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A Toys for Bob vem se tornando um dos principais estúdios dentro da Activision, que por sua vez também vem tendo um ótimo ano, como você viu no nosso review do Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2. Em um novo desafio de muita responsa, eles ficaram responsáveis por um continuação direta da trilogia Crash Bandicoot. Nada de remaster, ou remake, mas sim um jogo totalmente novo, com tudo que isso implica.

Mesmo com o ótimo remake da trilogia original, criar um novo jogo é outro desafio e todos nós estávamos curiosos para saber como seria a qualidade do produto final. Com um modelo novo para um dos mascotes mais queridos no mundo dos games, mais de 40 fases inéditas para a franquia, a possibilidade de jogar com vilões clássicos e muito, mas muito conteúdo, a Toys for Bob, a partir de agora, é definitivamente a dona de Crash Bandicoot.

Respeito ao legado

Se por conta das mudanças nos modelos dos personagens você imaginou que Crash Bandicoot 4 seria muito diferente das origens, trata-se de um jogo fiel, ao menos em estrutura e jogabilidade, cujas essências foram mantidas. Isso não significa que a Toys for Bob não buscou novidades, incluindo a história com linhas do tempo que mexeu um pouco com as origens do personagem, mas em nenhum momento você se sente jogando algo que não é de fato um Crash Bandicoot.

Ao contrário de boa parte dos outros jogos de plataforma, Crash mantém a sua estrutura de fases mais lineares, com trocas ocasionais de câmera para gerar momentos marcantes – mesmo que às vezes isso deixe a percepção de profundidade comprometida. A dinâmica continua a mesma: correr quase sempre em linha reta esmagando inimigos e saltando em plataformas cada vez mais difíceis de serem alcançadas. No meio do caminho, como era se esperar, há dezenas ou centenas de caixas com frutas para coletar.

Também como nos originais, o desafio é enorme. Ao longo das mais de 40 fases da campanha, em nenhuma delas, nem mesmo nas primeiras, você sente que o jogo pega na sua mão. O tempo para saltar precisa ser quase perfeito e uma vez ou outra é necessário utilizar caixas ou as novas máscaras – sobre as quais falarei mais adiante – que garantem habilidades para não parar no fundo de uma vala.

Em alguns níveis há também as clássicas perseguições, onde um inimigo, geralmente gigante, avança para cima do personagem e a única saída é correr evitando todos os obstáculos para não ser devorado. Há também áreas bônus dentro da própria fase. Tudo que sempre foi característica do Crash está presente, ou seja, se isso é o que você gosta em um jogo de plataforma, vai ficar feliz.

Agora falemos das novas máscaras, que são a grande novidade da jogabilidade. Em determinados mundos elas serão sua salvação para passar de obstáculos que precisam de superpoderes. Diminuir a velocidade do tempo, alterar a gravidade e até modificar objetos vão ser rotina. A dificuldade aparece nos momentos onde é preciso utilizar várias delas em sequência.

Variação na jogabilidade

Com oito mundos para serem batidos, Crash Bandicoot 4 conta com vários cenários totalmente diferentes uns dos outros. Em cada um desses locais há variações na jogabilidade que sempre renovam a experiência, sem fazer a progressão ficar maçante.

Um dos momentos mais divertidos é quando Crash precisa de deslizar por corrimãos enormes que cortam boa parte da fase. Alternar entre ir deslizando por cima ou segurando por baixo, evitando assim os obstáculos, é sempre garantia de adrenalina.

Em um dos mundos você vai encontrar gelo, que faz as corridas do Crash ficarem imprecisas e pular pelas plataformas mais difícil. Em outro há uma paisagem pré-histórica, com inimigos novos e lava que te derrete assim que você a toca. Além dessas constantes mudanças, as formas como as máscaras são utilizadas durante as fases torna cada investida única e diferente da anterior.

Muito conteúdo!!

Crash Bandicoot 4 vai muito além de vencer a campanha. Se você quiser realmente completar tudo que o jogo fornece, vai precisar de centenas de horas de dedicação. Por conta de tudo que é oferecido e da dificuldade, o jogo, até o momento em que essa análise estava sendo escrita, ainda marcava 0% no percentual de pessoas que conseguiram platiná-lo.

Além das mais de 40 fases da campanha, há 21 fases de flashback, que contam com desafio duríssimos para treinar os pulos dos seus personagens. Há diversas fases da linha do tempo de outros personagens, inclusive vilões clássicos como Neo Cortex. Todas as fases da campanha ainda contam com o modo Nvert, que espelha a fase e muda os seus obstáculos. Cada fase conta com um modo de corrida contra o tempo que vai deixar os jogadores veteranos loucos. Ao somar tudo isso, são mais de 100 níveis para concluir!

Além de tudo isso, ainda há a novidade de customizar tanto o Crash quanto a Coco, que pode ser utilizada a qualquer momento. Para conseguir as novas aparências para os marsupiais, é preciso completar as cinco gemas da fase, o que também adiciona um fator replay enorme e traz mais valor para o conteúdo.

Essa quantidade de coisas para fazer e desbloqueáveis para liberar apenas jogando, sem a presença de microtransações, é algo raro nos dias de hoje e mais um bom motivo para gastar o seu suado dinheiro com esse jogo.

Conclusão

Crash Bandicoot 4: It’s About Time respeita o legado da franquia e adiciona novidades divertidas para fazer essa continuação digna do nome pesado que carrega. A diversidade dos mundos, o conteúdo extenso e o desafio vão manter os veteranos e novatos presos nesse universo por dezenas ou até mesmo centenas de horas.

Prós

  • Máscaras garantem habilidades interessantes
  • Desafiador, mas justo
  • Customização do Crash
  • Boa localização em português

Contras

  • Alguns problemas com a câmera
  • Taxa de quadros por segundo (fps) inconstante se você não for jogar no PS4 Pro ou Xbox One X

Nota: 8.5

Uma cópia do jogo para PS4 foi fornecida pela Activision para elaboração desta análise