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Street Fighter V

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Street Fighter é, sem sombra de dúvida, uma das mais importantes franquias de jogos de luta que existem. Sempre que um novo título dela é anunciado, quase todo mundo que joga videogame fica de olho. Eu sou da época onde boa parte das pessoas começou a jogar isso com Street Fighter II no Arcade. No meu caso, foi em uma casa de fliperamas daquelas com pouca iluminação, onde você precisava trocar dinheiro por fichas. Praticamente extintas hoje em dia no Brasil.

Depois de oito anos de Street Fighter IV, chegou a vez dele sair de cena e passar o controle para seu sucessor, Street Fighter V. O interessante deste quinto jogo da série é que ele sempre estará mudando ao longo dos meses com as atualizações de conteúdo. Nos títulos anteriores, as alterações significativas aconteciam quando uma nova versão era anunciada, obrigando a gente a comprar novamente o jogo se quisesse aproveitar as novidades, e também adquirir DLCs no caso de SF IV.

Street Fighter V começa te colocando na pele de um Ryu mais jovem, com visual semelhante ao encontrado na série Alpha, dentro de um modo tutorial onde você deve aprender os comandos básicos da jogabilidade lutando contra um igualmente juvenil Ken, enquanto o mestre de ambos, Gouken, os observa. Foi um boa ideia da Capcom introduzir algo assim, pois cativa não apenas os jogadores de longa data mas também aqueles que estão jogando a franquia pela primeira vez.

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Terminando o tutorial, você ganha acesso ao menu do jogo. Caso você tenha jogado o beta, saiba que o visual é exatamente o mesmo encontrado nele, só que, claro, com mais opções disponíveis para serem selecionadas, as quais incluem História, Versus, Sobrevivência, Treinamento, Saguão de Batalha, Partida de Rank, Partida Casual, além das Opções do Jogo e a Capcom Fighters Network. Vamos olhar todas elas com calma a seguir.

No modo história você escolhe um dos lutadores disponíveis e joga uma espécie de introdução deles em Street Fighter V. Pelo menos eu considero que seja isso, pois cada “campanha” é tão curta que você provavelmente vai terminar todas em no máximo duas horas. As histórias de cada lutador vem acompanhadas de artes feitas pelo artista Bengus, mas que infelizmente não possuem a qualidade que você espera de algo feito por ele. O que aconteceu com aquele traço visto em Street Fighter Alpha ou Marvel vs Capcom? A única coisa boa das artes de SF V é que elas nos mostram alguns personagens fazendo aparições cameo.

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Falando agora de outros modos de jogo, o versus serve justamente para isso que você está pensando, lutar contra um amigo aí no conforto de seu lar, e provocá-lo depois de ganhar dele. No modo sobrevivência, você seleciona um lutador e deve encarar uma sequência de lutas usando a mesma barra de vida. Ao final de cada combate, você pode utilizar um pouco dos pontos que adquiriu para comprar melhorias que o ajudem na próxima luta. A quantidade de adversários que você irá enfrentar muda de acordo com a dificuldade escolhida. Para destravar novas cores para os lutadores é necessário terminar este modo em todas as dificuldade, com cada um deles.

Eu confesso que fiquei surpreso com a baixa quantidade de conteúdo single player presente em Street Fighter V. Claro que, isto vai melhorar nos próximos meses com a adição do modo Desafio e também com a aguardada campanha cinemática, que terá mais de uma hora de cutscenes segundo informado pela Capcom. Se você estiver pensando em adquirir o jogo unicamente pelo single player, recomendo que espere mais um pouco até que estas duas adições sejam incluídas.

Agora falemos dos modos online, que é onde Street Fighter V brilha. Vale ressaltar que boa parte do que irei dizer aqui foi baseado na minha experiência com o beta e na cópia antecipada que recebemos da Capcom para análise, podendo haver mudanças em relação à robustez do online quando os servidores estiverem disponíveis para todos que compraram o jogo. Você pode jogar partidas tanto casuais quanto de rank contra jogadores do mundo todo. O jogo procura por lutadores de acordo com o país que você escolheu quando o rodou pela primeira vez, para aumentar a chance de achar alguém que lhe dê uma luta sem a presença do temido lag. O legal é que você pode personalizar muita coisa além disso, como por exemplo a qualidade da conexão dos oponentes que deseja enfrentar e também se quer lutar com pessoas que estejam jogando no PC, PS4 ou ambos. Há também a opção de escolha de seu lutador favorito, pulando assim a parte de seleção de personagens e partindo direto para a luta quando o sistema acha um adversário para você. Se ver que está apanhando muito, pratique um pouco no modo treinamento e desenvolva melhor seus combos para sair vitorioso. Você pode também acessar a Capcom Fighters Network e conferir os replays das melhores lutas para aprender mais dicas, além de procurar por rivais manualmente.

