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Um novo título de Nioh era inevitável. O primeiro game foi um sucesso considerável no PlayStation e mais tarde repetiu a dose no PC. Por conta disso, Nioh 2 chega para consolidar a série de vez e se tornar, dentro do gênero, o titulo que mais chega perto das obras-primas da From Software.

Com mudanças significativas, o jogo ainda assim conseguiu manter a essência do que o fez especial. Os combates rápidos e com variáveis quase incontáveis para o jogador explorar foram ainda mais polidos. Se por um lado a diversão quase masoquista da saga está mantida, por outro, no que diz respeito a narrativa, o resultado é bem menos empolgante.

A unificação e a origem do mal

Nioh 2 se passa anos antes do primeiro jogo. Se na aventura de Willian a gente descobriu um Japão dividido após o domínio de Nobunaga Oda, aqui o “daimyõ” japonês ainda era apenas um jovem senhor que sonhava em unificar o seu país.

No protagonismo você encarna um personagem neutro, criado do zero em um dos sistemas de criação de personagens mais robustos da geração. Com gráficos de tirar o fôlego na hora de editar, fica fácil gastar mais de hora ajeitando cada detalhe do seu samurai. Sabendo do potencial desse sistema, a Team Ninja criou uma forma inteligente de compartilhar os códigos de criação entre jogadores. Nessas semanas após o lançamento, você já encontra sub reddits repletos de personagens famosos recriados para o Nioh 2.

Há algo de especial no seu personagem, que não é completamente humano. Filho de uma Yokai com um humano, nosso protagonista tem sangue de demônio, o que o fez viver recluso até o chamado para a aventura. Por conta deste sangue mestiço, ele carrega um leque de habilidades e capacidades que Willian não possuía, como conversar com os demônios ou mesmo se transformar em uma criatura poderosa para ficar ainda mais forte.

A premissa para a história é ótima e a princípio empolga bastante, especialmente porque conta como foi o primeiro contato dos personagens desse mundo com a Amrita, pedra do jogo que dá poderes especiais para humanos e yokais e se torna a origem do mal da franquia. No entanto, com um protagonista mudo e a forma picotada de Nioh para contar a trama, você logo vai começar a achar tudo meio bagunçado e sem muito rumo. O que poderia ser uma grande epopeia sobre a unificação japonesa misturada com as lendas dos demônios da saga se torna algo insosso e que por vezes só atrapalha a ação.

Se a história não engrena, a ambientação agarra o papel de destaque e faz bonito. A princípio, as fases são bem mais voltadas para a natureza, com florestas e montanhas como pano de fundo. É uma viagem memorável ao Japão e cheia de aprendizados, já que no mapa de seleção você pode navegar com o ponteiro e descobrir pontos históricos famosos do país.

Com o tempo, ao lado de Nobunaga na tentativa de unificação, essa ambientação se volta para castelos, grandes propriedades e campos de batalha, o que deixa em cada nova missão um novo local interessante para explorar e apreciar.

Console base sofre

Para quem for jogar em um PlayStation base, como eu, se prepare para fazer uma escolha difícil. Como o jogo é mais pesado que o anterior, o console sofre bastante para conseguir entregar uma experiência no mínimo agradável. Assim que o Nioh 2 iniciar, você será perguntado se quer utilizar o modo performance, que foca nos 60 fps, ou no modo fotográfico, que foca nos gráficos.

Independente da sua escolha, você irá sacrificar mais do que espera. No modo performance o jogo fica bem borrado, com problemas de serrilhados e ainda assim fica abaixo dos 60 fps em vários momentos. O modo fotográfico decepciona ainda mais, já que não consegue manter os 30 frames também e dificulta muito a fluides do combate. Eu encarei o jogo no modo performance por não abrir mão da jogabilidade rápida da franquia, mas posso dizer que não foi, nem de longe, uma experiência visual das mais marcantes.

