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Análise | New World falha mais do que acerta e acrescenta pouco para o gênero MMO

O mercado de MMORPGs sempre teve espaço para novos títulos, mas poucos realmente trazem algo novo e engajam uma comunidade por muito tempo. Jogos como World of Warcraft e Final Fantasy XIV movem dezenas de milhares de pessoas a cada expansão ano após ano, embora atualmente o jogo da Blizzard já não esteja tão badalado quanto em outras épocas. Já outros tiveram um começo interessante e logo em seguida somem tão rápido quanto apareceram, e New World dá toda a pinta de ser mais um desses.

Início promissor em Aethernum

O começo da jornada em New World, como em todo MMORPG, é empolgante e traz aquela sensação de expectativa pelo que está por vir. Seu personagem naufraga em uma ilha mágica, Aethernum, e a promessa é por tesouros e poderes inimagináveis escondidos por todas as regiões. Também há um perigo silencioso onde a história tenta ser construída, a corrupção que afeta tudo na ilha.

O primeiro destaque vai os gráficos, que são bonitos e muito superiores ao que se espera dos visuais de um MMO. Isso é fruto da Lumberjack Engine, o motor gráfico da Amazon que foi baseado na Cry Engine. As paisagens são variadas, a iluminação competente e há sempre muita coisa preenchendo a tela. Toda essa exuberância, claro, depende do poder do seu PC.

Com um tutorial rápido, logo após montar o seu personagem em um sistema de criação bem limitado, também somos apresentados para outro elemento interessante do jogo: o combate. Diferente dos padrões simplistas da maior parte dos concorrentes, New World optou por um combate de ação mais robusto, que conta com bloqueio e esquiva feitos pelo jogador e é elevado por inimigos que também são mais inteligentes do que se espera para um jogo deste gênero.

Ao chegar na ilha e começar a fazer as primeiras missões, uma segunda vertente do jogo já se abre, e mescla ela com os elementos de sobrevivência. Em questão de minutos, você já estará coletando diversos recursos pelo mapa para fazer os seus próprios equipamentos em forjas. Em vez de apenas meia dúzia de recursos se repetindo pelo mapa, toda Aethernum é repleta de minérios, plantas e animais para caçar, coletar pele, e muito mais.

Os primeiros níveis são promissores e causam boa impressão, como você deve ter visto já desde as prévias do jogo, mas toda essa premissa logo perde o fôlego e o que resta é mais do mesmo e muita, mas muita repetição.

Grind insano e cansativo

É interessante como todos esses elementos que se apresentam no início da jornada vão perdendo suas virtudes com o passar do tempo.

A bela ilha, que conta com paisagens bem diversificadas e gráficos interessantes, fica plana e sem vida após algumas horas. Muito disso é por conta de abordagens pobres nas mecânicas de travessia. Sem montarias ou um sistema de viagem rápida gratuito, o jogo vai te obrigar a andar bastante entre um ponto e outro. Isso acaba favorecendo a exploração, mas não há recompensa por isso. A pouca variação de inimigos faz com que incursões pela ilha pareçam repetitivas e pouquíssimas áreas do mapa guardam alguma surpresa interessante que realmente façam as longas caminhadas valerem a pena.

O combate de ação é minado pelo sistema ruim de atributos, que é extremamente limitador e joga contra a premissa de classe fluida. É possível escolher em quais armas focar e os atributos que servem para elas são de lei, sair deles é ineficiente e há pouco espaço para experimentação. O jogo permite redistribuir os pontos a qualquer momento por uma quantia pequena de moedas, mas o verdadeiro problema é que mesmo trocando as suas armas, o combate parece evoluir pouco e o uso de habilidades repetidas contra os mesmos inimigos por centenas de horas torna o processo de esquivar e defender mais chato do que o de clicar e deixar bater com barras de magia de outros jogos.

Como todas as melhorias são feitas com a criação dos seus próprios itens e a maior parte das missões de facção envolvem coletar recursos, você passa muito tempo de jogo cortando madeira, extraindo minérios ou caçando animais por regiões. É extremamente cansativo, sem alma e o problema fica ainda mais nítido quando se leva em conta que as outras missões, focadas na história ou combate, são pobres, curtas e igualmente repetitivas.

Para chegar até o nível 60 são necessárias quase 100 horas para a maior parte dos jogadores e no fim a sensação é de que não valeu a pena de forma alguma.

Conteúdo de fim de jogo decepciona

O foco do endgame de New World está nas facções do jogo, que lutam para dominar as várias regiões do mapa. Uma região dominada rende recursos para a facção, já que há cobrança de taxas para utilizar os principais equipamentos de criação disponíveis no mapa.

Durante a jornada até o nível 60, é possível ajudar sua facção com diversas missões, mas as verdadeiras batalhas de PvP (Jogador vs. Jogador) para garantir o domínio das áreas, declarar guerra a outros grupos e obter acesso aos equipamentos de facção são reservadas para quem consegue chegar no nível máximo.

Há também expedições, que são os calabouços (dungeons) do jogo, que no geral vão te colocar contra mais monstros repetidos e alguns chefes. A parte legal fica por conta da quantidade boa de recompensas e recursos que isso garante. De ruim fica a duração pequena de cada uma (geralmente menos de uma hora), principalmente se comparadas ao tempo gasto coletando recursos simples pelo mapa, algo que é necessário constantemente mesmo após atingir o nível máximo.

É interessante fazer parte de algo maior e contribuir para o sucesso da sua facção, mesmo que com mais grind e repetição de áreas. No entanto, há poucas novidades que justifiquem investir ainda mais tempo no jogo, principalmente de história, que é rasa e não tem apoio das missões mesmo durante a jornada até o nível máximo. A sensação é de que a maior parte dos jogadores vai largar a jornada bem antes de experimentar a parte final do conteúdo.

Conclusão

New World é um marco para a Amazon, mas passa longe de ter um impacto relevante dentro do seu gênero. Os seus pontos mais legais são rasos e o que sobra é o padrão saturado que já vimos na maior parte dos MMORPGs do mercado, mas sem um conteúdo narrativo marcante. A baixa qualidade das missões e o pouco conteúdo de fim de jogo não justifica dedicar centenas de horas maçantes em Aethernum.

Prós

  • Gráficos acima da média para um MMO
  • Combate focado na ação
  • Sistema de criação de itens é engajador por um tempo

Contras

  • Pouca variedade de inimigos
  • Missões repetitivas e sem inspiração
  • Narrativa é fraca
  • Conteúdo endgame é raso e não justifica o tempo gasto na campanha
  • Coletar recursos é extremamente cansativo

Nota: 6.5/10.0

Uma cópia do jogo foi fornecida pela Amazon Games para a elaboração desta análise

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