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Análise | The Necromancer’s Tale – Uma odisseia gótica que une Disco Elysium ao RPG de bolso

Por mim, que já viveu século XVI, e tá zoando até a alma dos NPCs (em primeira pessoa)

Abro o jogo com a sensação de que The Necromancer’s Tale flerta com Disco Elysium pelado na frente do espelho: é um RPG de diálogo até dizer chega, mas, ó, segura a inimiga porque também rola combate tático maneiro.

Feito isso, comecei a teclar como se estivesse caçando traças no porão do tempo — e achei tesouros de narrativa. Mas calma: tem espinhos na flor da necromancia.

Um prólogo estilo “escolha sua treta” digno de romances antigos

Você começa definindo a vida do seu personagem por escolhas narrativas – quase um choose your own tragedy. Isso me lembrou de Tyranny, onde as decisões iniciais te moldam: será que nasci chato, sanguinário ou aquele tio do churrasco que fala alto demais?

E esse prólogo não é balela: suas escolhas influenciam reputação e estatísticas – tipo vira lord gentio cult e sem vergonha. Te liga: não é jogo que arranca presentes, é que você decide se vai queimar os pobres no pátio por indecência ou apenas ignorar todo mundo.

Ambientação de Veneza gótica: mais charme que máscara de carnaval

O jogo se passa em 1733, num reino pseudo – Veneza, cheio de intrigas, magia e medo de cientista maluco – quando alquimia encontra necromancia e birita barata. Já imagino o figurino do personagem principal: capa, cartola, uma aura de cheiro de farmácia que explica por que ninguém vai te cumprimentar.

As cidades respiram vida – ainda que seja vida morta –, NPCs têm rotina (o padeiro some à noite e aparece bêbado ao amanhecer, certeza). São 180 personagens com retratos desenhados à mão, o que faz parecer que até o boteco feioso tem história. Isso lembra Baldur’s Gate 3: até o joão do botequim pode te contar uma saga.

Narrativa que te amarra no banco: pesada como tumba

400 mil palavras, amigo. Sim, esse é o volume da bagaça. Cada linha é carregada, sombria, tem moral, dúvida, consolo, rio de lama… tipo Game of Thrones, mas com necromantes. Tem morte do pai, livro do inferno, bola de cristal e baratas na mente.

Só que tem um problema: o ritmo é lento, especialmente no início. Li mais que lição de casa numa quinta à noite. Passei as primeiras horas conversando, lendo e anotando toda migalha de diálogo em meu caderninho imaginário – porque entender quem é quem já dava porrada no cérebro.

Combate? Tem sim senhor (mas sem correr em círculos)

Abro o tom do RPG tático: hexágonos, pontos de ação, minions zumbis e armas de fogo – tem até esqueletos com espadas e mosquete. Isso me trouxe Diablo+Dark Souls, mas sem sair correndo feito doido no mapa.

É legal – na média. Dá pra formar uma mini legião de mortos-vivos e sentir que você é o Chefão. Mas vamos combinar: as animações são mais travadas que reunião às 8h da manhã, e combate, digamos, não surpreende. Felizmente tem opção auto-resolve, tipo “Tamo nem aí, mestre necro”.

Exploração que esconde, mas não é caça ao tesouro

Mapa aberto estilo “cidade + arredores” com masmorras, cemitérios e ruínas. É bonitinho, mas nada surpreendente. Você investiga até achar algo… ou chega no local, abre menu e viaja rápido. Tipo Uber gótico.

Mas é roupa nova de fetch quest. Você corre atrás de componentes do ritual, e deve usar o caderno (journal) pra juntar pistas — o que dá um ar de investigação policial com calda de sangue. Um usuário, do Reddit, disse que “cada escolha importa, até carregar uma arma na rua afeta como a galera enxerga você”. Fiquei me sentindo paranoico – e isso é bom.

Fidelidade à história: escolhas pendem, não dominam

The Necromancer’s Tale não é resposta múltipla fácil. Você pode encarnar um cara legal que finge estudar, mas seu livro de magia vai te puxar pra podridão. É tipo escolher entre Light Side ou Dark Side no KOTOR, mas sem aquela opção vaga de “ser boazinha tipo Jedi que bebe água morna”.

Você pode ser o príncipe sanguinário, ou o paladino arrependido. E os caras realmente importam: sentimentos de amizade podem virar cordeiros na fogueira do poder. E EU AMO isso.

Visual e voz: estilo óleo + teatro pomposo

Olha, os gráficos são tipo pintura a óleo em movimento. Não são espantosamente ricos, mas tem esse toque artístico que esconde limitações técnicas. E sim, cada NPC é desenhado à mão. Eu achei cada avatar mais expressivo que muitos memes do Midjourney.

E tem dublagem full (em inglês)! Cada papo, cada ghost whisper, cada sorvo de vinho – tudo com voz. Isso dá uma imersão tipo novela grega com final trágico.

Quebra de ritmo, bagunça controlada

Só que tem contrapartida: a leitura é FORTE no começo. Se tu não curte texto pesado, vai ler mais que revisão de tese. E o combate… olha, poderia ser mais fluido, mais dinâmico. As animações são prazerosas, mas lentas pra responderem.

O cansaço visual bate por causa do efeito de pintura contínua – desliga depois da segunda hora se não quiser ter dor de cabeça.

Comparações pop: de disco a Bones

Se Disco Elysium fosse gótico, cheio de fantasmas, necromancia e podia invocar exército de zumbis, isso seria The Necromancer’s Tale. Menos introspectivo, mais pragmático, e com menos urina de rating emocional.

Se fosse filme, seria O Segredo das Sombras ou Curse of Frankenstein, com uns diálogos dignos de The Crown, mas com sangue pingando no final.

Comunidade fala

Lançado em 17 de julho de 2025, com mais de 92% de avaliações extremamente positivas. Fãs elogiam a atmosfera, o texto e a liberdade – dizem que “é leitura, investigação e horror juntos”.

Alguns comentam: “a campanha de 25–50h valem o investimento”, ainda que falte combate grandioso ou pós-jogo de batalhas zumbies.

Prós:

  • Muitas side quests inteligentes
  • Dublagem completa, trilha sombria atmosférica
  • Sistema de escolhas com peso real
  • Ambientação gótica e histórica rica
  • 180+ NPCs com retratos desenhados
  • Narrativa profunda

Contras:

  • Auto-resolve o combate? Pode tirar graça pra quem curte tática manual
  • Sistema de menus/journal pode confundir no começo
  • Carece de pós-jogo com batalhas massa/floresta de combate
  • Mundo aberto limitado, mais cenográfico que explorável
  • Ritmo lento, especialmente no início

Nota Final: 7/10

Passei esste texto todo tentando explicar o jogo, mas vou resumir como se fosse ritual: Merece por narrativa profunda, escolhas que mordem, mundo que respira, desenho expressivo. Peca por combate lento, ritmo inicial arrastado, leitura pesada demais. Se você curte jogos do tipo disco com moral cinzenta, investigação e caos gótico — tipo você mesmo levantando os mortos e perguntando se virão beber chá —, The Necromancer’s Tale é quase sua alma em pixels. Agora, se você quer hack’n’slay, ação frenética ou gráficos nivel Fortnite, fuja.

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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