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Em um mundo onde os recursos naturais são cada vez mais importantes, a balança que contrasta o meio ambiente e desenvolvimento foi ficando cada vez mais desequilibrada. A vida marinha, que sofre como depósito de lixo há séculos, sendo servida nas mesas de todo o mundo e que também é fonte de recursos naturais, como o petróleo, é uma das mais afetadas pela ação humana.

Man Eater, de forma às vezes cômica e em outras vezes crua, tenta fazer uma crítica a essa exploração inconsequente dos mares. Há sequências divertidas de violência na pele de um tubarão vingativo, com paisagens poluídas, vilões e pequenos trechos de narração que alertam para um perigo que já é uma realidade: o do desequilíbrio irreparável do meio ambiente.

O mar não está para peixe

Os primeiros segundos do Man Eater já mostram como o oceano está sendo massacrado pela humanidade. No tutorial você controla um tubarão grande e poderoso, uma fêmea cheia de cicatrizes da vida. Só que essas marcas não foram conquistadas lutando com outros predadores, foram geradas fugindo dos lixos e túneis de esgoto que passam por cima do seu habitat.

Após fugir de um labirinto de canos de esgoto, é hora de liberar a fúria. Sem muito o que comer e com um filhote na barriga, os humanos na praia viram seu próximo alvo. Comê-los, como diz o narrador, torna o animal viciado na carne humana, o que casa perfeitamente com a proposta do jogo.

Para o azar do animal, neste dia ela deu de cara com o Pete, um lendário caçador de tubarões e vilão do jogo. Tentando ensinar a arte para o seu filho, ele consegue capturar o nosso personagem e protagoniza uma cena bem pesada, onde arranca o filhote da mãe de dentro da sua barriga com uma faca, o marca com um corte para o futuro e o joga na água.

A partir dai você está por conta própria e jogo começa de verdade. Sobreviver, crescer e evoluir usando os recursos que o mar oferece e se vingar são os principais objetivos do jogo.

Toda a pequena parte narrativa, que é bem bobinha e direta, é contada como se fosse um daqueles programas da Discovery Channel, acompanhando pescadores em alto mar e os dramas com a sua tripulação. O narrador tenta ser engraçado, mas raramente consegue e a dublagem em português faz você perder várias das piadas, já que algumas nem fizeram muito sentido.

Comer para poder crescer

O núcleo da jogabilidade é comer para acumular nutrientes e crescer. O pequeno tubarão cabeça chata que você controla pode comer alguns pequenos peixes e tartarugas no início, mas também é vulnerável a predadores maiores, como jacarés ou mesmo outros tubarões.

A cada peixe que você come, uma certa quantidade de um destes quatro nutrientes – gordura, proteína, minerais e mutagênicos – é preenchida. Para acelerar esse ganho, há as missões do jogo e toda uma infinidade de pontinhos no mapa, bem no estilo genérico de mundo aberto que conhecemos. Quanto mais missões você completa e presas abate, mais níveis vai ganhando com o seu tubarão que pode evoluir para adolescente e continuar crescendo até o nível Mega, onde se transforma em um predador apex dos mares.

Nesse meio termo está uma das partes mais interessantes do jogo, que é literalmente evoluir seu tubarão, como se ele estivesse passando por milhares de anos de seleção natural. De acordo com as missões que você completa, pode ganhar partes para o corpo do animal, como barbatanas de pedra, ou com habilidades bio-elétricas. Gastando os nutrientes que você coleta, dá para ficar cada vez mais forte, criando uma espécie de “build” focada para o tubarão, com atributos como defesa, ataque e velocidade. Uma pena que há poucas opções, sendo apenas três conjuntos no total.

Com um tamanho maior e mais habilidades, você começa a superar os desafios locais, vencer predadores cada vez maiores e aguentar a perseguição de caçadores humanos, que aparecem sempre que você massacra banhistas ou pescadores espalhados por aí.

Música de uma nota só

Em 90% da aventura, que é bem curtinha, durando menos de 10 horas para fazer absolutamente tudo que o mapa oferece, o ciclo é sempre esse. Vá para uma missão de matar 10 aqui, passe para outra de comer 10 acolá e vá crescendo até poder enfrentar um chefe da área e encontrar uma nova pista sobre o Pete.

Os controles são bem simples. Com os analógicos você controla a direção do tubarão e com os gatilhos suas principais ações, como morder, desviar e acelerar. Entre as diversas ações possíveis, está viajar somente com a barbatana para fora d’agua, causando o terror nos banhistas que vão virar sua próxima presa, o que é bem legal.

O que deixa a desejar é o combate, que tem a câmera bem confusa e inimigos que fazem sempre a mesma coisa, não importa a raça do animal. Nessa parte do combate marinho, o inimigo vai sempre ter um ataque de investida, que se você desviar deixa ele vulnerável, e uma rabada ou ataque curto para evitar que você fique abusando das mordidas sem se movimentar. Fica bobo ao ponto dos níveis não importarem muito, desde que você tenha paciência para bater por vários minutos em um inimigo bem maior que o seu tubarão.

No caso dos humanos, que aparecem na forma dos caçadores, a variedade é somente nos barcos e armas. Eles se comportam de forma igual, indo na sua direção em linha reta e atirando. Por vezes é engraçado ver uns cinco barcos no mesmo metro quadrado, se colidindo por não saberem desviar uns dos outros enquanto te caçam.

Caso o seu tubarão esteja enorme e poderoso, é possível ficar lutando por muito tempo, quebrando barcos um atrás do outro, sendo este um jeito bem simples e efetivo de ganhar níveis rápido, inclusive. Como o jogo tem pouco conteúdo, você chega a Mega rapidamente, o que deixa essa repetição que vai até o final ainda mais cansativa, já que antes da metade do jogo você já consegue o máximo de evolução.

Mesmo sendo divertido nadar por aí e comer tudo que aparece, Man Eater acaba sendo uma música de uma nota só, que não fica insuportável por acabar bem cedo. Por um lado é bom, mas por outro faz o preço não compensar para quem não aproveitá-lo agora que está na PS Plus do PS5.

Conclusão

Man Eater é um jogo que tenta fazer uma crítica contundente aos danos que a humanidade vem causando ao meio ambiente, principalmente na vida aquática. A parte visual mostra um mundo marinho à beira do colapso e toda a aventura leva para uma vingança da natureza contra o seu malfeitor. Na parte da jogabilidade o jogo deixa bastante a desejar, havendo pouca variação e conteúdo. Crescer o seu tubarão e evoluí-lo é bem legal, mas sem muita profundidade e variação isso acaba perdendo o combustível muito cedo, deixando o jogo meio sem graça do meio para frente. Indicamos apenas para quem for pegar agora PS Plus ou em uma boa promoção.

Prós

  • Vida marinha bem variada
  • Nadar com a barbatana para fora da água, causando terror nos banhistas
  • Customizar e evoluir seu tubarão

Contras

  • Missões sem graça e repetitivas
  • Mundo aberto sem variação de atividades e genérico
  • Pouco conteúdo para evolução do tubarão
  • Desbalanceado no ganho de experiência
  • Combate que sofre pela câmera mal implementada e pouca variação de movimentos

Nota: 7.0