Combate difícil, mas justo

Se você for na página de download no Nioh 2 na PSN, vai encontrar uma descrição inovadora dos desenvolvedores. Segundo eles, mais que um jogo hardcore, Nioh 2 foi feito para um tipo de público específico, que eles chamam de “Masocore”. Tudo isso porque o jogo está insanamente difícil nos primeiros capítulos e vai exigir que você conheça e domine muita coisa para enfrentar os chefes mais difíceis.

Ainda bem que, embora difícil, Nioh 2 é sempre justo. Há habilidades melhores que outras para cada momento, perícias que precisam ser dominadas e pontos fracos que precisam ser aprendidos. Sempre que rola uma morte, e acredite, elas vão rolar aos montes, você tem certeza que a culpa foi sua. Há um excesso no uso de inimigos que atacam à distância, na minha opinião, mas é algo que você também se adapta com o tempo.

O leque de opções que o jogo oferece para o jogador na hora de criar o seu estilo de jogo é enorme. Além dos diversos tipos de armas do primeiro jogo, que também estão presentes aqui, há duas adições: a foice borbolete e as machadinhas duplas. Essas opções são, como as outras, viáveis para completar a campanha e totalmente únicas na forma de jogar.

Além das diversas armas, você tem espíritos guardiões para escolher, diversas armaduras para forjar, encontrar e encantar, três formas de Yokai para dominar, habilidades diversas de ninja, samurai, mestiço e outras mais, um clã para se filiar e ganhar bônus além de títulos para buscar que também rendem atributos. Isso torna o jogador totalmente dono do seu estilo, podendo mesclar o que achar melhor para fazer um samurai lendário.

O resultado é um fator replay imenso. Por vezes eu resetei a minha build apenas para ver se conseguia gerar mais dano com outra ou experimentar uma arma nova que me interessou no momento. O que os gringos chamam de “Player Expression”, a expressão da moda para jogos que dão liberdade para o jogador se expressar, aqui se encaixa perfeitamente.

A novidade mais impactante é o uso das essências de Yokai. Ao derrotar um desses demônios, você tem a chance de capturar a sua essência, que serve para utilizar uma de suas habilidades ao custo de “Anima”, uma barra nova que fica abaixo da de estamina. Isso abre ainda mais o leque de opções, especialmente porque o mundo agora conta com zonas amaldiçoadas pelos Yokai. Nestes locais a sua estamina vai diminuindo com o tempo, mas a recuperação de Anima é maior, incentivando o uso dessas habilidades para vencer os monstros mais difíceis.

Há ainda várias melhorias no aspecto online do jogo. Agora, em vez de só lutar contra os espectros de outros jogadores que morreram, é possível também invocar espectros deles em locais que foram colocados túmulos azuis pelos próprios jogadores. É uma ajuda muito bem vinda para lidar com o combate e por vezes uma saída fundamental para enfrentar chefes mais parrudos.

Por falar nos chefes, eles estão bem menos perigosos que o caminho até chegar neles. Os dois primeiros, especialmente a cobra, são insanamente difíceis, mas a curva vai se achatando no decorrer do jogo e com as novas habilidades adquiridas, eles vão ficando cada vez mais toleráveis, pelo menos até o conteúdo endgame.

Punitivo mas justo, cheio de opções para deixar o estilo do samurai da forma como o jogador quer e mais rápido do que nunca, o combate do Nioh 2 é um dos melhores da geração e vai servir de inspiração para muita gente no futuro.

Conclusão

É difícil dizer se Nioh 2 supera seu antecessor, já que embora tenha alguns errinhos novos na narrativa, compensa com mais opções para o jogador no combate. O criador de personagens é robusto e chama a atenção, contribuindo bastante para que o jogador se expresse no visual do seu samurai. Difícil como nunca, mas justo, Nioh 2 te convida para uma jornada épica de unificação do Japão enquanto enfrenta demônios poderosos e desperta os seus poderes mais ocultos. Uma pena a performance não ajudar muito. Recomendadíssimo.

PRÓS

  • Muitas opções para criar seu estilo de combate
  • Criação de personagens robusta
  • Ambientação convincente
  • Difícil, mas justo

CONTRAS

  • Performance ruim no PS4 base
  • Protagonista mudo
  • História mal contada

NOTA – 8.5