AnálisesGamesr7

Análise | CrossfireX é um jogo sem alma e ultrapassado para os padrões atuais

Em 2011, foi lançado no Brasil um novo FPS gratuito para PCs chamado CrossFire. O jogo era leve, acessível e rapidamente conseguiu criar uma base de jogadores imensa por todo o país. Tinha mecânicas básicas, mas cumpria o seu papel principal: Divertir o jogador. 

Estamos em 2022, e sua sequência chegou de forma exclusiva para os consoles Xbox. O anúncio foi feito prometendo uma experiência semelhante a do clássico multiplayer e pegou a todos de surpresa com uma campanha single player criada pela Remedy, estúdio famoso por Max Payne, Alan Wake e Control. 

A expectativa então era a de um jogo mais polido, com novos mapas e jogabilidade atualizada, mas o que recebemos é um produto medíocre, com uma campanha chula e um multiplayer recheado de problemas tanto nas mecânicas quanto de performance. 

Campanha curta e sem inovações

A campanha por si só não é de todo ruim. Na sua primeira parte comandamos um esquadrão de agentes especiais da Global Risk, o time dos “mocinhos”. O grupo de militares recebe a missão de se infiltrar no país fictício de Azkharzia e eliminar o líder da organização inimiga, Black List, porém a missão acaba dando errado. Assim, os agentes se encontram presos em um país estrangeiro, sem suporte e com inimigos por todos os lados.

O que inicia como um simples jogo de tiro moderno, acaba evoluindo para uma narrativa sobrenatural que é bem a cara da Remedy. Porém, o jogo é tão curto que assim que chegamos na parte mais interessante, ele acaba. Seus personagens são pouco desenvolvidos, as motivações são básicas e o talento da Remedy é totalmente desperdiçado.

A jogabilidade é bem “sem sal”. Você praticamente vai passar o tempo inteiro andando pra frente e atirando em inimigos que ficam parados no mesmo lugar. Existe aqui um sistema bem parecido com o “bullet time” de Max Payne, que deixa o tempo mais devagar e dá a oportunidade para o jogador ter mais precisão em seus disparos. Infelizmente, esse sistema é quase inútil visto que o jogo é muito simples e fácil por toda sua campanha de 3 horas e meia. 

De vez em quando, o jogo te coloca na posição de um Sniper (atirador de elite) para dar suporte aos colegas de equipe, ou te deixa pilotar um tanque estacionário para eliminar hordas de inimigos. Esses pequenos momentos não são o suficiente para quebrar o combate linear de andar e atirar, mas conseguem dar um fôlego antes que o jogador fique totalmente entediado.

Um ponto positivo é que a campanha tem gráficos que chamam a atenção. Diferentemente do modo multiplayer, ela foi totalmente desenvolvida usando o motor gráfico Northlight, da Remedy. Espere por gráficos de ponta, belos modelos de armas, cenários, personagens e uma iluminação sensacional. 

No geral a campanha não inova, mas consegue trazer uma experiência mediana para quem quiser experimentar uma historinha digna da sessão da tarde. Não que isso seja ruim, mas também não deixa de ser frustrante imaginar que conseguiram desperdiçar o potencial de um dos melhores estúdios da atualidade.

Multiplayer sem alma e quebrado

O foco principal do CrossfireX não é sua campanha, e sim seu modo multiplayer. A primeira impressão ao entrar no menu é de um jogo lotado de conteúdo, mas a realidade é que temos aqui um produto inacabado sendo separado entre dois estilos: Clássico e Moderno.

O estilo clássico entrega ao jogador exatamente o mesmo tipo de jogabilidade de 10 anos atrás. São quatro modos de jogo, cada um com um mapa remasterizado e funciona como no jogo original. Não existe corrida, deslizar pelo chão, ou até mesmo aproximar a mira de sua arma. Como o jogo é – de forma inexplicável – exclusivo dos consoles Xbox, este modo sofre com problemas sérios ao jogar com o controle, uma vez que foi feito no passado pensando-se no uso de mouse e teclado.

É quase impossível mirar direito por causa da sensibilidade do controle. A impressão ao movimentar o personagem é que estou patinando no gelo, totalmente bêbado e sem senso de direção. A assistência de mira está quebrada e a performance piora tudo. Mesmo jogando em um Series S, é perceptível a queda na taxa de quadros em mapas que são relativamente simples em detalhes. Também há inúmeros crashes – o meu jogo fechou sozinho em pelo menos três partidas diferentes em um curto período de tempo.

