O mar da nostalgia… e dos polígonos perdidos. Por RumbleTech — o velho gamer que já pilotava barcos antes de Assassin’s Creed aprender a nadar.
Sabe aquele momento em que você liga um jogo novo esperando se sentir o Jack Sparrow digital, mas o que aparece na tela parece mais o Pirates Online do Windows XP com texturas de gelatina? Pois é. Foi assim que eu e Forgotten Seas nos conhecemos.
A Pangea Game Studios, cheia de coragem (ou teimosia, depende do ponto de vista), decidiu lançar um jogo de pirata em 2025 que parece ter saído direto de um pendrive de 2006.
E não me entenda mal — eu adoro nostalgia. Só não gosto quando ela vem acompanhada de serrilhados que parecem lâminas de barbear.
Mas calma, velho Rumble não é só reclamação. Forgotten Seas tem boas ideias. O problema é que, pra cada boa ideia, tem três más decisões de design e um bug te lembrando que o mar é imprevisível — principalmente o digital.
⚓ História — O Pirata Filosófico da Unreal Engine 2.5
Você acorda perdido no tal Bermuda Void, uma espécie de oceano místico que parece ter engolido metade dos frames por segundo junto com a sua tripulação.
Seu objetivo é sobreviver, construir um navio, explorar ilhas e lutar contra piratas. O problema é que o jogo tenta ser Subnautica e Black Flag ao mesmo tempo, mas acaba parecendo uma versão indie de Raft que rodaria suave num notebook da Positivo.
O enredo é raso como poça de chuva — não espere drama, dilema moral ou narrativa cinematográfica. É só: “você está perdido, construa um barco, não morra afogado”.
Simples, direto e sem emoção. O tipo de história que você encontra num guardanapo de bar temático de pirata.
E mesmo assim… eu fiquei lá, navegando. Porque o tiozão aqui acredita em segundas chances. E talvez — só talvez — o jogo melhorasse quando eu saísse da ilha inicial. (Spoiler: não melhorou tanto assim.)
🛠️ Jogabilidade — quando a diversão vai a 12 nós por hora
No papel, Forgotten Seas parece um sonho molhado de qualquer fã de jogos de sobrevivência:
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construa navios com o sistema ship-in-a-bottle (sim, você literalmente invoca um barquinho de uma garrafa, tipo Pokémon marítimo);
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explore ilhas, colete recursos e lute contra piratas;
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jogue com amigos no modo cooperativo e viva suas aventuras no mar aberto.
Na prática? Você passa mais tempo brigando com a interface do que com piratas.
O sistema de crafting é ok — nada revolucionário, mas funciona. O problema começa quando você tenta navegar.
Controlar o navio em Forgotten Seas é como dirigir um caminhão bêbado num mar de geleia. A física parece uma piada interna entre os devs. O vento não obedece, a velocidade do barco é de dar sono, e o impacto de canhões é tão emocionante quanto soltar bombinha de São João.
E olha, eu concordo. Já vi mods de Garry’s Mod com sensação de movimento mais convincente.
O combate então… meu Deus. As animações parecem GIFs animados de 12 quadros. A mira dos canhões é tão precisa quanto atirar de olho fechado num furacão.
E quando finalmente acertei um inimigo, o efeito foi tão anticlimático que achei que tinha bugado. Não, era só o jogo mesmo.
🎨 Gráficos — Direto do túnel do tempo
Agora, vamos falar do elefante no convés: os gráficos.
Forgotten Seas é um caso raro onde a nostalgia visual não é charme — é um problema. As texturas parecem ter sido copiadas de Morrowind, as árvores são basicamente cones verdes sobre cilindros marrons, e o mar… ah, o mar.
Aquele que deveria ser o grande protagonista de um jogo de pirata parece uma piscina de sabão líquido renderizada no Paint 3D.
Sério, já vi gráficos melhores em Far Cry 1.
Os personagens então? Parecem bonecos de cera que acabaram de escapar do museu Madame Tussauds depois de uma briga com o fogo. A iluminação é inconsistente, o HDR parece um bug proposital, e o filtro de bloom — meu Deus — o filtro de bloom parece que alguém jogou talco na lente.
E antes que alguém diga “mas é um jogo indie”, ok, justo. Mas tem indie hoje em dia que entrega gráficos lindos e estilo marcante. Dredge, Valheim, The Invincible…
Aqui, parece que o estilo foi “vamos deixar tudo meio borrado e dizer que é artisticamente intencional”.
Spoiler: não é.
🔊 Som — o mar da monotonia
O áudio até tenta. Tem o barulhinho das ondas, o ranger da madeira, e umas musiquinhas de violão que parecem tocadas por um pirata deprimido. Mas depois de 30 minutos ouvindo a mesma trilha repetida, comecei a achar que meu PC estava preso num loop existencial.
Os efeitos de combate são genéricos: Canhões soam como fogos de artifício molhados, espadas batem sem impacto, e o som do vento parece uma ventoinha da década de 90. Não chega a ser ruim, mas também não ajuda na imersão.
🏴☠️ Comparações inevitáveis
Pra deixar claro: Forgotten Seas queria ser o novo Sea of Thieves — mas sem o orçamento, o carisma ou o polimento.
Também tenta beber da fonte de Raft e Subnautica, mas com o mesmo problema: não entende bem o que quer ser. Quer ser um sandbox? Um survival? Um RPG cooperativo?
No fim, é um pouco de tudo e nada de fato refinado. É como aquele pirata que quer cantar, beber e lutar ao mesmo tempo — e acaba caindo do navio antes da música terminar.
Prós:
- Conceito interessante de sobrevivência e navegação em mundo aberto
- Ideia original do “navio na garrafa” é divertida
- O clima de exploração e crafting tem seu charme
- Potencial para co-op divertido (quando funcionar direito)
Contras:
- Gráficos dignos de 2005, e não no bom sentido
- Navegação e combate naval lentos, truncados e sem impacto
- Performance irregular e bugs variados (texturas, colisão, UI)
- Falta de polimento em praticamente todos os sistemas
- História rasa e personagens esquecíveis
Nota Final: 6/10
Forgotten Seas queria me fazer sentir um aventureiro destemido. Mas no fim, me senti mais um tiozão tentando rodar Age of Pirates em um monitor 4K — admirando o esforço, mas desejando que alguém me passasse o mapa pra sair desse bugado oceano do passado. Depois de umas boas horas navegando, construindo navios que pareciam feitos de papelão e tentando ignorar os bugs, posso dizer: Forgotten Seas é um jogo com potencial, mas que precisa de mais uns seis meses de desenvolvimento e uma boa conversa com um designer gráfico que tenha jogado algo depois de 2007. Se você ama jogos de sobrevivência e é paciente (muito paciente), pode se divertir com ele. Mas se você espera algo moderno, fluido, bonito — vai sentir que tá rodando uma demo perdida do Pirates! Gold em Full HD. E, sinceramente, não dá pra recomendar a preço cheio. Talvez numa promoção de 80% e com umas boas atualizações, o mar volte a ficar navegável. Por enquanto, o navio ainda tá à deriva.