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Tive a oportunidade de jogar antecipadamente Dark Souls 3, o mais novo título da aclamada franquia da From Software. Depois de zerar o jogo e avaliar os aspectos presentes nele, sinto-me confortável para finalmente dizer o que achei de toda a experiência. Tenha calma, pois como sempre procuro fazer em minhas análises, abordarei os pontos que considero principais, sem dar spoilers comprometedores.

A série Souls é famosa por desafiar os limites do jogador com uma dificuldade insana, chefes que farão você querer arremessar o controle na parede, além de cenários que recompensam todos aqueles que gostam de explorar cada canto, e que podem revelar não apenas segredos na forma de novos itens para você utilizar, mas também informações que complementam a história.

Com Dark Souls 3 não fugimos muito disso, havendo apenas uma pequena, porém fundamental diferença. Ao contrário dos jogos anteriores, que já começavam bem difíceis, eu não senti muita dificuldade nas primeiras 8 a 10 horas. Talvez isso se deva ao fato de que eu já estou habituado com a jogabilidade da série, e muito provavelmente se você também está, terá a mesma opinião. Contudo, a partir de um certo momento, tudo muda. É uma alteração tão drástica que você, ao mesmo tempo que ficará nervoso por finalmente ter voltado a morrer incontáveis vezes, se sentirá também feliz e aliviado pois o jogo, enfim, mostrou sua verdadeira identidade.

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Eu achei isso algo genial, pois passa ao jogador uma falsa sensação de segurança. A mudança não ocorre apenas nos inimigos, mas também na complexidade dos cenários, e no desafio oferecido pelos chefes, alguns os quais farão você morrer e xingar bastante, e berrar de alegria quando finalmente os derrotarem.

Há um total de 10 classes para você escolher, sendo que duas delas são novas – o Assassino e o Arauto. O primeiro é basicamente uma mistura de Ladrão com Feiticeiro, só que utilizando uma espada perfurante no lugar de uma adaga, além de começar também com um cajado e um feitiço que abafa seus sons e evita o dano por quedas. O outro personagem é uma classe mais defensiva, que possui uma lança para atacar seus inimigos à distância e um talismã para utilizar um milagre que cura seus pontos de vida.

Quem preferir algo mais balanceado, o ideal é começar com o Cavaleiro ou Mercenário. Quem quiser de cara um personagem focado na força bruta, vá de Guerreiro. Se preferir destreza, o Ladrão é sua classe inicial. Se gosta de magias, suas escolhas são Feiticeiro, Piromante e Clérigo, restando você escolher que tipos de magia vai querer usar inicialmente – feitiços, piromancias ou milagres. Quem quiser um personagem sem definição alguma, para moldá-lo do zero, o Despojado foi feito para você.

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A jogabilidade de Dark Souls 3 mostra claramente que a From Software tentou mesclar elementos dos seus jogos anteriores, incluindo até mesmo Demon’s SoulsBloodborne, além de adicionar recursos novos. Por exemplo, mesmo se você utilizar um personagem com armadura robusta, notará que sua movimentação parece estar mais rápida do que costumava ser. Lembra um pouco Bloodborne isso, já que agilidade nos movimentos é uma de suas principais características. Sair vivo, quase a beira da morte, de um encontro com diversos inimigos, que também estão mais ágeis para compensar a movimentação melhorada, utilizando uma espada e escudo, um enorme machado de duas mãos, ou apenas feitiços, continua incrivelmente satisfatório.

O contador de uso para magias desapareceu, dando lugar a uma barra azul de foco (ou barra de mana). Algo que foi resgatado de Demon’s Souls. Você pode utilizar suas magias o quanto quiser, desde que mantenha esta barra sempre preenchida. Para isso, existe também um frasco de Estus que serve justamente para restituir os pontos de foco perdidos. Cabe a você, inclusive, dividir a quantidade de Estus entre os usos para regenerar a vida e o “mana”. Outra adição em relação ao Estus é que de vez em quando, ao matar um inimigo, você regenera alguns usos dele. Parece ser algo aleatório, pois não consegui determinar se existe um requisito específico para que isto ocorra.

