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Após os fãs pedirem um remake do clássico Final Fantasy VII por anos, a Square Enix atendeu o pedido e anunciou o game durante a E3 2015. A novidade deixou muitos jogadores em êxtase, incluindo este que vos escreve. Naquele momento, no entanto, ainda não era de conhecimento público os detalhes envolvendo o projeto, que viriam a ser divulgados mais tarde.

Entre as muitas informações que foram reveladas nos anos seguintes, a que me deixou com a pulga atrás da orelha foi a de que o jogo seria dividido em partes, pois a produtora japonesa queria fazer algo diferente, enxergando no remake uma oportunidade de buscar melhorar aquilo que muitos já consideravam perfeito.

Quando foi dito que a primeira parte mostraria somente os eventos ocorridos em Midgar, a principal cidade do jogo e onde ele começa, fiquei incrédulo, pensando até em adiar a jogatina até o momento em que todas as partes fossem lançadas. Entretanto, o meu eu adolescente de 16 anos, que zerou o jogo original quatro vezes e ansiava por começar a jogar Final Fantasy VII Remake, falou mais alto, e o resultado foi uma das melhores experiências que tive até hoje com um jogo.

Se você está pensando “Nossa, só Midgar? Jogo está capado!”, lhe digo com sinceridade que você está errado. Com o remake, a Square Enix conseguiu expandir os eventos do começo de Final Fantasy VII de tal forma, que acabou por estabelecer um novo patamar para projetos deste tipo.

Lutas contra chefes outrora não muito importantes no título original, se transformaram em batalhas memoráveis e de tirar o fôlego. Lugares como o famoso Setor 7 ganharam uma profundidade que eu nunca imaginei que estivesse ali. A cada nova descoberta eu sentia uma felicidade que poucos jogos conseguiram me proporcionar, acompanhada de uma nostalgia gostosa, similar a de reencontrar um grande amigo que há muito tempo não via.

Explorando os distritos da cidade a medida que vão sendo liberados, você pode obter missões opcionais com seus residentes. Muitos deles você nunca viu antes, pois foram incluídos no remake. Algumas destas tarefas são simples, envolvendo que você mate determinados monstros ou ache certas pessoas, mas há também aquelas mais complexas, que lhe botarão frente a frente contra inimigos muito poderosos, que farão picadinho de você caso não esteja preparado na hora que for enfrentá-los.

Assim como no jogo original, Final Fantasy VII Remake também possui minigames que você pode jogar para obter algum item especial. Seja atirando dardos no bar Seventh Heaven, malhando na academia do mercado do Setor 6 ou até mesmo destruindo blocos de brinquedo com sua arma, essas atividades são bem divertidas, pois não são cansativas e você não precisa dedicar muito tempo para obter os melhores resultados.

Sem me adentrar com muitos detalhes para evitar spoilers, a história em Final Fantasy VII Remake tem sim muitos elementos que são exatamente os mesmos do jogo de 1997, mas há também muitos aspectos completamente novos, que servem justamente para explorar mais o universo existente na cidade de Midgar. Isso inclui não apenas novos personagens e chefes, mas também trechos que aprofundam a sua intimidade com os velhos conhecidos Cloud, Tifa, Barret e Aerith, assim também como os agora notáveis Biggs, Wedge e Jessie. Os vilões também receberam esse tratamento, especialmente Sephiroth, que possui no remake um destaque que simplesmente não existe com ele em Midgar no título original.

Embora eu acredite que essas mudanças e inclusões agradarão a maioria dos jogadores, haverá alguns que poderão ficar descontentes, preferindo que certas coisas tivessem sido mantidas mais enxutas e fiéis ao jogo de PS1. É algo que você precisa ver por si próprio nesse caso, para ter sua própria opinião formada. Eu, particularmente, adorei tudo na história, que me deixou com uma ansiedade gigantesca para continuá-la quando a segunda parte do remake for lançada.

Graficamente, Final Fantasy VII Remake é quase perfeito nos personagens, mas fica devendo nos cenários. O jogo faz uso de Unreal Engine 4 para entregar seus visuais e consegue fazer isso bem, especialmente no que diz respeito aos personagens, que são extremamente detalhados, sendo possível até mesmo observar em suas armas e equipamentos as Materias (falarei delas mais abaixo) que você equipou. O problema são alguns dos cenários que, embora bonitos, tem certos objetos com texturas de qualidade muito baixa, algumas tão baixas que me levaram a pensar se não trata-se de um bug que fez a textura não ser carregada corretamente. Felizmente, é um problema que não afetou muito a minha experiência geral com o game.

Outro ponto alto é a jogabilidade. Ao invés do sistema por turnos, aqui as batalhas ocorrem de maneira frenética, com você andando e coordenando os personagens, podendo trocar instantaneamente aquele que você está controlando diretamente, algo essencial contra certos oponentes. Embora os inimigos comuns morram sem nenhuma dificuldade, há aqueles mais fortes os quais precisarão que você identifique seu ponto fraco, para usá-lo e ter algum tipo de vantagem na luta.

