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Embora tenha uma certa idade, Dragon Ball Z continua alavancando sucesso e atraindo novos fãs a cada dia e muito disso se deve não apenas ao desenho animado na TV, que ganhou recentemente o novo capítulo Dragon Ball Super, ou os mangás, mas também por causa dos jogos de videogame que levam o nome da marca.

Ao revelar “Dragon Ball Z: Kakarot”, a Bandai Namco tinha a missão de repetir o sucesso alcançado por “Dragon Ball FighterZ”, que é atualmente um dos jogos de luta mais populares entre os jogadores e que continua recebendo novos conteúdos.

“Kakarot”, no entanto, não foca em apenas colocar os personagens uns contra os outros, mas sim em contar toda a saga de Goku em Dragon Ball Z, começando com os Saiyajins Raditz, Nappa e Vegeta, continuando com Freeza, depois os Androides 17, 18 e Cell, e sendo concluída com Majin Boo. O melhor de tudo, sem os fillers chatos presentes no desenho.

O jogo começa um pouco devagar, com você sendo introduzido gradativamente às muitas mecânicas da jogabilidade, mas depois das primeiras horas fica quase impossível parar de jogar. Estamos diante da melhor e mais completa retratação do mundo de Dragon Ball já produzida em um jogo, sendo possível visitar diversos lugares mostrados no desenho, como a Corporação Cápsula, o planeta do Senhor Kaiô e a casa do Mestre Kame, só para citar alguns, com todos estes locais sendo extremamente bem detalhados.

A história é contada por sagas, uma atrás da outra, em um formato de episódios, com direito até mesmo ao narrador comentando sobre o que está acontecendo e Goku, ao final de cada uma, dizendo o que irá acontecer nos “próximos capítulos”. Um toque bem legal para deixar o jogador com aquela sensação de que está assistindo ao próprio desenho ao invés de jogando o game.

Cada região do mundo é dividida em zonas que possuem pequenos mundos abertos que podem ser rapidamente explorados já que todos os personagens voam. Há orbes que podem ser coletados para adquirir novas habilidades, e recursos variados como frutas, carne de animais, peixes, entre outros, que servem para que você prepare pratos com cozinheiros nas cidades e vilarejos, ou então com Chichi, esposa de Goku, se quiser uma refeição mais incrementada. Todos os pratos concedem algum tipo de benefício nas batalhas.

Falando delas, “Dragon Ball Z: Kakarot” é um RPG e como tal, os inimigos ficam espalhados pelo mapa. Você pode ver o nível apertando o botão de pressentir o Ki (L1/LB), que mostra não apenas isso, mas também se ele é mais fraco ou mais forte do que você por meio da cor da aura que ele emana.

As lutas têm jogabilidade similar à vista em jogos da série como “Budokai Tenkaichi”, só que um pouco mais técnicas, ao menos até você liberar as habilidades mais fortes. O jogador controla um personagem principal e a inteligência artificial te ajuda controlando dois aliados, que o jogador também pode utilizar nas lutas por meio do botão de apoio (R1/RB) que serve para mandar que eles usem um de seus ataques especiais. Depois de usá-los algumas vezes, é possível ativar um ataque em conjunto que causa muito dano a um dos adversários.

Os confrontos são sempre frenéticos e cheios de ação, tal qual esperaríamos de um jogo de “Dragon Ball Z”. Chefes, por exemplo, possuem golpes especiais que ao serem executados requerem que o jogador desvie deles por um determinado período de tempo até que o inimigo pare de atacar, e deve aproveitar a oportunidade para dar um contragolpe.

Como em todo RPG que se preze, há oponentes opcionais incrivelmente fortes, que requerem que você jogue muito e eleve bastante o nível dos personagens antes de poder encará-los.

Dito isso, alguns jogadores poderão reclamar da dificuldade de certos combates. É importante não se esquecer de pegar novas e mais poderosas habilidades, que ajudam um bocado. Se mesmo assim estiver muito complicado, espere até liberar as transformações em Super Saiyajin, aumente um pouco o nível matando alguns oponentes pelo mapa ou então realize missões secundárias.

