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Análise | Ghost of Tsushima Versão do Diretor entrega pouco pelo valor cobrado

Uma nova geração vem com as suas novas manias. A da vez, ao menos em jogos desenvolvidos pelos estúdios da Sony, parece ser a “Versão do Diretor”, ou Director’s Cut como é chamado em inglês, uma prática mais comum na indústria do cinema do que na de jogos.

Mais do que só um remaster de nome novo, essa versão conta com uma expansão que traz uma história inédita em uma nova ilha, Ikishima. Além disso, para o PlayStation 5 há também algumas novidades de desempenho e recursos extras, como a tão pedida sincronização labial para a dublagem japonesa.

Poucas melhorias no PS5

A polêmica começou quando duas Versões do Diretor foram anunciadas. Para os jogadores do PS4, há um preço para adquirir apenas a expansão e adicioná-la ao jogo base ou comprar o pacote completo pelo preço cheio. Para ter as melhorias no PS5, é preciso pagar mais um extra.

Em um momento em que o novo normal é migrar para a nova geração, principalmente com iniciativas como o Smart Delivery da Microsoft, já pega mal cobrar essa taxa extra, e fica pior ainda quando vemos que as novidades são escassas.

Nos gráficos é praticamente impossível notar uma diferença sequer no PS5. Com exceção de algumas melhorias de texturas em detalhes das armas, não há nada que justifique o preço cobrado. Uma versão com taxa de quadros desbloqueada já existia no modo de retrocompatibilidade, então os 60 quadros não são novidade. Já a resolução é o ponto alto e ganha uma melhoria interessante quando se olha o mínimo que chega por conta da forma dinâmica que funciona.

O DualSense é uma das melhorias e é bem executado. A vibração ao cavalgar, lutar e até mesmo caminhar entre a vegetação dos cenários aumenta o nível de imersão. Usar o arco ganha uma nova camada de diversão com os gatilhos adaptáveis. Até mesmo o som emitido pelo controle é bem feito, principalmente na expansão, onde os xamãs cantarolam por esse dispositivo.

Outra novidade é a sincronização labial para a dublagem em japonês. Esse é um pedido antigo da comunidade, já que o modo mais imersivo é com a dublagem no idioma do país onde se passa a história do jogo. A sincronização foi feita originalmente para o inglês, e em japonês ficava parecendo uma novela mexicana dessincronizada durante as cenas. Esse recurso é exclusivo do PS5, para tristeza dos que ainda não conseguiram comprar o novo console, que é caro e está escasso no mercado. Segundo a Sucker Punch, o motivo desta exclusividade da sincronia labial é o sistema das cutscenes. No jogo original elas eram pré-gravadas, e rodavam basicamente como um vídeo pronto. Somente no PS5 seria possível renderizar essas cenas em tempo real, o que permitiria alterar as animações para sincronizar com o idioma japonês.

Verdade ou não, é algo que faz falta no PS4 e já era esperado como uma correção, não como um recurso pago. No fim das contas, as melhorias não convencem e o preço cobrado, principalmente no Brasil, por conta do dólar caríssimo e preços elevados dos jogos, simplesmente não compensam. Bola fora não terem dado a melhoria de forma gratuita.

Explorar Ikishima é legal, a campanha nem tanto

Para a maior parte do público alvo dessa expansão, o que importa é realmente o conteúdo inédito de campanha: a ilha de Ikishima.

O protagonista continua sendo o Jim, que viaja para essa ilha após descobrir que os mongóis também a invadiram. Com medo de uma nova investida em Tsushima, ele segue para lá de modo a acabar com o problema na fonte.

Naquele local, a família Sakai, da qual ele faz parte, tem um passado importante, incluindo ele e o próprio pai. É nesta ilha onde vemos o pai do Jim ser assassinado no primeiro jogo. Além desse acontecimento, os Sakai tiveram algumas atitudes condenáveis, ao matarem vários civis em busca de um controle de rebeldes e corsários.

Ao contrário de Tsushima, em Ikishima os samurais são tão odiados quanto os próprios mongóis. Jim tem o desafio de lidar com o seu passado, incluindo seus traumas pela morte do pai, convencer os locais de que veio para ajudar e ainda lidar com os mongóis que aqui são mais poderosos do que nunca, havendo inclusive novas variações de inimigos.

Infelizmente a campanha é muito curta. Se você focar nela e não fizer as atividades secundárias, os famosos pontinhos pelo mapa, vai gastar aproximadamente 5 horas para finalizar a história, o que é muito pouco pelo preço cobrado no Brasil. O vilão, que começa mostrando muito potencial, não é muito aprofundado e tudo parece acabar de repente, deixando o gosto da frustração.

O combate aqui continua incrível e um dos melhores da sua geração. A adição de novos tipos de inimigos faz tudo ficar ainda mais legal. Há algumas habilidades que também são novidades, como passar atropelando os inimigos com o cavalo ou um super contra ataque como habilidade de armadura. Essa parte continua sendo o ponto alto do jogo na expansão.

A dinâmica de exploração pelo mapa funciona bem parecida com a do jogo original, com bases para liberar e vários pontos para explorar. Há armaduras novas e algumas atividades inéditas, como tocar flauta e se por à prova em desafios de duelo e arquearia. Também são destaque os novos bichinhos para acariciar, como gatos e veados.

Se você gostou de explorar o mapa original, vai curtir fazer o mesmo aqui, até pelas áreas com vegetação nova, que permitem fotos sensacionais. Agora, se o seu foco é apenas a campanha, não espere sair satisfeito.

Conclusão

As Versões do Diretor que a Sony está lançando ainda vão precisar se justificar. A do Ghost of Tsushima conta com um conteúdo escasso pelo preço cobrado no Brasil e divide muitas das suas novidades mais interessantes entre a nova e a antiga geração.

Cobrar pelas melhorias para o PS5 torna o pacote ainda menos recomendável, já que os gráficos continuam praticamente os mesmos, e o DualSense juntamente com a sincronia labial para a linguagem japonesa parecem muito pouco justificar a aquisição.

Ikishima é mais do que já era bom no jogo original, mas peca por uma história curta demais e que não aprofunda os seus personagens.

Prós

  • O combate continua excelente, inclusive melhorando com novas habilidades e inimigos para enfrentar
  • O suporte ao DualSense é bem implementado e complementa a imersão
  • Sincronia labial para a linguagem japonesa é muito bem-vinda
  • Ikishima é legal de se explorar

Contras

  • Melhorias visuais para o PS5 praticamente não existem
  • História de Ikishima é muito curta e pouco aprofundada
  • O conteúdo como um todo é decepcionante pelo preço cobrado

Nota: 7.0/10.0

Uma cópia do jogo para PS5 foi fornecida pela Sony para elaboração desta análise

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