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O gênero de jogos com zumbi parece que nunca sairá de moda, pois já estamos há um bom tempo recebendo periodicamente títulos onde temos de sobreviver em meio a um mundo que foi devastado por uma pandemia que transformou a maioria de seus habitantes em mortos-vivos.

Quando “Days Gone” foi anunciado, muitos jogadores ficaram animados pois estava ali a chance da Sony conseguir criar algo com essa temática, que tentasse repetir o estrondoso sucesso de “The Last of Us”. Não seria uma tarefa simples, mas o Bend Studio, famoso pela franquia “Syphon Filter”, que fez sucesso nos tempos do primeiro PlayStation, aparentemente tinha as ferramentas necessárias para realizar essa façanha. Se conseguiu isso, ou não, você saberá agora em minha análise.

No game, você é Deacon St. John, ex-membro de um clube de motoqueiros e um dos poucos sobreviventes do caos que veio a se instalar no planeta depois que misteriosamente algumas pessoas se transformaram em seres chamados de frenéticos, que nada mais são do que zumbis, só que mais rápidos e agressivos.

Além de Deacon, existe outro protagonista em “Days Gone”, que é a sua moto. Se trata de seu principal meio de transporte no jogo, mesmo porque você não pode abandoná-la e entrar em algum carro que achar pela estrada.

A moto tem sua própria barra de vida, que se zerada faz ela quebrar e Deacon tem de repará-la utilizando sucata que encontra pelo mundo do jogo. Gasolina também é uma necessidade, sendo essencial que você pare para abastecer a moto sempre que a oportunidade surgir, caso contrário poderá ficar a pé em algum lugar perigoso, tendo que empurrar a moto até um local seguro ou então andar em busca de galão de gasolina. Há também a possibilidade de pedir que reboquem a moto, desde que você pague.

O ponto ruim nesse aspecto de precisar abastecer a moto com frequência é que isso quebra um pouco o ritmo do jogo. Viagens rápidas também requerem uso de gasolina, ou seja, se não tiver o suficiente para ir do ponto X ao Y, precisará ir até um lugar mais próximo para abastecer, e somente aí seguir até onde deseja.

Há acampamentos aliados no jogo que você vai liberando enquanto progride na história. Neles você pode trocar ervas, carnes e troféus de frenéticos que obteve em suas jornadas, por créditos que são usados para comprar melhorias para sua moto, além de armas e munição para você.

A jogabilidade de “Days Gone” possui seus altos e baixos. Você tem sua barra de vida, barra de energia que é consumida quando você corre e também uma que é ativada assim que é utilizado uma espécie de sistema “bullet time”, que deixa tudo mais lento, facilitando mirar nos inimigos.

Há habilidades que você pode obter sempre que sobe de nível, focadas em sobrevivência, combate corpo a corpo e à distância. Também dá para aumentar suas barras de vida, energia e “bullet time” por meio de injetores escondidos em locais de pesquisa espalhados pelo mapa.

O tiroteio deixa muito a desejar, pois não existe um sistema de cobertura no game. Tudo que você pode fazer com relação a isso é se agachar atrás de um objeto. Um tanto estranho levando em conta que o personagem, além de motoqueiro, é um ex-militar. Entretanto, a furtividade funciona bem, desde que você, antes de abordar os inimigos dessa forma, primeiramente os marque com seu binóculo, pois dessa forma conseguirá ver se eles estão suspeitando de algo e também saberá para onde estão olhando e quanta vida eles possuem.

Não existe qualquer emoção no confronto direto nos acampamentos inimigos, pois a inteligência artificial é fraca, não requerendo muita habilidade por parte do jogador para ser sobrepujada. Dominar esses locais libera novos pontos de viagem rápida e ocasionalmente receitas que você pode usar para criar novas armas brancas, medicamentos e explosivos.

O melhor da jogabilidade ocorre somente quando você enfrenta os frenéticos. Existem dezenas de ninhos deles no mapa e destruí-los faz com que você consiga explorar uma determinada região com mais tranquilidade, mas é preciso tomar cuidado, pois ao fazer isso, eles saem dos ninhos e te atacam não importando onde você esteja.

Há locais, como cavernas, que eles usam para hibernar durante o dia, mas ficam desabitadas a noite pois é nesse momento que eles saem para se alimentar. Você tem de aproveitar essa hora para explorá-las, pois caso se depare com uma horda deles, dificilmente sobreviverá, especialmente durante as primeiras horas de jogo, onde você ainda não tem armas mais fortes.