Este estilo clássico simplesmente não combina com um controle. Quando ele foi planejado 10 anos atrás para o CrossFire original, os desenvolvedores tinham em mente pessoas utilizando mouse e teclado para a melhor experiência possível. Aqui, ao contrário da maioria dos FPS mais modernos, não existe suporte para periféricos extras. Você é obrigado a jogar em um controle, com configurações quebradas e que não alteram seu funcionamento em praticamente nada ao mexer no menu de opções.

O estilo moderno é um pouco melhor que o clássico. Sua jogabilidade é um mais parecida com o que já conhecemos em outras franquias, como Call of Duty ou Battlefield. Nesse estilo, encontram-se disponíveis somente dois modo de jogo: Procurar/Destruir e Dominação.  Ambos foram lançados com só um mapa em cada, o que me fez ficar extremamente entediado depois de apenas cinco partidas.

As batalhas são em espaços mais abertos, com um número maior de jogadores e com uma jogabilidade frenética. Podemos mirar, correr e deslizar livremente, o que combina muito mais com o controle. Além disso, você pode comprar novas armas com dinheiro ganho nas partidas, e instalar equipamentos e melhorias no menu. Infelizmente, os pontos positivos acabam por aí. 

É com esse estilo moderno que o jogo começa a demonstrar que não faz a mínima ideia do que está tentando ser. São várias ideias misturadas em um só lugar, e o que temos no final de tudo é uma bagunça quebrada e estressante. 

Uma das ideias é o sistema de XP, baseado levemente nos streaks de Call of Duty. Ao completar os objetivos ou fazer eliminações, há um acúmulo de XP que pode ser trocado por três habilidades diferentes durante a partida. A primeira é um sensor de inimigos, que mostra a localização deles no mapa. A segunda é uma roupa que deixa o personagem temporariamente invisível, e a terceira – e a mais problemática de todas – é uma roupa especial que te deixa correr mais rápido, atirar com duas armas e com mais de 600 de vida. 

Essa terceira habilidade não seria tão problemática se não fosse pelo simples fato dela ser fácil de conseguir e totalmente ilimitada para se usar. Em menos de 5 minutos de partida, é possível se ver contra um time inteiro usando essa roupa especial. É comum ficar preso na hora de renascer e isso quebra o jogo para todo mundo. Como o tempo para matar aqui é rápido, a pessoa que conseguir essa habilidade primeiro vai acabar dominando totalmente o time inimigo em uma questão de segundos. 

Além do sistema de XP quebrado, o jogo também conta com uma roda de Perks no início de cada partida. Você pode distribuir seus pontos e comprar até 3 perks que duram pelo resto do round. Mas, depois de horas mexendo nessa roda, eu não consegui notar uma diferença significativa em meu personagem. É só mais um sistema quebrado nessa salada de CrossFireX, onde ele tenta fazer de tudo mas não consegue se destacar em nada.

Como todo jogo moderno, existe um Battle Pass bem extenso aqui. Além disso, há também tem um marketplace com skins exclusivas para serem compradas com o dinheiro real. Infelizmente para a Smilegate, não consigo me ver jogando no mesmo mapa por horas e horas, só para subir o nível e conseguir recompensas únicas que, francamente, não me chamaram atenção.

Conclusão

CrossFireX é um jogo inacabado, sem identidade própria e totalmente quebrado no estado atual. Com um lançamento exclusivo de console totalmente sem sentido e tantos problemas nos controles, não vale a pena gastar tempo ou dinheiro nele havendo tantas opções melhores por aí. Mesmo se você for um assinante do Xbox Game Pass, só é recomendado experimentar a primeira parte da campanha em uma tarde monótona e passar longe do multiplayer da forma como se encontra hoje. 

Prós

  • Belos gráficos no modo Campanha

Contras

  • Campanha extremamente curta
  • Multiplayer quebrado com bugs e problemas no balanceamento 
  • Só dois mapas no modo Multiplayer Moderno
  • Modo clássico é quase injogável no controle 
  • Gráficos ultrapassados no multiplayer

Nota: 3.0/10.0

Artigos relacionados