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Doom Eternal enfim chegou e mal podia conter a ansiedade em jogá-lo. Afinal de contas, acompanho a franquia desde seu nascimento e sou grande admirador de seus criadores, em especial os lendários John Carmack e John Romero.

Embora eles não estejam mais na id Software, o reboot do jogo original lançado em 2016 mostrou claramente que os atuais responsáveis pelo estúdio são pessoas verdadeiramente dedicadas e apaixonadas por Doom, com o game de quatro anos atrás sendo inquestionavelmente um dos melhores jogos de tiro já feitos.

Para alegria de todos os fãs deste gênero, Doom Eternal não deixa a peteca cair e também terá lugar garantido no panteão dos imortais shooters em primeira pessoa, graças as diversas melhorias que recebeu em relação ao antecessor.

O jogo começa um pouco devagar, para que você volte a se acostumar com a jogabilidade, que está mais frenética do que nunca. A pistola, presente no título anterior, foi deixada de lado, fazendo com que a espingarda se torne a primeira arma com a qual você tem contato, e serve como alerta para aquilo que está por vir.

A lentidão dura pouco tempo, com você sendo jogado no meio de confrontos alucinantes com diversos inimigos simultâneos querendo acabar com a sua raça. Ser rápido e certeiro é fundamental para sobreviver, e felizmente Doom Eternal consegue permitir que você seja ambos e com excelência.

Os combates ficam cada vez mais insanos a medida que novas armas vão sendo adicionadas ao seu arsenal. Usá-las bem é essencial na hora de enfrentar inimigos mais poderosos, já que a munição no início da jornada é bem escassa, sendo necessário o uso constante da motosserra em adversários mais fracos para repor suas balas e poder continuar atirando.

Essa limitação na quantidade de munição que o Doom Slayer consegue carregar pode incomodar alguns jogadores, mas felizmente existem melhorias que permitem aumentar essa capacidade. Não apenas isso, claro, como você pode também subir sua vida e armadura máxima, e conseguir benefícios passivos que deixam o personagem muito mais forte e preparado para encarar os muitos desafios impostos pelo jogo, muito maiores do que os vistos no jogo anterior.

Não se iluda, no entanto. Mesmo com tudo isso, é essencial usar as armas certas para cada tipo de inimigo. O cacodemon, por exemplo, é facilmente neutralizado se você fizer ele engolir um projétil explosivo. Escudos de energia podem ser sobrecarregados com os disparos da arma de plasma. Isso só para citar alguns exemplos. Dá até mesmo para realizar combos com as armas, alternando rapidamente entre elas, quando estiver enfrentando demônios excepcionalmente fortes.

Continuando a falar mais dos armamentos que você tem a seu dispor, cada um deles possui melhorias que mudam completamente a maneira como podem ser utilizados. A espingarda pode se transformar num lança-granadas, a metralhadora em um rifle sniper ou até mesmo num mini lançador de foguetes, e por aí vai. Há também um canhão que fica no seu ombro esquerdo, recebido algum tempo depois que o jogo começa e é bem útil nas horas de aperto.

A arma com a melhoria mais legal, no entanto, é a espingarda de cano duplo, que recebeu um gancho o qual permite a você chegar rapidamente em um determinado inimigo e encher ele de chumbo. E sim, continua sendo uma arma extremamente forte e deliciosa de ser utilizada.

Outro aspecto que engrandece muito Doom Eternal se comparado com o antecessor foi o design das fases. Os níveis são enormes, repletos de verticalidade, e são tão bem construídos que você fica tentado a explorar cada canto em busca dos segredos. Ao chegar na parte final da fase, o jogo libera um recurso de viagem rápida, para que você volte a explorar os muitos setores dela (com ajuda do mapa) e vá atrás de alguma coisa que tenha deixado para trás. Entre as mecânicas que ajudam você na exploração e navegação, estão a possibilidade de se agarrar em certas paredes e dar impulsos no ar para frente, além do pulo duplo.

Todos esses aspectos da jogabilidade funcionam de forma tão orgânica e bem em conjunto, que muitos de vocês nem verão as horas passarem enquanto desbravam os diversos desafios impostos por Doom Eternal, tanto os obrigatórios que são necessários para que você avance na campanha, quanto os opcionais, incluindo os Portões do Slayer, que fornecem batalhas muito mais difíceis do que as encontradas no jogo principal, e os desafios de tempo, onde você precisa matar os demônios que surgem, antes do cronômetro zerar.

Graficamente Doom Eternal é um espetáculo visual, mostrando o poder e versatilidade da novíssima id Tech 7, motor gráfico que dá vida ao game. É possível aproveitar o game de forma satisfatória seja nos consoles ou no PC, com os computadores, claro, tendo uma larga vantagem em relação ao PlayStation 4 e Xbox One, já que neles, se você tiver uma boa máquina, conseguirá facilmente atingir 60 fps cravados com os visuais no máximo.

No meu caso, joguei utilizando um PC com processador i7 4790K, 2x8GB, GeForce RTX 2070S, com o jogo instalado em um SSD tradicional. Pude aproveitar tranquilamente o game em 4K e 60 fps, havendo pouquíssimos momentos de queda de performance, facilmente relevados com a utilização da resolução dinâmica.

A trilha sonora também é um show à parte, dando o toque certo a cada um dos frenéticos combates que o jogo proporciona. Já o multiplayer, chamado aqui de Battlemode, onde um jogador na pele de um Slayer precisa enfrentar outros dois que controlam demônios, perde a graça depois de pouco tempo. Isso tanto é verdade que foi bem difícil de achar partidas para poder jogar e testar esse modo. Acredito que teria sido melhor uma espécia de modo Horda, com várias ondas de demônios vindo para cima do jogador.

CONCLUSÃO

Com jogabilidade e design de níveis impecáveis, Doom Eternal se firma como um dos melhores jogos de tiro em primeira pessoa de todos os tempos. Consegue aprimorar cada elemento presente no antecessor e ainda por cima oferecer um desafio recompensador para todos aqueles que estão cansados da moleza de outros jogos deste gênero. Não pense duas vezes: se você curte shooters, é uma adição obrigatória à sua coleção.

PRÓS

  • Gráficos excelentes (e leves!)
  • Uma das mais competentes jogabilidades já feitas num shooter
  • Trilha sonora que dita o ritmo das batalhas
  • Difícil e ao mesmo tempo recompensador
  • Design de níveis de outro mundo

CONTRAS

  • Multiplayer poderia ser melhor
  • Pouca munição nas armas pode irritar alguns jogadores no começo

NOTA – 9.5

Uma cópia do jogo para PC (Steam) foi fornecida pela Bethesda para elaboração desta análise