Além dos frenéticos humanoides, há também animais desse tipo, como lobos e ursos, que se estiverem infectados são muitíssimo mais fortes do que suas versões normais.

Um dos grandes problemas de “Days Gone” é justamente esse. A história demora muito para focar nos frenéticos. O personagem Deacon é ótimo, pois tem muita personalidade (embora fale demais), só que colocam ele (e consequentemente, você) a maior parte do tempo enfrentando inimigos humanos, em missões repetitivas que envolvem quase sempre matar um determinado criminoso, espionar alguém, resgatar uma pessoa ou acabar com a ameaça de um acampamento inimigo.

Isso é uma pena, pois quando o game te coloca em situações onde os holofotes estão nos frenéticos, a diversão é garantida, mas infelizmente isso acontece menos do que deveria. As hordas são muito divertidas de serem enfrentadas e dizimadas, mas é um aspecto que leva horas demais até ser apresentado ao jogador.

Graficamente “Days Gone” é um show visual, com destaque para os cenários e principalmente o sistema climático, um dos mais impressionantes que já vi. Quando chove, por exemplo, a dificuldade para andar com a moto aumenta, pois as estradas ficam cheias de lama. Nevar faz a moto derrapar mais, e assim por diante. Outra coisa legal é que quando o tempo fecha, o número de frenéticos no mapa aumenta, portanto é mais seguro explorar quando o tempo está firme.

Algo que me frustou bastante no jogo, além da história que demora para ficar interessante graças a uma narrativa fraca e as missões repetitivas, é a imensa quantidade de problemas técnicos. São tantos que cheguei à conclusão de que o game deveria ter sido adiado novamente.

Mesmo após a atualização 1.04, liberada horas antes do lançamento, ainda me deparei com diversos bugs, alguns inclusive que me impediam de progredir em uma determinada missão ou objetivo.

Tem bugs de tudo que você pode imaginar. Buracos invisíveis no mapa, objetivos que não aparecem marcados (ou marcados nos lugares errados), cutscenes onde o áudio das vozes fica totalmente fora de sincronia com os personagens, texturas que demoram tempo demais para carregar, áudio da moto que some, inimigos presos nos cenários, impossibilidade de usar um determinado item e por aí vai.

A maioria desses bugs mais graves você consegue arrumar fechando e reabrindo o jogo, mas há alguns com os quais infelizmente você tem de aprender a conviver, pois são frequentes. Loadings muito longos, quedas frequentes na taxa de quadros por segundo (mesmo no PS4 Pro) e travadas também são aspectos do game com os quais você precisa se habituar caso se aventure pelo mundo de “Days Gone”.

Me deparei até com problemas técnicos envolvendo a utilização dos frenéticos para destruir acampamentos inimigos, um dos chamarizes do jogo em seus materiais de divulgação. Na primeira vez que fiz isso (patch 1.03), os frenéticos agiam como se os humanos não existissem, e vice-versa. Precisei de três tentativas até ver os frenéticos matarem todos no acampamento, ou quase todos na verdade, pois quando faltavam somente dois, o bug voltou a acontecer.

Aliás, essa situação ressalta novamente aquilo que falei parágrafos atrás, de que o jogo foca pouco nos frenéticos, pois são incrivelmente raras as vezes onde você consegue usá-los para matar inimigos humanos.

CONCLUSÃO

Eu tentei muito gostar de “Days Gone”, mas são tantos os problemas do jogo que isso acaba se tornando uma tarefa impossível. Não são apenas os defeitos na narrativa e na jogabilidade que minam a experiência, mas a grande quantidade de bugs (alguns graves), que me fizeram concluir que o game deveria ter sido adiado mais uma vez, para que estes erros fossem corrigidos.

Prós

  • Gráficos impressionantes
  • Sistema climático chama a atenção
  • Jogo diverte nas poucas vezes em que foca nos frenéticos
  • Bom protagonista

Contras

  • Não consegue manter uma taxa de quadros constante
  • Jogabilidade com as armas de fogo deixa a desejar
  • Loadings algumas vezes muito demorados
  • Quantidade inaceitável de bugs para um produto final, mesmo com patch de lançamento
  • História maçante, com narrativa fraca
  • Pouca variedade nas missões, deixando-as repetitivas

NOTA – 6.0

Uma cópia do jogo foi fornecida pela Sony para elaboração desta análise