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Ghost Recon: Breakpoint é a sequência direta de Wildlands. Desde o jogo passado, a franquia recebeu uma nova roupagem, com foco no mundo aberto e missões por áreas, o que vem se tornando um padrão nos jogos da Ubisoft. Nesse novo capítulo, a gigante francesa foi ainda mais fundo no compartilhamento de sistemas e decidiu introduzir os elementos de soft RPG que ficaram famosos em outros jogos do seu catálogo, como The Division 2 e Asassin’s Creed Odyssey.

Com mais de mil pessoas trabalhando no título e uma proposta mais ambiciosa que seu antecessor, Ghost Recon Breakpoint tenta trazer novos fãs para a série e emplacar como mais um jogo como serviço no mercado. O resultado de tudo isso você confere agora.

História mal contada

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A história de Ghost Recon Breakpoint até começa bem, com Nomad, o Ghost implacável do jogo anterior, caindo na ilha de Auora, local onde o jogo se passa. Os Ghosts foram enviados até esse local para investigar uma possivel rebelião de um grupo de segurança privada, que teria tomado a ilha de assalto e conseguido acesso às tecnologias da Skell, empresa dona do local e que produz diversos drones com poderio militar e pesquisa muita inteligência artificial.

Antes de pousar na ilha, os helicópteros dos Ghosts são atacados por drones. Na queda vários membros da unidade acabam perdendo a vida e Nomad se vê sozinho atrás das linhas inimigas. A ideia é que em Breakpoint os Ghosts sejam os caçados e não os caçadores, o que não dura muito dentro da narrativa.

Logo após esse bom momento inicial, a história descamba e o ritmo cede à repetição do jogo e sua necessidade de criar as centenas de pontos para se explorar como uma checklist e missões paralelas sem muita inspiração. Com algumas armas e especialmente jogando em equipe, a sensação de ser caçado logo vai embora e você tem em mãos uma versão mais bonita mas menos polida que Ghost Recon Wildlands.

O antagonista e grande propaganda do jogo, Cole J. Walker, interpretado pelo eterno justiceiro Jon Bernthal, demora a engrenar na história e vai mostrando seus lados podres em curtas interações com o Nomad, seja por flashbacks ou em cutscenes durante a após algumas missões da história. Todo o desenvolvimento entre esses dois personagens é bem superficial e clichê, mas o que pega mesmo são os diálogos.

Chega a ser constrangedor os diálogos travados entre Nomad e os moradores da ilha. Ao colocar a dublagem brasileira fica ainda pior, já que vários termos foram traduzidos para gírias locais que não combinam com o militarismo de Tom Clancy. A cada nova missão a vontade de fazer a próxima diminui, primeiro pela história e diálogos e depois pela repetição do gameplay.

Loop repetitivo

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Assim que terminei de invadir a primeira base inimiga, percebi que as similaridades com Wildlands no gameplay eram enormes. Até ai sem nenhum problema, principalmente em grupo, Wildlands tinha momentos de pura adrenalina e bons combates. O problema é a repetição das situações e falta de estruturação das quests.

Com isso cada momento em Breakpoint parece exatamente o anterior. Você vai soltar o seu drone para fazer um reconhecimento, entrar na base e chegar até o ponto indicado. Se você jogou os outros jogos da Ubisoft nessa geração, a sensação de repetição será ainda maior.

Como são poucas as variações dos inimigos e a inteligência artificial deixa muito a desejar, a imersão cai e o resultado é ainda mais frustrante. Por várias vezes os inimigos vem um a um para morrer em sequência e se transformam em pilhas de corpos. Isso deixa o senso de realidade, que deveria ser o forte da franquia, muito longe do esperado, falaremos mais desse ponto a frente.

Realismo abortado 

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A série Ghost Recon é conhecida pelo apego ao realismo e a tática, com jogadores sendo forçados a pensar nas melhores opções de equipamentos e incursões para garantir o sucesso da missão. Para atingir esse nível de realismo, o jogo sempre apostou na simulação de armas e punição constante por erros, com a morte vindo sempre com poucas balas.

Em Breakpoint quase tudo isso foi ignorado para dar espaço para as mecânicas de soft Rpg. Com pontos de equipamento e diversas habilidades que influem nos atributos do personagem, o lado tático fica menos importante e o foco se volta para conseguir loot e melhorar o equipamento.

Ao menos dessa vez, ao contrário de Assassin’s Creed, aqui os inimigos não tem sua vida ligada aos pontos de equipamento e você consegue eliminar mesmo inimigos mais fortes com poucos tiros. O que foi modificado é o inverso, a sua saúde e resistência em batalha que dependem dos seus pontos de equipamento para permanecerem altas e suficientes para enfrentar as hordas de inimigos em cada base.

A frente que mais sofre com essa nova abordagem é a dos equipamentos, onde por várias vezes um item como um gorro tem mais pontos de equipamento que um capacete balístico. Fica tudo bem artificial e a indecisão pela tática ou pelo conteúdo cosmético e de Rpg deixa a progressão confusa e desmotivadora.

Bugs para todos os lados

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Um jogo que fez tanto marketing em cima do número de funcionários trabalhando no seu estúdio não pode deixar um lançamento vir tão contaminado por bugs e problemas que atrapalham bastante tanto a diversão quanto a progressão.

Você já deve ter visto alguns vídeos na internet com uma compilação de bugs engraçados sobre o jogo e embora seja pouco provável que todos eles aconteçam na sua campanha, pode ter certeza que uma parte estará lá. Carros travam em rochas, você trava em rochas e até cai pela malha do mapa, o menu por vezes trava e atrapalha a navegação pelo mapa e a marcação de objetivos, inimigos te ignoram e diversas outras coisas sobrenaturais rolam durante a jogatina.

Não é o normal dos bugs da geração, é insuportável e inaceitável pelo preço cobrado, especialmente por aqui.

Conclusão

Com uma campanha medíocre e diálogos pífios, Ghost Recon Breakpoint deixa a desejar na narrativa. Os elementos de Soft Rpg não engrenam e demonstram o desgaste da fórmula, especialmente nos jogos da Ubisoft, que abusam da troca de sistemas. Com o realismo deixado de lado e infestado de bugs, é um jogo irreconhecível para fãs de longa data da série e apela muito pouco para novatos.

Prós

  • Gráficos acima da média
  • Interface responsiva
  • Navegação para missões interessante

Contras

  • Realismo que é marca da franquia foi abandonado
  • Diálogos pífios e vergonhosos
  • Muitos bugs
  • Narrativa fraca e clichê
  • Microtransações
  • Sistema de Soft Rpg

Nota: 6,5