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Análise | Riders Republic acerta com diversão radical e variedade

A Ubisoft utiliza sua fórmula de mundo aberto e monetização em basicamente todos os jogos que produz e, em vários deles, ela tem se mostrado cansada e batida. Riders Republic também utiliza muito desta mistura, mas, por incrível que pareça, aqui ela funciona e diverte por quantas horas o jogador estiver disposto a entregar nas montanhas de neve ou terra do seu mundo aberto.

Divertido, variado e casual

Imagine uma mistura de Steep e The Crew, com a pegada radical e cheia de atitude do primeiro, com a variedade de atividades e locais para explorar do segundo. Isso é basicamente Riders Republic.

Após um tutorial maior do que deveria, o jogo finalmente te liberta em um mundo aberto repleto de desafios e lugares para conhecer. A forma como você vai atacar tudo isso é bem livre e permite variar entre corridas, disputa de manobras e pontinhos clássicos no mapa como locais de interesse e uma porção de colecionáveis.

A progressão é bem “ubisoftiana”, com aquela lista de pontos para concluir estando escancarada na sua cara no mapa e linhas que marcam até a próxima atividade. A diferença é que aqui elas são muito mais variadas e interessantes do que invadir a centésima base em um Far Cry, por exemplo. O leque de opções passa por snowboarding, esqui, mountain bike e até mesmo wingsuits com jatos acoplados para você cortar os céus.

Os controles são simples e permitem mudanças para se adequar ao estilo do jogador. Se o foco é fazer corridas, há uma versão própria, que permite mais controle da câmera e frenagem. Já para quem decide jogar no modo “Tony Hawk” de ser, há também uma versão com foco nas manobras, permitindo mais opções de controle das maluquices aéreas que são possíveis de fazer.

Embora haja sim um desafio para quem busca, no geral o jogo é bem recompensador e pouco frustrante. Manobras encaixam de forma fácil e podem ser elencadas uma atrás da outra de forma criativa. Há até a opção de pouso automático, que dá menos pontos mas garante que os novatos se divirtam sem esborrachar o personagem a todo momento até pegar o jeito da coisa.

O que chama a atenção é que os controles no geral são bem responsivos e a jogabilidade nunca parece travada ou irregular de acordo com sua velocidade ou tarefa. Claro que há alguns esportes aqui que são menos interessantes que os outros, como o de wingsuit para passar por anéis voando no melhor estilo Superman 64, mas no geral todos apresentam eventos legais e respondem bem aos seus comandos.

Mundo variado, mas pouco polido

O mapa do jogo é bem variado e permite novos desafios de acordo com suas mudanças. Explorando pelo leste e norte do mapa, é possível chegar em picos de neve que rendem corridas gigantes de ski. Há montanhas e relevos irregulares da mais pura terra vermelha para quem curte bike na parte sul ou oeste. Toda a experiência gira em torno de sair explorando e cumprindo as atividades em busca de estrelas e níveis.

À medida que o jogador vai concluindo atividades, que são dividas em várias categorias como carreiras separadas, vai ganhando mais estrelas e níveis. Esses níveis abrem mais oportunidades no mapa, como novas atividades, possibilidades de patrocínio e também fazem chegar mais próximo dos melhores equipamentos da jornada, com mais atributos. Eles são bem variados e garantem aquele menu abarrotado de coisas inúteis que são chatos de navegar, mas apresenta um bom senso de progressão.

Contudo, nessa jornada de exploração pique aventura em um parque nacional, há dois pontos negativos que chamam a atenção.

O primeiro deles é a falta de polimento geral do mundo. Nos esportes mais rápidos e aéreos o Pop In, que é quando um objeto é renderizado na tela de repente, é amplo, visível e distrai bastante. Os gráficos, no geral, também são muito abaixo da média, principalmente se levarmos em conta que é um mundo natural e não uma cidade repleta de reflexos e construções bem mais pesadas de otimizar. Texturas parecem borradas em vários pontos e as paisagens nem de longe são daquelas que fazem você tirar uma foto e compartilhar nas redes sociais.

O segundo é a história pífia que tenta abordar tudo que existe no jogo. Ela traz uma pegada jovem descolada e exagerada, com diálogos que causam vergonha alheia e que não convencem em nenhum segundo. Na maior parte do tempo, eu pulei essas cutscenes na metade e fui direto para o que importa. Aliás, chega a ser quase um ponto positivo poder pular absolutamente toda a história e não se perder na progressão.

Conclusão

Riders Republic é um bom primeiro passo para a franquia, com um número variado de atividades, controles responsivos e muita diversão com bikes, snowboarding, esquis e mais.

O template de mundo aberto da Ubisoft não incomoda tanto aqui e explorar o mapa pontinho após pontinho é bem mais leve do que parece. Uma pena que a falta de polimento e a campanha totalmente ignorável não elevem o jogo para outro patamar.

Prós

  • Número variado de esportes e atividades
  • Controles simples e responsivos
  • Boa progressão pelos níveis e equipamentos

Contras

  • Gráficos datados e texturas muito feias
  • Historinha totalmente ignorável na campanha
  • Algumas atividades são pouco inspiradas

Nota: 7.5/10.0

Uma cópia do jogo para PC foi fornecida pela Ubisoft para elaboração desta análise.

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