Ao invés de Humanidade como tínhamos antes, temos o Braseiro. Este novo item, quando usado, regenera toda a vida do personagem e ainda aumenta ela em 40%. Não apenas isso, mas ela deixa a armadura com um efeito de faíscas chamuscantes saindo dela, dando um toque a mais no visual do personagem. Você pode usar o Braseiro apenas depois de morrer e perder os benefícios obtidos com o uso anterior. Recomendo que você faça isso apenas depois de algum tempo após renascer, para que o ganho total de vida ao usar o Braseiro seja mais abrangente, além do fato que isso irá te economizar alguns usos de Estus.

hitbox, termo usado pela comunidade para mostrar se os golpes dos inimigos estão atingindo (ou não) os jogadores de forma realista, está funcionando perfeitamente, da mesma forma como no primeiro Dark Souls. Um verdadeiro alívio, e uma das principais preocupações daqueles que já conhecem bem a série.

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Já falei da mudança em relação ao Estus, mas, o que mais há de novo na jogabilidade? A principal novidade é, com certeza, a Weapon Art. Trata-se de uma habilidade específica que cada arma em Dark Souls 3 possui. Você deve equipar a arma com as duas mãos para ativá-la apertando L2/LB. Alguns escudos, no entanto, permitem que você faça isso com a arma equipada apenas na mão direita mesmo.

A variação das Arts é tão grande que até aquelas armas que você nunca pensaria em usar, podem acabar recebendo uma chance de você justamente por causa do seu ataque especial. Com uma adaga você pode esquivar para os lados, para frente e para trás. Com uma espada longa você ganha uma postura de ataque que permite a você quebrar a defesa do inimigo. Utilizando um machado de mão você dá um grito de guerra que aumenta seu poder de ataque. A maça (ou mace) lhe dá perseverança, que sobe seu equilíbrio (poise em inglês) e reduz o dano que você recebe. O cajado faz com que o dano dos feitiços aumente por um curto espaço de tempo. As armas únicas, obtidas com as almas dos chefes ou enfrentando inimigos especiais, tem também Arts exclusivas. Isso acrescentou mais opções na jogabilidade.

Há, claro, um lugar onde você irá poder subir seu nível com as almas coletadas, comprar vários tipos de itens, efetuar melhorias em suas armas, viajar para os diversos locais do jogo usando a fogueira, além de transformar as almas que você obtém dos chefes em poderosos equipamentos. Você pode até visto já este local em algum dos vários vídeos que já foram divulgados a respeito do jogo, mas por via das dúvidas não mencionarei o nome para não estragar a surpresa, caso você tenha jogado os Dark Souls anteriores e ainda não tenha visto muita coisa de Dark Souls 3 para se blindar de spoilers.

Os pactos (ou covenants, em inglês) estão de volta. Ao contrário do que acontecia nos Souls anteriores, você não precisa se dirigir sempre para um local específico para mudar de pacto. Cada um deles tem um item especial que você pode equipar para mudar o pacto no qual você está, a hora que você quiser. Você ganha esse objeto de duas formas – encontrando ele escondido em algum lugar do mundo do jogo, ou então achando o altar ou personagem que representa o pacto, que precisarão ser visitados quando você quiser fazer oferendas para aumentar seu rank com ele e, desta forma, ganhar recompensas.

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Ao contrário de Dark Souls 2, que tem chefes pouco criativos, as lutas com os chefes de Dark Souls 3 são memoráveis. Na verdade, algumas são tão variadas e difíceis que considero estarem entre as melhores de toda a franquia. São encontros realizados em verdadeiras arenas, contempladas por um design estonteante, que fazem jus à boa qualidade da série e mostram a diferença que faz ter Miyazaki na direção do jogo. Se você está preocupado com a trilha sonora, pode esfriar a cabeça, pois ela também está incrível. Cada batalha com chefe é elevada pela música que toca enquanto você luta para sobreviver.

Os cenários lembram muito aqueles do Dark Souls original, cheio de conexões entre um local e outro, além de implorarem para serem explorados. Em nenhum momento eu tive aquela sensação maçante que por muitas vezes senti em Dark Souls 2, muito pelo contrário. Existem também lugares com paisagens estonteantes, que farão você parar um pouco de jogar para admirar o que está vendo.

Falemos um pouco da história, ou Lore, como a comunidade costuma chamar. É impressionante a quantidade de referências que Dark Souls 3 faz aos jogos anteriores. Não apenas na descrição dos itens ou em certos personagens, mas também no que você encontra no design de alguns cenários e até mesmo chefes. Eu poderia escrever dezenas de linhas aqui apenas falando disso, mas seria impossível sem dar spoilers, pois uma das coisas mais legais dessa série é justamente a profundidade na história que ela conta ao jogador de forma indireta. São tantas conexões entre uma coisa e outra que leva um certo tempo até aparecer alguém que consiga encaixar todas as peças no lugar.

