é surreal de bom. Tem reverberação, camadas, e aquele estéreo que faz parecer que algo tá passando atrás da sua cadeira (eu virei, óbvio). É o tipo de jogo que deveria vir com aviso: “use fones e reze.”

A trilha sonora é feita pra te deixar no limbo entre o medo e a curiosidade — aquela vibe Twin Peaks com uma pitadinha de Amnesia.

Cada vez que eu escutava um som novo, minha alma saía do corpo e voltava em 3 parcelas sem juros.

🧩 Puzzles e pulos de susto

Os puzzles são inteligentes, mas confusos do jeito certo.

Não é aquele tipo de “coloque a peça azul no buraco azul”, mas também não é “decore o alfabeto egípcio invertido”. É mais sobre perceber padrões sonoros e usar o instinto. Em alguns momentos, é preciso “ouvir” o ambiente pra descobrir senhas, achar passagens secretas ou até acalmar entidades.

Só que… tem um probleminha: o jogo adora brincar com o jogador. Às vezes você resolve o puzzle e — BANG! — um som de porta batendo explode nos seus fones. E eu? Eu gritei. Baixinho, mas gritei.

Tem também momentos em que o jogo parece estar te observando, respondendo ao que você faz.

Não sei explicar direito, mas teve uma hora que eu fechei o modo de escuta e ouvi uma risada.

De trás.
Do fone esquerdo.
…não joguei mais aquele dia.

💡 Um terror “vintage” com alma

Visualmente, o jogo é um charme assustador. Tem aquele filtro de filme antigo, com tons azulados, iluminação fraca e poeira dançando no ar. Os ambientes parecem reais, cheios de história.

Lembra um pouco a estética de Layers of Fear ou The Medium, só que com um toque mais retrô — tipo cenário de filme noir misturado com pesadelo de cientista maluco.

E os detalhes! As máquinas, os papéis velhos, as fotos tremidas… tudo conta uma história. A Lantern Bay claramente ama o período em que o jogo se passa — dá pra sentir o cuidado em cada detalhe.

💭 Impressões da comunidade

Lendo os reviews da Steam (porque, né, eu não estava sozinha nesse trauma coletivo), encontrei pérolas como:

“Jogo maravilhoso, mas meu coração ainda não perdoou.”
“Achei que seria um indie calmo. Tô em terapia.”
“A mecânica de som é genial. Pena que agora tenho medo de fones.”

Outros elogiaram o ritmo mais lento e o enredo introspectivo. Alguns reclamaram de bugs e travadinhas, mas ninguém negou que a ambientação sonora é de arrepiar até quem dorme com playlist de chuva no YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=9W0V3teUWIs

Prós:

  • Som espetacular, uma aula de design auditivo
  • Atmosfera tensa e cinematográfica
  • História envolvente e cheia de camadas
  • Mecânica de escuta é genial e única

Contras:

  • Alguns puzzles confusos e frustrantes
  • Bugs ocasionais que quebram a imersão
  • Não indicado pra quem tem coração fraco (tipo eu)
  • O pós-jogo exige terapia e camomila

Nota Final: 7/10

Casting Whispers é aquele terror que não precisa gritar pra te assustar — ele só cochicha. E isso é bem pior. É o tipo de jogo que você joga de fone, no escuro, e passa o resto da noite olhando pra cortina se mexendo. Mas, paradoxalmente, é lindo. É artístico. É uma carta de amor aos jogos de terror “inteligentes” — os que não querem te dar susto barato, e sim te fazer duvidar de tudo. Eu, sinceramente? Amei. Sofri. E jogaria de novo (mas só com o gato do lado). É assustador, criativo e bem feito. Só não é perfeito porque, honestamente, meu coração merecia um modo “sem susto”.

Magali "Pixel" Susana

Magali "Pixel" Susana é pseudônimo (para evitar gente chata me procurando nas redes)! Gamer das antigas, da época que checkpoint era coisa de filme de ficção científica. Com um coração pixelado e uma paixão que atravessa gerações, ela escreve para quem ama videogames com alma. Se você é da era dos disquetes, vai lembrar de mim... ou sentir que sempre me conheceu.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, desabilite o Adblock para continuar acessando o site!