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Resident Evil Resistance é o modo multiplayer do remake de Resident Evil 3. Funcionando como um jogo totalmente separado, ele foi incluído no pacote para dar volume, já que a campanha solo, conforme descrevemos em nossa análise, é bem curtinha.

Com uma premissa simples, o jogo coloca um dos jogadores como o vilão em um local, no melhor estilo jogos mortais, e outros quatro como cobaias que precisam escapar de salas preparadas para transformar a vida deles em um inferno. Com altos e baixos, problemas de servidores e muita dependência de cooperação, o jogo não deve agradar a todos, mas tem potencial para ser bem melhor no futuro.

Primeiros passos confusos

Assim que você abre Resident Evil Resistance, é convidado a fazer uma série de tutoriais que te ensinam tanto a ser um dos sobreviventes quanto o vilão por trás dos testes macabros da Umbrella. Ao jogar com os sobreviventes, a dinâmica é bem parecida com a das campanhas tradicionais da franquia: câmera nas costas, atirar nos zumbis e resolver quebra-cabeças que abrem portas para as próximas salas. Já o vilão tem uma jogabilidade totalmente diferente da convencional. Controlando as câmeras, ele pode invocar zumbis, carnífices (lickers) e até tiranos (tyrants) para destruir as esperanças dos sobreviventes, trancar portas para que eles não acessem salas facilmente e diversas outras armadilhas.

No tutorial, tudo funciona muito bem, o problema é quando a ação rola de verdade. Sem cooperação entre os sobreviventes, é praticamente impossível se dar bem por aqui. Nas suas primeiras partidas o resultado será provavelmente sempre a vitória do vilão, já que quase ninguém conhece os mapas, a comunicação na maior parte das vezes é escassa e muitos focam apenas em matar inimigos.

O objetivo é escapar da sala antes do tempo acabar e para isso é preciso juntar peças que abrem uma porta ou destruir geradores que a mantém trancada. São três rounds assim até que os sobreviventes consigam vencer. O papel do vilão é dificultar a vida deles de todas as maneiras e sempre que conseguir causar dano ou matar um personagem, vai diminuir o marcador de tempo dos sobreviventes. Quando o contador zerar, o vilão vence.

Para balancear a partida, já que o vilão é para lá de poderoso, cada sobrevivente tem alguma habilidade especial que pode servir para ajudar o grupo com recursos, derrotar inimigos ou atrapalhar a visão do antagonista. Com o tempo, você pode ir liberando mais habilidades e melhorias para os seus sobreviventes ou vilão antes das partidas, por meio de caixinhas compradas com dinheiro adquirido dentro do próprio jogo.

Jogos multiplayer assimétricos geralmente dependem bastante de balanceamento. Em vários casos, o que torna a experiência desastrosa é o lado que têm apenas um personagem ficar forte demais. No caso de Resident Evil Resistance, a falta de equilíbrio não está nas possibilidades de vitória e sim na diversão, já que com um time que trabalhe unido é possível vencer. Na maior parte das vezes, jogar com o vilão será sempre mais recompensador e renderá boas risadas vendo o desespero dos sobreviventes. Já entre eles você vai, no geral, se irritar com um time que não coopera e verá seu tempo derreter sem conseguir completar os objetivos.

A premissa é boa, mas o resultado final nem tanto. Quando o jogo vinga e os sobreviventes trabalham juntos para escapar, algumas partidas podem ser memoráveis. Mas até isso ocorrer e, especialmente, até o jogador entender todas as mecânicas, demora muito para engrenar e a probabilidade de largar o jogo é muito grande.

Mapas variados

Embora mais seja sempre melhor, há uma certa variedade entre os mapas de Resident Evil Resistance que chama a atenção. Ambientados em vários cantos de Raccoon City, o jogador vai se ver dentro de um cassino, um museu de cera e, claro, um laboratório da Umbrella. Todos são interessantes e contam com um design de nível que exige atenção para não se perder.

Cada mapa possui locais chave que contém os melhores itens e que podem abrigar os meios para abrir a porta para o próximo andar. Para os sobreviventes, resta dominar cada um deles evitando voltas desnecessárias, já que rodar em círculos vai significar topar com inimigos e perder o tempo precioso.

Infelizmente, mesmo com essa variação legal de cenários, com pouco tempo de jogo já fica aquele gostinho ruim da repetição. Os objetivos variam muito pouco de um mapa para outro, não há aquela vontade de continuar jogando por horas e, principalmente, de voltar no dia seguinte, o que, como sabemos, é um desastre para jogos multiplayer.

Com novos conteúdos prometidos, que variam de novos personagens (Jill foi adicionada recentemente), até novos mapas, o jogo deve ter uma sobrevida e melhorar bastante com o tempo. Resta saber se ainda haverá jogadores para mantê-lo relevante.

Dificuldade para jogar

O desenvolvimento ficou com a Neobards Entertainment, uma parceira da Capcom que portou alguns de seus jogos para o Switch. Embora o jogo em si esteja bonito e com uma qualidade visual idêntica aos dois últimos remakes, os controles deixam bastante a desejar.

O feedback das armas é estranho e, também por conta do netcode, dá a impressão que o dano surge depois do disparo “entrar” e que algumas vezes o tiro nem acerta. Não dá para cravar se isso é somente por conta do código do jogo ou se tem muito a ver com os servidores. Fato é que para nós, brasileiros, o jogo ainda não está redondo.

Outro problema é a criação de partidas, que por vezes demora demais. Nos primeiros dias o número de jogadores era maior e os grupos eram formados rapidamente. Hoje, já tem jogos que passam dos 4 minutos para serem encontrados. Com apenas algumas semanas de lançamento, é difícil ter um cenário mais otimista para o futuro.

Conclusão

Resident Evil Resistance foi prometido como um complemento para Resident Evil 3 que adicionaria uma boa camada de conteúdo e manteria os jogadores entretidos por muito tempo. No entanto, com mecânicas confusas e muito dependente de um bom entrosamento de um dos lados, acaba sendo mais um multiplayer assimétrico que chega desbalanceado, principalmente em diversão. Os mapas até são variados, mas como os objetivos são sempre muito parecidos, o gostinho da repetição chega logo e acaba minando a vontade de jogar de novo ou se deseja voltar no dia seguinte.

Pros

  • Personagens da franquia estão presentes e o sistema de classes é bem feito
  • Jogar com o vilão é muito divertido
  • Em uma partida com um bom time o resultado pode ser memorável

Contras

  • Problemas com o netcode e responsividade dos controles
  • Muito dependente de um time coordenado para os sobreviventes
  • Objetivos repetitivos
  • Mecânicas confusas e pouco recompensadoras para um jogador de primeira viagem

Nota: 7,0

Uma cópia do jogo para PS4 foi fornecida pela Capcom para elaboração desta análise