O status “vazio”, ou hollow como é chamado em inglês, está bastante diferente em Dark Souls 3. Você não fica instantaneamente vazio ao morrer, mas não se engane, o status está presente no jogo, mas não da forma que estávamos habituados. O que posso dizer a respeito, sem “spoilar”, é que trata-se de algo opcional, que você precisa descobrir como faz para ativar e, depois disso, ver as consequências por fazê-lo, que também são bastante distintas em relação aos outros jogos da série.

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Graficamente Dark Souls 3 possui visual bastante semelhante ao de Bloodborne, pois utilizam o mesmo motor gráfico. São ótimos gráficos, com boas texturas, iluminação, que são complementados pela belíssima arte dos cenários. Trata-se do Souls mais bonito até hoje.

No entanto, na versão PC, a qual joguei para fazer esta análise, por vários momentos ficou com a taxa de quadros por segundo (fps) instável, caindo bruscamente sem explicação aparente. Imagine você estar em uma área, jogando a 60 fps, descer uma escada para um local novo e, de repente, a taxa de quadros cai subitamente para 30-40 e fica estacionada lá até você sair deste lugar. E o computador que utilizei para jogar não é nada modesto. Um Core i5 4670, com 16GB de RAM e uma GTX 970. Diminuir a qualidade gráfica até mesmo para a pior possível não melhorou muito a performance, nem mesmo fechando e reabrindo o jogo, ou seja, existe um problema de otimização que precisa ser olhado de perto e com muito carinho pela From Software depois que Dark Souls 3 for lançado. Apesar disso, se você quiser jogar a 30fps como ocorre nos consoles, provavelmente não terá problemas.

Atualização: Eu nunca faço isso, mas devo abrir uma exceção desta vez visto que houve uma mudança radical no jogo antes do lançamento. Foi lançado o patch 1.03 para Dark Souls 3 e, devo dizer, ele consertou quase que completamente os problemas de performance. As áreas que antes ficavam a 30-40 fps estão a 55-60 fps agora. Devido a isso, removi o único ponto contra grave que o jogo tinha na minha opinião e também alterei a nota.

Outro fator que pode desagradar alguns jogadores é que Dark Souls 3 é o mais curto da série. Levei 28h para terminá-lo, incluindo também as áreas e chefes opcionais. Eu não considero essa duração menor um contra por três razões. A primeira é que o conteúdo visto nessas horas é de alta qualidade, tão bom quanto aquilo que vi no primeiro Dark Souls Bloodborne, a segunda é que 28h ainda é bem mais tempo do que dura o single player da grande maioria dos jogos atuais, e a terceira é que muito provavelmente não achei todos itens escondidos, e fuçando mais para fazer isso irá aumentar a duração do jogo.. E sejamos francos, quem gostar muito mesmo do jogo vai zerá-lo novamente, pois existe o New Game Plus, com novos itens, inimigos mais poderosos e outras surpresas adicionais.

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Na parte online, você continua podendo deixar mensagens para outros jogadores, permitir que te invoquem para ajudá-los a enfrentar algum chefe, chamar eles para o seu jogo com o mesmo propósito, ou invadir o jogo deles como um inimigo, visando matá-los para obter suas almas. Infelizmente, creio eu devido a Dark Souls 3 ainda não ter sido lançado no ocidente e haverem pouquíssimas pessoas jogando por causa disso, em todas as vezes que tentei jogar co-op ou PvP, não consegui. Se no lançamento, após testar isso, eu acreditar que exista algo que mereça ser dito aqui, pode ficar sossegado que assim o farei.

A IA dos inimigos ainda é impiedosa e astuta, sempre tendo a iniciativa do ataque quando, por exemplo, você abre uma brecha na hora de beber o Estus. Muitos dos inimigos esperam pacientemente até que isso ocorra. Há também aqueles mais fortes ou mais ágeis que partem para cima sem dó, visando te matar rapidamente, e farão isso se você não desviar e contra-atacar a tempo. Os invasores controlados pelo jogo também estão de volta, e são tão inteligentes que te fazem pensar que está enfrentando uma pessoa de verdade.