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Desde o lançamento de “Wolfenstein 3D” em 1992, venho acompanhando de perto esta que se tornou uma de minhas franquias favoritas. Os últimos anos foram muito bons com ela, graças aos fantásticos “The New Order” e “The New Colossus”, que fizeram a série retornar triunfante à lista de grandes nomes no que diz respeito a jogos de tiro em primeira pessoa de qualidade, então é de se imaginar que quando mais um “Wolfenstein” foi anunciado, fiquei bastante ansioso para poder jogá-lo.

“Wolfenstein: Youngblood”, assim como “The Old Blood”, é um spin-off. Nele, ao invés de controlar o famoso personagem BJ Blazkowicz, jogamos na pele de suas duas filhas gêmeas, Jes e Soph, em uma história que coloca ambas em busca do pai desaparecido, numa Paris dos anos 80 dominada pelos nazistas, que possuem um novo líder, após Hitler ter sido morto pelo pai delas no jogo anterior.

O título tem sua campanha construída para ser jogada online cooperativamente por dois jogadores, cada um controlando uma das irmãs, que precisam se ajudar para sobreviver. Caso uma seja abatida, a outra precisa correr para revivê-la, similar ao que vemos no multiplayer de jogos como “Battlefield”, quando um jogador morre e outro tem a chance de ressuscitá-lo. Por ser focado no online, existem gestos que um jogador pode fazer para o outro, só que aqui eles têm uma serventia muito importante, que é a de regenerar a armadura ou vida de ambos. Também possível marcar alvos de maior importância para o outro jogador ficar atento.

Embora “Youngblood” tenha sido feito pensando-se no cooperativo online, é completamente possível jogá-lo sozinho. É verdade que a IA aliada nunca vai conseguir replicar a interatividade que você tem jogando com outra pessoa, mas em quase todos os momentos que joguei sozinho e precisei de ajuda para ser revivido ou curado, a IA não me decepcionou. Ela, inclusive, também serviu muitas vezes para chamar a atenção de certos inimigos, me dando a oportunidade de chegar neles pelos lados ou por trás.

As diferenças na jogabilidade do novo “Wolfenstein” com os anteriores, entretanto, não param por aí. Ao invés de um tradicional jogo de tiro em primeira pessoa, “Youngblood” faz uso de vários aspectos de RPG, vistos em títulos como “The Division” ou “Destiny”. Todos os inimigos têm níveis e barras de vida, além de vulnerabilidades e resistências a determinados tipos de armas, que você consegue identificar de acordo com os tipos de indicadores ao lado da vida deles.

Como era de se esperar com isso, Jes e Soph precisam ganhar experiência derrotando os nazistas, o que lhes dá pontos que podem ser usados para obter novas habilidades. Por não terem a expertise do pai, muitas coisas que você conseguia realizar com ele nos outros jogos da série, como por exemplo manusear armas pesadas, precisam ser aprendidas com elas usando esse sistema de habilidades, para que você então consiga fazer com elas.

As armas também podem ser modificadas, sendo possível deixa-las com mais dano, precisão, munição e velocidade, usando-se moedas que você encontra no jogo. Além desse dinheiro obtido simplesmente jogando, você pode comprar Barras de Ouro com dinheiro de verdade, que servem para adquirir novas skins para as personagens. Uma microtransação inútil e desnecessária, mas está lá.

Embora as mecânicas de RPG tenham sido em grande parte bem implementadas em “Youngblood”, elas fazem o jogo não parecer um “Wolfenstein” propriamente dito, o que com certeza vai incomodar os jogadores que estavam esperando encontrar uma experiência similar àquela vista em “The New Order” e “The New Colossus”.

Existem muitas missões para serem realizadas no jogo, e embora você possa ir direto para as principais, dificilmente conseguirá fazer isso, pois seu nível estará baixo demais para encará-las. O jogo praticamente te obriga a fazer tarefas secundárias e “farmar” inimigos, tal qual em títulos do gênero MMO, para que você suba de nível, melhore todas as suas armas e fique mais forte.

Além de deixar a história de lado com isso, esse sistema faz a experiência ficar muito repetitiva, pois te obriga a visitar os mesmos lugares diversas vezes. Houve momentos em que eu já estava tão cansado de entrar na mesma área, que decidi sair correndo pelos inimigos até chegar onde eu precisava. Felizmente, quando o jogo não faz você perder tempo com isso e foca na ação ininterrupta, a diversão é garantida.

O mapa de “Youngblood” é dividido em zonas que podem ser acessadas por meio de um sistema de viagem rápida, localizado em estações do metrô ou no quartel-general da resistência, que também é o lugar onde você pega as missões. O bom da viagem rápida aqui é que quando você termina uma missão, pode simplesmente segurar o botão E (no PC) e será transportado de volta ao QG. O único porém é que para isso funcionar é necessário liberar o ponto de viagem rápida do lugar onde você está.

Graficamente não tenho do que me queixar, pois o game está tão bonito quanto “The New Colossus”. O desempenho no PC também está fantástico, com o jogo rodando facilmente acima de 100 fps na minha configuração (i7 4790K, 16GB e GeForce GTX 1070 Ti) com a qualidade máxima possível e em 1440p. Diminuindo algumas coisas no visual, dá até para jogar em 55-60 fps na insana resolução 4K.

Quem possui placas de vídeo com apenas 4GB de memória de vídeo, no entanto, pode vir a encontrar algumas dificuldades, pois o jogo consome muito desse recurso mesmo se rodado com visuais no médio ou baixo.

Ao longo das aproximadamente oito horas que passei jogando até zerar, me deparei com um problema técnico bem desagradável, que fazia o jogo travar sem qualquer explicação quando eu estava acessando os menus de personagem. Pelo que pesquisei, a produtora está ciente do problema e trabalhando para solucioná-lo em uma futura atualização. Há outros bugs, inclusive alguns que já existiam em “The New Colossus” na versão PC, mas esse é o único realmente grave que presenciei.

CONCLUSÃO

“Wolfenstein: Youngblood” vale a pena? Sim e não. Por um lado, ele executa bem os elementos de RPG na jogabilidade; por outro, esses aspectos fazem-no lembrar mais “Destiny” ou “The Division” do que “Wolfenstein”, e com certeza muitos jogadores não ficarão felizes com isso. Contudo, se você não se incomodar com essas alterações, conseguirá se divertir por algumas horas.

Prós

  • Graficamente muito bem trabalhado
  • Aspectos de RPG na jogabilidade foram, no geral, bem implementados
  • Embora voltado para o co-op online entre dois jogadores, dá pra zerar sozinho sem problemas
  • Jogo diverte nos momentos de ação ininterrupta

Contras

  • Mudanças drásticas na jogabilidade podem desagradar quem estava esperando por um “Wolfenstein” tradicional
  • Há bugs vistos em “The New Colossus” que continuam presentes
  • Microtransações totalmente desnecessárias
  • Missões repetitivas que tiram o foco da história
  • Muito “farming” para upar as armas e personagens

NOTA – 6.5

Uma cópia do jogo no Steam foi fornecida pela Bethesda para elaboração desta análise