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Análise | Heartworm: Um mergulho dolorido no horror retrô cheio de saudade

Um survival horror de PS1 com carinha de nostalgia e coração partido

Ai, gente, deixa eu respirar fundo antes de começar essa análise porque Heartworm não é só mais um joguinho de terror qualquer. Ele é quase um abraço apertado (daqueles que doem no peito e esquentam a alma ao mesmo tempo) em todos nós que crescemos com aquele barulhinho característico de memory card salvando progresso no PlayStation 1.

Só que, dessa vez, o que está em jogo não é só a sobrevivência contra fantasmas pixelados, mas também a sobrevivência contra um monstro muito mais real: a saudade.

Sim, Heartworm é um survival horror retrô publicado pela DreadXP que tenta (e consegue!) equilibrar duas coisas que parecem distantes: o medo de virar a esquina e dar de cara com uma assombração, e a dor agridoce de carregar lembranças de alguém que já partiu. No caso da protagonista, Sam, esse alguém é o avô dela. E no caso de muitos jogadores – e de mim também –, a gente acaba lembrando de pessoas nossas que se foram. Ou seja, esse jogo consegue cutucar feridas de um jeito poético, sombrio e, incrivelmente, fofo.

A menina, a casa e a saudade que atravessa portas

Em Heartworm, você controla Sam, uma jovem que ainda está tentando lidar com a morte do avô. Ela é curiosa, teimosa e meio obcecada por mistérios da internet (quem nunca caiu em fóruns estranhos de madrugada, né?). Até que um dia, no meio dessas explorações virtuais, ela descobre a lenda de uma casa que conecta ao “outro lado”. E pronto, o coração dela decide: é lá que ela precisa ir.

Quando Sam atravessa uma dessas portas misteriosas, ela acaba presa em um lugar que parece saído de um pesadelo – só que não é apenas terror barato. É como se cada corredor, cada parede mofada, cada sombra, fosse um espelho do luto que ela carrega. É assustador, sim, mas também é dolorosamente bonito.

Eu mesma senti, jogando, que a cada passo da Sam era como andar com ela pela lembrança de alguém que a gente gostaria de ver mais uma vez. É aquele tipo de narrativa que não te dá susto fácil; ela dá é nó na garganta.

Um terror que não grita, mas sussurra

Quem chega em Heartworm esperando litros de sangue digital ou jumpscares de explodir o coração pode até estranhar. Esse jogo não é sobre gritar. Ele é sobre sussurrar no seu ouvido que você não está tão seguro assim.

A câmera fixa, que lembra os clássicos Resident Evil e Silent Hill, cria situações tensas sem precisar apelar para exagero. Sabe aquela sensação de olhar para um corredor escuro e ter certeza de que alguma coisa vai se mexer lá no fundo? Pois é. O jogo vive disso.

O detalhe mais fofo (e ao mesmo tempo mais cruel) é que Sam usa uma câmera fotográfica para enfrentar as criaturas. Não armas, não facas, não poderes mágicos. Uma câmera. Porque, de alguma forma, registrar e revelar também é enfrentar. E me diz se isso não é lindo? É como se a gente tivesse que olhar para os nossos próprios fantasmas – e fotografá-los – para seguir em frente.

Vulnerabilidade em pixels fofinhos (e assustadores)

Uma das coisas que eu mais gostei é como o jogo faz a gente se sentir pequeno. A câmera, muitas vezes, mostra a Sam de longe, quase perdida em cenários enormes e decadentes. Parece até que ela vai ser engolida a qualquer momento. E eu, que sou super medrosa, confesso: pausei o jogo várias vezes porque o coração não aguentava.

Além disso, os recursos são escassos. O inventário é limitado, as salas de salvamento são poucas e os inimigos, apesar de não serem impossíveis, dão aquela sensação de “melhor correr do que gastar o pouco que tenho”. E olha, correr nesse jogo é quase um ato filosófico: às vezes, fugir também é sobreviver.

A dor escondida nos puzzles

Os puzzles de Heartworm não são só charadinhas para você brincar de detetive. Eles estão diretamente ligados ao tema central: o luto. Cada solução encontrada é como uma peça a mais do quebra-cabeça emocional de Sam. É como se o jogo dissesse: “sim, dói, mas olha só, você conseguiu dar o próximo passo”.

E eu achei isso tão… fofo! Sim, fofo! Porque, no fundo, o jogo segura a nossa mão enquanto fala sobre coisas que normalmente a gente tenta evitar: perdas, memórias, a finitude da vida.

Retrô de verdade, com cheirinho de nostalgia

O mais mágico em Heartworm é como ele consegue parecer um jogo perdido dos anos 90, mas ao mesmo tempo ter um coração super atual.

  • Os gráficos são de propósito cheios de polígonos quadradões.

  • As cutscenes têm aquele charme meio “engessado” do PS1.

  • E o som… ah, o som! Uma trilha sonora melancólica, quase doce, que combina com a sensação de estar explorando lembranças ao invés de apenas corredores escuros.

E eu confesso: quando ouvi o barulhinho da câmera disparando o flash, me arrepiei. É um detalhe pequeno, mas que tem uma carga emocional gigante.

Pontos que doeram (e não só no coração)

Como nada é perfeito, Heartworm também tem seus tropeços. Ele é curto demais. Dá para terminar em 4 a 6 horinhas, e isso deixou meu coração pedindo mais (e olha que normalmente eu reclamo de jogo longo).

Também encontrei uns errinhos de texto e o volume padrão do áudio é baixo – coisas pequenas, mas que poderiam ser ajustadas.

Ainda assim, esses defeitos parecem até parte da experiência retrô, sabe? É quase como soprar uma fita de Super Nintendo antes de jogar. Irritante, mas carinhoso.

Vale a pena?

Heartworm é muito mais que um survival horror. É um poema interativo sobre saudade, embrulhado em gráficos de PS1 e sons que ecoam como lembranças antigas. Ele te faz ter medo, mas também te faz pensar. Ele assusta, mas também abraça. No fim, eu terminei com aquela mistura de vazio e completude que só alguns jogos conseguem dar. Tipo quando a gente termina um livro favorito ou se despede de alguém na rodoviária sabendo que não sabe quando vai ver de novo.

Prós:

  • Atmosfera densa, triste e linda.
  • História sensível sobre luto e memórias.
  • Visual retrô que encanta fãs de PS1.
  • Sistema de câmera como arma – poético e criativo.
  • Trilha sonora melancólica e envolvente.

Contras:

  • Campanha curta demais (queria muito mais!).
  • Pequenos erros de texto.
  • Volume de áudio baixo por padrão.

Nota Final: 7/10

Se você gosta de jogos retrô, de narrativas carregadas de emoção, e de experiências que mexem com o coração ao mesmo tempo em que arrepiam a pele, Heartworm é uma joia rara. No fim das contas, eu diria que Heartworm é aquele tipo de jogo que não se joga só com os dedos, mas também com o coração. Prepare-se para sentir medo, mas também prepare-se para sentir falta.

Magali "Pixel" Susana

Magali "Pixel" Susana é pseudônimo (para evitar gente chata me procurando nas redes)! Gamer das antigas, da época que checkpoint era coisa de filme de ficção científica. Com um coração pixelado e uma paixão que atravessa gerações, ela escreve para quem ama videogames com alma. Se você é da era dos disquetes, vai lembrar de mim... ou sentir que sempre me conheceu.
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