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Para mim, o modo multiplayer mais interessante, no entanto, é o Saguão de Batalha. Você cria uma sala com regras específicas e fica esperando até que alguém apareça para começar a luta. Dá até mesmo para habilitar a tela de seleção de personagens e a quantidade de vitórias que os lutadores precisarão obter antes que ambos voltem ao saguão. Eu fiquei um pouco decepcionado no entanto com o fato de apenas duas pessoas poderem estar dentro do saguão, mas, a Capcom irá lançar uma atualização em março que irá aumentar a capacidade para oito pessoas. Vai dar para chamar toda a turma para lutar online.

Falando da jogabilidade (até que enfim!), eu acredito que a Capcom acertou em cheio. Ela conseguiu criar um Street Fighter que qualquer pessoa pode começar a jogar e se divertir, até mesmo dar uns combos depois de algumas horas. Engana-se quem acha que a mecânica está similar a de SF IV. O que vemos aqui em Street Fighter V é um jogo muito mais fácil de se jogar, mas difícil de dominar. Os jogadores hardcore, que gastam muito dinheiro em Fight Sticks, dificilmente irão reclamar do que verão aqui.

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A inclusão do medidor V foi outra decisão muito acertada, pois abriu uma nova gama de possibilidades. Ao contrário do medidor de Critical Arts, que você enche machucando seu oponente, o medidor V enche quando você recebe golpes, para a maioria dos lutadores pelo menos, e reseta depois de cada round. Com ele você pode executar V-Triggers e V-Reversals.

Os V-Triggers são únicos para cada lutador, sendo necessário que o medidor V esteja cheio para serem feitos. Você aperta chute alto + soco alto e com Ryu, por exemplo, você ganha a possibilidade de carregar o Hadouken com energia Denjin, impedindo que eles sejam bloqueados. Os especiais de Cammy dão mais golpes quando acertam. Nash consegue se teleportar, e assim por diante. Os V-Reversals não precisam do medidor cheio e servem para executar contra-ataques enquanto você bloqueia, bastando que você aperte para frente + três socos ou chutes na hora que receber o golpe. Cada lutador ganhou novos golpes especiais, mais fáceis de serem executados, graças a esta adição. Trocar os ultras de SF IV pelo sistema V foi uma ótima ideia, pois deixou os personagens ainda mais diferentes uns dos outros, e ainda aumentou o equilíbrio entre eles.

Ah, faltou falar das V-Skills, que vieram para substituir os focus attacks. Apesar de ter V no nome, você não precisa do medidor V para usá-las. Ao apertar os botões de chute médio + soco médio, você executa um golpe exclusivo para cada personagem, podendo ser algo de ataque como até mesmo de defesa. Dominar essa mecânica vai te ajudar muito nas lutas online.

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Existem 16 lutadores inicialmente, sendo que 12 deles são conhecidos dos jogadores, e outros 4 são estreantes. Tratam-se de Laura, Rashid, F.A.N.G e Necalli. Cada lutador é completamente diferente do outro, bastando que você teste todos eles até encontrar aquele que mais lhe agrada. Outros seis personagens serão adicionados ainda em 2016 e você poderá pagar para usar eles ou então jogar para comprá-los com Fight Money, o dinheiro virtual de Street Fighter V. O mesmo vale para trajes adicionais de cada lutador.

Graficamente o jogo está lindo, com cenários vivos e que até mesmo mudam dependendo do que acontecer durante a luta. O visual dos personagens também está soberbo. A diferença neste aspecto em relação ao que existia em SF IV é altíssima. Os benefícios de se utilizar bem a Unreal Engine 4. No caso do PC você pode deixar o gráfico ainda mais chamativo, caso tenha uma máquina que dê conta do recado.

A trilha sonora também está excelente. Os lutadores veteranos ganharam versões remixadas de suas músicas tema, que você vai ouvir tanto quanto as originais. Mesmo os personagens estreantes tem músicas que grudam na sua cabeça depois que você as escuta. Existem opções para áudio das vozes em inglês e japonês, cabendo a você escolher o idioma que preferir ouvir. Dá até mesmo para trocar isso individualmente em cada lutador.

Atualização: Devido aos vários problemas enfrentados no online do jogo em seu lançamento, me vi na responsabilidade de alterar a nota da análise.

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