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E se tudo aquilo em que fomos levados a acreditar é uma mentira?“, pergunta Mulder para sua parceira Scully, sendo um dos pontos ousados chaves que guiam o primeiro episódio da nova temporada de “Arquivo X“, que estreou no Brasil nesta segunda-feira (25), seguido pelo segundo episódio.

E o que podemos esperar desse retorno? Muita nostalgia preparada especialmente para os fãs, com algumas modernizações para atualizar o formato do programa, que atingiu seu ápice durante os anos 90, em uma época em que internet, smartphones e um mundo globalizado apenas estavam engatinhando.

Se antes naves espaciais e alienígenas eram mostrados na série de forma rara e com imagens nem sempre nítidas, abrindo mais dúvidas do que desvendando respostas, o novo “Arquivo X” reflete o nosso mundo atual onde tudo está nos holofotes e nas telas de dispositivos móveis: mostra de cara e bem nitidamente duas naves espaciais e um ET. Mas, será que essas cenas são realmente o que parecem?

Sem dar spoilers cruciais da nova trama, nós encontramos um Arquivo X que continua fechado na sede do FBI desde o último episódio, Mulder e Scully não estão mais juntos, sendo que ela trabalha como assistente de cirurgia em um hospital, enquanto Mulder está em depressão em uma vida paranoica.

Um novo caso de abdução, ligado a outros que os agentes investigaram antigamente, faz com que o casal se reaproxime e trabalhem juntos.

Para modernizar a série, o criador Chris Carter joga na tela vários elementos atuais, como um programa sensacionalista na internet, citações de atentados terroristas, o presidente Obama em um talk show fazendo piada sobre a Área 51, citações sobre o aquecimento global, o caso Snowden e Mulder chega até a usar o transporte Uber, algo que também surpreendeu sua colega. Os tempos mudaram…

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Mas Carter não esqueceu os fãs hardcore, longe disso, temos uma atmosfera totalmente nostálgica e com várias referências clássicas, que começa pela icônica abertura original, que está de volta. Mulder e Scully fazem piadas de como ainda são da “velha escola pré Google“, enquanto lidam com casos que tratam de manipulação de grandes corporações, conspirações políticas e cyber-ativismos.

Ao ver Mulder com roupas comuns, sem o seu tradicional terno e gravata, com o cabelo desgrenhado, barba por fazer, é impossível não associá-lo com o “pegadorHank Moody, protagonista da série “Californication”, a qual o ator protagonizou entre 2007 a 2014. Mas é o mesmo agente do FBI que está lá, com suas típicas piadas afiadas, as deduções brilhantes, a boa e velha paranoia e o desejo incasável de “eu quero apenas acreditar“, como o próprio chega a dizer.

Portanto, vale a pena embarcar nessa nostalgia? Apesar de alguns problemas no roteiro, com cenas e diálogos pouco inspirados (e até exagerados ou nonsense em algumas partes, como Mulder desligando o telefone na cara de Scully quando ela pede por mais explicações ou ele puxando briga com Skinner), como um fã antigo da série, eu digo que “Sim, vale muito a pena!“.

Gostei bastante dos dois primeiros episódios (o segundo é ainda melhor do que o primeiro, com cenas perturbadoras assinadas por James Wong) e acho que a produção foi bem fiel às raízes da série. Não espere ver por grandes inovações nessa nova temporada, o que temos aqui são conspirações, aliens, pessoas com poderes esquisitos, monstros, mutantes, entre outras referências que fizeram a fórmula de sucesso nos anos 90, com algumas pitadas de modernizações.

E quem nunca assistiu “Arquivo X“? Bom, novos fãs também podem assistir e compreender a narrativa de boas, que com certeza é a mais ousada já feita para a série, mostrando que os humanos são uma ameaça muito maior para o planeta do que os aliens. Mas sem dúvida nenhuma, esse revival foi feito especialmente para os fãs antigos, o que pode não agradar a todo mundo.

Esta nova temporada contará apenas com seis episódios, mas se o restante da série manter a ótima audiência de estreia, creio que podemos contar com uma segunda temporada, ou no pior das hipóteses, com um terceiro filme. E não se esqueçam: “A Verdade Está Lá Fora!“.

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