Quando o DOS encontra o existencialismo, e você não sabe se tá programando ou convocando o Cthulhu com comandos de terminal.
Atenção, tiozões da velha guarda e jovens traumatizados do GitHub: isso aqui não é joguinho de clicar e atirar arco-íris em zumbi não, fiote.
s.p.l.i.t é aquele tipo de game que parece que nasceu de uma sessão espírita feita num servidor de BBS amaldiçoado, onde ao invés de evocar fantasmas, você abre o Prompt de Comando e encontra seus próprios demônios internos respondendo com “Acesso Negado”.
Esse é o tipo de jogo que faz você olhar pro seu teclado e perguntar:
“Amigo, por acaso você é um tabuleiro ouija em QWERTY?”
💾 O DOS voltou e agora ele quer sua alma
Vamos começar do começo, ou melhor, do terminal.
s.p.l.i.t, criação de Mike Klubnika (provavelmente um pseudônimo de algum demônio que invadiu a MIT nos anos 90), te joga direto num ambiente estilo DOS, onde tudo o que você vê é letra branca em fundo preto, igualzinho à tela de boot do seu tio que jura que ainda programa em Pascal e usa disquete como porta-copos.
Mas não se engane: isso aqui não é nostalgia, é tortura estilizada.
Você não clica. Você digita. Tudo.
Quer se comunicar? Tecla.
Quer invadir o sistema? Mais tecla.
Quer respirar? Talvez tecla também.
É tipo um dating sim entre você e o teclado. Só que o date termina em crise existencial e paranoia cibernética.
👀 Hacker que é hacker sente o suor frio descendo na nuca
A proposta do jogo é simples: você e dois comparsas misteriosos tão tentando hackear uma corporação maligna, num futuro distópico que parece ter saído direto de um pesadelo cyberpunk dirigido pelo David Lynch com trilha sonora de fax modem.
Você tem um tempinho limitado pra usar um kit de campo ilegal que pode criar uma chave de autorização, e a tensão vai escalando num ritmo que faria até o Keanu Reeves tossir um “Whoa” de leve.
É só você, a tela, e uma voz interior gritando: “O que eu tô fazendo com a minha vida?!”
🧠 Não precisa ser programador, só precisa estar emocionalmente preparado pra sofrer
Agora, calma. Não precisa ser o Linus Torvalds pra jogar isso aqui. O jogo te dá dicas, mas nunca te pega pela mão.
É tipo aquele tio que te joga na piscina e grita “NADA!” Você boia. Você afunda. Você se vira. E no final, você… talvez morra de ansiedade.
Mas ó, a sensação de recompensa é real. Cada vez que você acerta uma sequência de comandos e avança no quebra-cabeça, você se sente o próprio Neo digitando “grep -i esperança” na sua alma.
🖤 Atmosfera? Isso aqui é uma sauna de tensão e desespero
O ambiente é grudento, opressor, lo-fi e claustrofóbico.
Parece que colocaram um episódio de Mr. Robot, jogaram no liquidificador com um disquete infectado e serviram com gelo seco.
Tem uns momentos que você para, olha pro quarto (sim, você pode girar a câmera), e espera o Samara sair do monitor.
Ah, e tem temas pesados pra caramba. Automutilação, depressão, suicídio… não é joguinho fofinho de gato empilhando caixa, tá?
☠️ Final feliz? Só se você for um compilador bem-sucedido
Não existe “final bom” em s.p.l.i.t. Existem dois finais. Ambos te deixam com a alma levemente corroída como se você tivesse lambido o terminal infectado. Mas é bom demais. Sufocante, imersivo, cruel… e artístico.
É tipo aquele amigo que te dá um tapa na cara e diz:
“Vai viver, miserável!”
Você agradece e pede outro.
Isso aqui é o jogo que você joga com fone, luz apagada e uma terapia marcada pra amanhã.
Prós:
- Narrativa sutil, mas extremamente eficaz
- Você realmente se sente um hacker dos filmes dos anos 90
- Atmosfera densa como café de posto às 4h da manhã
- Imersão nível Black Mirror com código-fonte sujo
Contras:
- Se digitar errado, você entra num buraco existencial que nem o Freud explica
- Temas pesadíssimos — não recomendado pra quem chora com comercial de margarina
- Visual pode ser rejeitado por gente que acha que jogo bom é só Unreal Engine 5 e Ray Tracing com reflexo na unha
- Você vai se sentir burro nas primeiras tentativas
Nota Final: 8/10
s.p.l.i.t é tipo aquele jogo experimental que veio de uma dimensão paralela onde o Matrix foi escrito pelo Nietzsche, e tudo que existe é texto, comandos e a dor de ser uma consciência solitária em uma linha de código. Se você curte ser desafiado emocional e mentalmente, e acha que cozinhar a própria sanidade em banho-maria digital é um passatempo válido, s.p.l.i.t vai te pegar de jeito. Se não curte… vai jogar Hello Kitty Island Adventure e deixar o terminal em paz.