Share Button

A IO Interactive passou por um dos maiores desafios de toda a existência do estúdio. Pela primeira vez desde que foram comprados pela Eidos em 2004, lançaram um jogo de forma independente, que é o Hitman 3. Não bastasse a pressão de lidar com todos os aspectos disso, desde o marketing até o desenvolvimento por conta própria, os dinamarqueses da IOI ainda tiveram que encarar todos os problemas causados pela pandemia de Covid-19 no último ano de desenvolvimento do projeto.

Se por um lado o risco foi enorme, por outro pelo menos a sequência seguiu sem muitas alterações, o que já se viu nos dois jogos anteriores, que foram um reboot da série. Tão bom quanto os seus antecessores e fechando essa nova trilogia com maestria, Hitman 3 abre o ano de 2021 com muita qualidade.

Continuação do que dá certo

Assim como nos outros jogos da franquia, Hitman 3 coloca o jogador na pele do Agente 47 em diversas áreas do globo, sempre em busca de um novo alvo para assassinar. Cada fase é um playground construído em cima da base sólida de gameplay da franquia, onde o jogador tem liberdade total para decidir como vai abordar o contrato.

Os primeiros minutos em qualquer cenário da franquia são de descobrimento. Trocando de disfarce com as centenas de NPCs do local, o Agente 47 vai ganhando acesso a novas áreas, descobrindo novas histórias e chegando mais perto do seu alvo. Decidir a abordagem e ver como o ambiente reage é uma das coisas mais divertidas e únicas no mundo dos videogames atualmente. Tudo ao redor pode ser usado de alguma fora, seja envenenar um copo ou comida que vai ser servido a alguém importante ou coisas mais absurdas, como destruir toneis de vinho e eletrocutar o alvo que vai tentar salvar seu patrimônio de forma desesperada.

Como há dezenas de formas de matar o alvo e o jogo cria desafios recompensadores, como tentar executar o alvo sem trocar de disfarce ou alertar guardas, o fator replay tende ao infinito. Somente a primeira fase dessa terceira temporada, joguei novamente cerca de um dezena de vezes, sempre me surpreendendo com o que é possível fazer com o ambiente.

Tudo isso, se você já conhece essa nova trilogia, não é novidade. O grande chamariz aqui é continuar o que deu certo de uma forma ainda mais profunda e trabalhada. Na segunda missão, por exemplo, onde precisamos assassinar um alvo em uma mansão chamada Dartmoor, é possível se disfarçar de detetive e desvendar um assassinato extremamente bem trabalhado para chegar até a matriarca da casa; no melhor estilo do filme Knives Out. O resultado é tão divertido e recompensador que chega a dar vontade de jogar um game inteiro que foque somente nessa pegada.

A fase seguinte em uma boate na Rússia espanta pelo número de NPCs e seus comportamentos realistas e interessantes. Depois vem uma fase com verticalidade e drones na China. É uma missão melhor que outra, com um final digno de filmes do James Bond, que aliás terá um jogo feito pela própria IOI. São seis níveis complexos, criativos e que estão entre os melhores da série.

De ponto negativo fica a simplicidade da história, que é contada por cutscenes bem rápidas entre os capítulos, como sempre. Nessa parte, até o polimento das cenas é bem inferior ao resto do jogo. Não dá tempo de aprofundar muito os personagens, mas também não compromete já que ocorre uma surpresa até interessante no arco do agente quase sempre.

Melhorias gráficas para todos os capítulos

Hitman 3 conta com diversas novidades no seu motor gráfico Glacier. Dessa vez eles abriram mão totalmente do DirectX 11 e focaram somente no 12. Isso trouxe uma performance bem sólida, principalmente para o uso da CPU. No PC, o jogo roda tranquilamente em sessenta quadros (60 fps) e 4K em placas consideradas intermediárias. Os novos consoles, PS5 e Xbox Series X, também fazem bonito, com o da Sony utilizando resolução dinâmica e o da Microsoft apresentando 4K nativo e sombras mais detalhadas.

Além de gráficos mais refinados para os seis capítulos dessa terceira temporada, é possível também jogar os capítulos dos dois jogos anteriores se você tiver eles na sua biblioteca. Todos receberam melhorias significativas de performance e iluminação. Até mesmo o peso do jogo no HD foi reduzido, com otimizações de armazenamento que são super bem vindas, principalmente nos dois novos consoles que sofrem com falta de espaço, Series S e PS5.

Ray Tracing ainda não está presente no pacote, mas já foi prometido para algum momento deste ano e vai chegar também aos consoles.

Para quem está pensando se vale a pena começar a franquia agora, diria que é o melhor momento, com todos os capítulos juntos e na melhor qualidade e desempenho possíveis.

Conclusão

Hitman 3 conclui majestosamente a nova trilogia do Agente 47 e deixa a IOI em uma posição ainda melhor para os seus futuros projetos. Mesmo com os problemas da Covid e o fato do estúdio estar independente pela primeira vez em décadas, o resultado é de impressionar. Os seis níveis dessa terceira temporada estão entre os melhores da franquia, com um fator replay quase infinito. As possibilidades de abordagem para o jogador ajudam a tornar o jogabilidade de Hitman em uma das mais únicas e repletas de liberdade da indústria.

Prós

  • Gráficos refinados
  • Performance acima da média
  • Níveis entre os melhores da série
  • Fator replay quase infinito
  • Liberdade total para o jogador

Contras

  • História é contada com cutscenes de forma pouco polida e muito simplificada

Nota: 9,0

Para ler nossa análise da versão de Hitman 3 para PS4 e Xbox One, acesse este link.