Essas missões não obrigatórias tentam dar mais profundidade à história de alguns personagens do desenho, mas na maior parte das vezes falham em fazer isso. Existem algumas legais, como a que envolve casos amorosos de Yamcha e outra sobre o mistério a respeito do rabo dos Saiyajins, mas a maioria são genéricas, colocando você para enfrentar oponentes aleatórios em certos pontos do mapa ou te mandam pegar itens para um determinado personagem. Você acaba fazendo elas mais pela experiência e recursos que te fornecem do que para conhecer mais a respeito da franquia.

A jogabilidade também possui algo chamado Fórum da Comunidade, que concede diversos bônus em tudo que o jogador faz no jogo. Você a utiliza por meio de emblemas de cada personagem de “Dragon Ball”, que são ganhos nas missões e que devem ser melhorados com itens na forma de presentes que você recebe jogando. Quanto maior o nível de cada comunidade, mais benefícios relacionados a ela você ganha. A comunidade de Treinamento, por exemplo, lhe dá mais experiência a cada batalha que você ganhar.

As Esferas do Dragão também estão presentes, mas só podem ser usadas após você avançar bastante na história. Depois de utilizadas, você deve esperar alguns minutos reais até que possa encontrá-las novamente. Os desejos incluem desde obter dinheiro e itens raros, como até mesmo a chance de lutar contra certos chefes mais uma vez, algo que expande a história deles para além daquela mostrada no desenho.

Graficamente o jogo cumpre bem seu papel, com personagens e cenários bem produzidos. Não é tão bonito quanto “Dragon Ball FighterZ”, mas a qualidade visual no geral é muito boa, com exceção de uma ou outra textura e sombras em baixa resolução. A vantagem disso é que faz o jogo ser muito leve, sendo possível jogar a 60 fps no PC sem muita dificuldade. PS4 e Xbox One também não deixam a desejar, especialmente o Xbox One X que consegue rodar o jogo em 4K nativo e 30 fps.

Falando especificamente dos gráficos no PC, as configurações são bastante limitadas, não havendo quase nada que você possa alterar para deixar os visuais mais bonitos ou o jogo mais leve. Outra coisa que incomoda é que as cutscenes importantes são pré-renderizadas, rodam a 30 fps e tem a qualidade gráfica do jogo nos consoles, ou seja, se você estiver, por exemplo, jogando no computador em 4K, notará que as cutscenes tem qualidade visual muito pior do que o jogo rodando em tempo real.

A trilha sonora é composta de muitas músicas presentes na animação da TV, assim como algumas originais. Sendo bem sincero, as trilhas do desenho já bastariam, pois são muito melhores do que aquelas compostas para o jogo em si.

Embora não tenha a maravilhosa dublagem em português vista nos desenhos transmitidos aqui no Brasil, o jogo conta com textos e legendas em português, além da possibilidade de ser jogado com as vozes originais em japonês. Faz falta a dublagem tupiniquim? Sim, mas não a ponto de ser um fator que desabone o game, que fornece uma ótima experiência.

CONCLUSÃO

“Dragon Ball Z: Kakarot” é o jogo que todo fã da obra de Akira Toriyama sempre sonhou. É possível perceber o carinho e cuidado que os desenvolvedores tiveram para dar aos jogadores a mais verossímil experiência de Dragon Ball até hoje. Se você, como eu, estava há anos aguardando por um RPG que permitisse reviver a saga de Goku em Dragon Ball Z, a espera chegou ao fim.

PRÓS

  • Bons gráficos para um jogo baseado num anime
  • Trilha sonora com músicas do desenho
  • Jogabilidade frenética e cheia de ação
  • A melhor retratação do mundo de Dragon Ball num jogo até hoje
  • Muito conteúdo

CONTRAS

  • Algumas texturas e sombras tem resolução muito baixa
  • Missões secundárias poderiam ser melhor concebidas
  • Mini games chatos e desnecessários
  • Alguns bugs e erros de tradução

NOTA – 8.5

Uma cópia do jogo para PC foi fornecida pela Bandai Namco para elaboração desta análise