Puzzle de clones suicidas que até o Fábio Jr. estranharia! Entre pílulas, cientista maluco e clones descartáveis, esse indie bizarro te faz rir, xingar e se sentir cúmplice de genocídio digital em menos de uma hora de jogatina.
Se na vida real você acorda e encontra um maluco com cara de que cheirou até o giz do colégio e ele te pede “vai lá buscar umas pílulas pra mim, irmão”, você provavelmente chamaria a polícia, ou no mínimo sua mãe pra benzer a casa. Mas em videogame, não: a gente aperta “Start”, aceita o contrato faustiano sem ler as letrinhas miúdas, e ainda agradece. Pois é exatamente isso que GOST of Time te oferece: um clone de você mesmo sendo jogado numa máquina de moer carne — ou melhor, de moer cérebros — só pra satisfazer o vício de um cientista mais instável que internet de hotel.
E a premissa é tão simples quanto perturbadora: você é um clone. Sim, CLONE. Um boneco fabricado na impressora 3D do inferno que serve única e exclusivamente pra sair catando comprimidos coloridos em fases cheias de espinhos, inimigos irritantes, torretas de segurança que parecem ter sido compradas no AliExpress e portas quebradas que só explodem na sua cara. Tudo isso pra quê? Pra agradar um cientista que parece a mistura do Walter White com o Seu Madruga depois de três dias sem dormir.
O loop temporal que faria até o Bill Murray pedir aposentadoria
O diferencial aqui é que você joga dentro de um loop temporal de 60 segundos. Cada ação que você faz nesse tempo é gravada. Na próxima rodada, outro clone seu nasce e repete o que o anterior fez, enquanto você tenta avançar um pouco mais. É tipo uma festa rave de clones: cada um dança até cair morto, e o próximo assume o passinho.
E olha só a cereja do bolo: às vezes a solução é você mesmo apertar um botãozinho de “autodestruir” e virar churrasquinho digital, porque o jogo exige sacrifícios estratégicos. Quer passar por um fosso de espinhos? Beleza: mata um clone, usa o corpo como ponte e segue a vida. Quer explodir uma porta? Sacrifica um clone com uma bomba na mão, e deixa o próximo passar sorrindo enquanto o anterior virou purê. É como se o jogo tivesse sido projetado por um estagiário que viu “Jogos Mortais” e achou educativo.
E não para por aí: os chefes do jogo também seguem essa lógica masoquista. Não adianta meter bala que nem o Rambo. Você precisa sacrificar clones até o chefão baixar a guarda, pra depois mandar outro boneco e causar dano. É um show de horrores que faria até o Kratos levantar a plaquinha “brother, calma lá”.
Estratégia ou tentativa e erro?
O jogo até tenta ser cerebral. Você olha pro cronômetro de 60 segundos no canto da tela e pensa: “ah, vou planejar cada movimento como um grande mestre do xadrez digital”. Aí você dá play e na prática é: morrer, morrer de novo, morrer de novo mas agora em cima do botão certo, morrer caindo no espinho, morrer tentando atirar na torreta. É estratégia? Sim. Mas é também aquele tentativa e erro básico que todo puzzle sadomasoquista adora enfiar na nossa goela.
E o pior é que funciona. Você fica preso nessa dinâmica de clones suicidas que mais parece empresa júnior explorando estagiário. Não tem nada mais satisfatório do que ver o plano finalmente dar certo na quinta tentativa, com quatro cadáveres digitais servindo de tapete vermelho pra sua vitória. É bonito. É cruel. É videogame na sua essência mais pura: gastar vidas descartáveis como se fossem fichas de fliperama.
Controle estranho ou trollagem de propósito?
E como se não bastasse a ideia maluca, os controles dão aquela trollada marota. Por exemplo: quando você pega uma bomba ou pega fogo, o analógico simplesmente para de responder. Sim, você tem que soltar e mexer de novo pra funcionar. É o tipo de bug que parece recurso “de design”: o dev deve ter pensado “vamos deixar tosco mesmo, vai ser engraçado ver o jogador gritar de ódio”. Missão cumprida, irmão.
Ah, e claro, dá pra atirar também. Mas não espere Doom Eternal aqui. O tiro serve mais como um enfeite do que como ferramenta de sobrevivência. Você vai passar mais tempo usando clones como degraus humanos do que como Rambo viking futurista.
Visual feio mas funcional (igual camiseta de político em época de eleição)
Agora, vamos falar do estilo visual. Lindo? Não. Elegante? Nem de longe. Funcional? Sim, e de um jeito perturbador. O cientista que te manda pegar comprimidos tem uma cara que mistura abstinência com ressaca de casamento. Os clones, por sua vez, carregam a expressão de quem já sabe que vai morrer em dois cliques — e aceitam isso com a serenidade de um estagiário que sabe que nunca vai ser efetivado.
A interface? Ah, meu amigo… é tão poluída que parece PowerPoint de faculdade. Diálogos aparecem em cima e embaixo da tela ao mesmo tempo, como se fosse um karaokê de clone deprimido. Você aperta um botão e o texto avança sozinho, sem ritmo, sem dó. Menus? Um carnaval gráfico onde você nunca tem certeza de onde está clicando. Se você tem TOC, esse jogo vai te mandar direto pra terapia.
Narrativa relâmpago: piscou, perdeu
Agora, segura essa: o jogo dura pouco mais de uma hora. É isso. O tempo de você cozinhar um miojo, assistir um episódio de Chaves e pronto: fim. E ainda ousa colocar pitadinhas de narrativa aqui e ali, como se fosse contar uma grande trama sobre clones, vício em pílulas e sacrifício humano. Só que quando você começa a se interessar… puff, acabou. É como marcar um encontro no Tinder, a pessoa aparecer, te dar meia dúzia de frases profundas e ir embora com a desculpa de que “precisa acordar cedo”.
O jogo tem potencial, mas claramente sofre de ansiedade: começa, fica bom, e termina antes de engrenar. É o famoso “rapidinho, prometo” versão indie.
E aí, vale a pena?
Olha, depende. Se você curte puzzle com ideia original, se amarra em clones suicidas e não se importa de gastar 1 hora da sua vida sendo humilhado por espinhos, torretas e bombas, GOST of Time é diversão garantida. Mas se você é daqueles que quer narrativa longa, polida e sem bugs, vai achar que gastou seu dinheiro num kit de autoajuda do Paraguai.
O saldo é positivo: puzzles criativos, mecânica diferenciada e uma arte propositalmente feia que encaixa com a bizarrice da proposta. Mas fica aquele gostinho amargo de “podia ser mais”, tipo churrasco sem farofa.

Prós:
- Mecânica criativa de clones e loops temporais
- Puzzle que desafia de verdade
- Arte grotesca que combina com a proposta
- Sensação deliciosa de vitória após morrer 40 vezes
Contras:
- Interface mais bagunçada que reunião de condomínio
- Controles trollando o jogador na hora errada
- Narrativa curta e subaproveitada
- Duração menor que fila do SUS em dia chuvoso
Nota Final: 7/10
GOST of Time é aquele tipo de jogo que faz você rir, xingar, bater na mesa e depois voltar sorrindo pra sofrer de novo. É curto, sim, mas entrega uma ideia tão maluca e sarcástica que até vale o investimento. Só não espere uma experiência épica — isso aqui é fast food de puzzle: rápido, meio sujo, mas satisfatório.