Há três níveis de dificuldade – Clássico, Fácil e Normal – que mudam um pouco os aspectos básicos do gameplay. O Normal lhe dá controle total dos personagens, sendo o recomendado para se ter a experiência completa do game. O Fácil é para quem quer aproveitar a história sem se preocupar muito com as lutas, pois os inimigos são mais fracos e menos agressivos. O Clássico segue a mesma linha do Fácil, só que nele os personagens fazem quase tudo sozinhos, restando ao jogador apenas usar os comandos especiais.

Existem duas barras dos personagens que você precisa ficar de olho na hora das lutas. A de BTA serve para utilizar todas as suas habilidades e magias. Ela enche sozinha se você não fizer nada e rapidamente sempre que você estiver atacando o inimigo. A do Limite, que vai enchendo gradativamente a medida que você luta contra os oponentes e utiliza ataques especiais, permite a você fazer uso dos poderes supremos de cada personagem, que podem fazer a diferença se aplicados na hora correta.

Jogando no Normal, que é a dificuldade padrão, a chave para a vitória, na maioria das vezes, é causar o Atordoamento, uma condição temporária que faz o inimigo sofrer mais dano, momento ideal para você soltar seus ataques mais poderosos. O melhor jeito de chegar no Atordoamento é explorar o ponto fraco do adversário, para que ele fique numa condição chamada Sob Pressão, na qual você consegue, por meio de habilidades específicas, deixá-lo atordoado mais rapidamente.

Cada personagem tem características próprias, ideais para cada situação. Depois que você aprende a mesclar os elementos de cada um para obter os melhores resultados, o que leva algumas horas, sua experiência no jogo melhorará consideravelmente. Cloud é balanceado, sendo bom com magias e no combate corpo a corpo, ideal para botar pressão nos inimigos até que eles fiquem atordoados. Barret tem como sua maior utilidade poder atacar rapidamente à distância e, assim como Cloud, tem habilidades que facilitam o atordoamento. Tifa, por conseguir causar dano corpo a corpo com muita rapidez, serve para deixar o inimigo ainda mais atordoado, permitindo que os outros personagens causem mais dano. Aerith é, sem qualquer sombra de dúvida, a melhor com magias.

Por falar em magias, elas são obtidas com uso das Materias. São esferas coloridas que você equipa nas suas armas e acessórios para utilizar o poder contido nelas. A classificação delas varia de acordo com a cor. Verde, por exemplo, são as que possuem magias de ataque ou suporte que você utiliza diretamente no campo de batalha. Já roxas, são passivas, e melhoram alguma característica de quem a usa. Assim como os personagens, elas também sobem de nível quando estão equipadas, concedendo novos poderes e benefícios.

As Invocações (os famosos Summons) estão de volta e mais fortes do que nunca. Obtidos por meio das raríssimas Materias vermelhas, são criaturas poderosas que se juntam a você quando são chamadas. São tão fortes que só podem ser chamados nos confrontos mais desafiadores. Uma barra roxa indica que você pode utilizá-los e quando um deles entra na luta, você pode fazer uso de suas habilidades por um curto período. Quando o tempo dele tiver acabado, a Invocação se despede liberando um ataque devastador.

Outra novidade na jogabilidade de Final Fantasy VII Remake é que você pode aumentar o nível de todas as suas armas. Isso não apenas te concede melhorias adicionais aos personagens, como permite obter habilidades novas. Ao dominar totalmente cada habilidade, algo feito utilizando ela várias vezes, ela passa a fazer parte integral do personagem, não sendo mais necessário equipar a arma dela para usá-la.

A trilha sonora é outro show à parte, trazendo não apenas novas e excelentes versões das músicas do jogo clássico, como também novas músicas ao repertório. Quanto mais você avança na história, mais músicas vão sendo mostradas, uma melhor do que a outra. Ótimas para quem nunca jogou o original e melhores ainda para quem o fez. Foi mais um ponto do remake onde a Square Enix acertou em cheio.

Conclusão

A espera valeu muito a pena! Final Fantasy VII Remake não apenas consegue dar aos jogadores uma das experiências mais incríveis desta geração de videogames, como também estabelece um novo patamar para projetos desta natureza, envolvendo dar vida nova a jogos excelentes do passado. A história envolvendo os eventos de Midgar ganhou complexidade e profundidade que nem sabíamos que existiam. A Square Enix acertou tanto nesse jogo, que seu maior problema acaba sendo ter de esperar pela continuação, a qual espero que não demore outros cinco anos para sair. Obrigatório para todos os fãs de RPG, é ainda mais essencial para quem jogou e gostou do jogo original de 1997.

PRÓS

  • Gráficos competentes, especialmente dos personagens
  • Midgar mais viva e detalhada do que nunca
  • História de tirar o fôlego, com personagens e trama inesquecíveis
  • Jogabilidade impecável
  • Trilha sonora marcante
  • Muito conteúdo opcional, que aumenta a longevidade do jogo

CONTRAS

  • Alguns cenários tem objetos com texturas em resolução muito baixa
  • Aguardar pela próxima parte do remake

NOTA – 9.5

Uma cópia do jogo foi fornecida pela Square Enix para elaboração desta análise