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As 10 edições de colecionador mais caras (e absurdas) da história dos videogames

Por RumbleTech, o tiozão que viu o nascimento do “modo luxo” e ainda tem trauma de pagar caro em caixinha de metal

Ah, as edições de colecionador. Essas preciosas relíquias modernas que transformaram o amor por videogames em um esporte radical: o consumismo extremo com pitadas de arrependimento.

Nos anos 2000, uma “edição especial” vinha com um pôster amassado e um CD da trilha sonora que riscava no segundo dia. Hoje, ela vem com carro esportivo, casa anti-zumbi, cirurgia plástica e talvez até sua alma penhorada pra pagar a fatura.

Sim, meu caro leitor — chegamos à era em que “ser fã” virou sinônimo de “ser cliente premium do capitalismo gamer”.

E como bom arqueólogo dos exageros da indústria, preparei a lista definitiva: as 10 edições de colecionador mais caras e insanas da história dos games, do “preciso vender meu rim” ao “dá pra comprar um jatinho, mas preferi um boneco de 40 cm”.

Vamos lá.

🏎️ 1️⃣ Saints Row IV – Super Dangerous Wad Wad Edition (US$ 1.000.000)

Senhoras e senhores, a obra-prima do exagero gamer. A Deep Silver não fez uma edição de colecionador, ela fez uma piada que virou produto real.

Custa 1 milhão de dólares.

Sim, um milhão. Valor suficiente pra comprar uns cinco apartamentos, dois Teslas e ainda sobrar pra pizza.

O pacote, batizado com o modesto nome de Super Dangerous Wad Wad Edition, vinha com:

  • Um Lamborghini Gallardo (porque Saints Row é sobre sutileza, claro);

  • Um Toyota Prius com seguro de um ano, pra compensar o karma ambiental;

  • Uma cirurgia plástica opcional — perfeito pra quem quer virar o próprio protagonista, literalmente;

  • Um voo espacial pela Virgin Galactic, porque a zoeira agora é interestelar;

  • Aulas de resgate de reféns e treinamento de espionagem — afinal, nada diz “colecionador” como saber desarmar terroristas;

  • E estadia em hotéis de luxo pra descansar depois de tanto absurdo.

Ninguém sabe se alguém realmente comprou, mas não duvido. Sempre existe um bilionário entediado com tempo livre e gosto duvidoso.

Saints Row IV elevou a arte da ironia ao ponto máximo: “você quer ser um santo? Beleza, mas vai ter que vender o rim esquerdo.”

🧟 2️⃣ Dying Light – My Apocalypse Edition (US$ 386.000)

Quando a Techland lançou essa edição, o mundo achou que era brincadeira. Não era.

Ela literalmente te vendia uma casa anti-zumbi real.

Sim, uma residência personalizada com painéis solares, sistema de segurança, esconderijo subterrâneo, e provavelmente o sonho de qualquer paranoico que achava que 2020 era o início do fim.

Mas calma, o pacote vinha recheado:

  • Uma viagem pra Polônia pra conhecer os devs (e perceber que eles realmente são malucos);

  • Aulas de parkour com profissionais (porque se você vai morrer, pelo menos morra estiloso);

  • Uma estátua em tamanho real de um Volatile, pra enfeitar o jardim e traumatizar visitas;

  • E, claro, seu rosto dentro do jogo.

Ou seja: você pagava quase 400 mil dólares pra virar um NPC e ainda correr risco de ser morto por outros jogadores. Um verdadeiro sonho moderno.

🚗 3️⃣ GRID 2 – Mono Edition (US$ 190.000)

A Codemasters olhou pro mercado e disse: “Queremos vender um jogo de corrida. O que falta? Ah, claro: um carro de verdade!

A Mono Edition vinha com um BAC Mono, um superesportivo real, avaliado em 190 mil dólares, pintado nas cores do jogo.

Além disso, você levava pra casa um PlayStation 3, um capacete de corrida personalizado, macacão, luvas e um convite pra pilotar o carro num circuito.

O Guinness Book até registrou o feito como “a edição de videogame mais cara da época”.

E sinceramente, se você comprou isso, meus parabéns — você basicamente pagou pra ser o personagem de Need for Speed com um DLC de vida real.

🗡️ 4️⃣ Uncharted 2: Among Thieves – Fortune Hunter Edition (avaliada em até US$ 15.000 hoje)

A Sony decidiu fazer diferente: lançou uma edição de colecionador que não estava à venda. Apenas 200 sortudos ganharam a Fortune Hunter Edition em competições e sorteios.

O pacote trazia:

  • Uma réplica da adaga Phurba, perfeita pra parecer um aventureiro místico de 35 anos com prestações atrasadas;

  • Um artbook autografado pela equipe da Naughty Dog;

  • A trilha sonora original;

  • E uma caixa que brilha com o ego de quem ganhou sem pagar.

Hoje, ela vale até US$ 15 mil em leilões. Ou seja, quem não gastou um centavo em 2009 hoje tem um tesouro digno do Nathan Drake. Ironia pura.

🧥 5️⃣ Resident Evil 6 – Premium Edition (US$ 1.300)

O Japão sempre leva as coisas a outro nível — e aqui não foi diferente.

A Premium Edition de Resident Evil 6 veio com a jaqueta de couro do Leon S. Kennedy.

Sim, idêntica à do jogo. Você podia sair na rua se sentindo o herói do apocalipse… ou só alguém indo pra um show dos anos 80.

Além da jaqueta, vinham quatro capas de smartphone (porque nada grita “luxo” como isso) e, claro, o jogo.
Mesmo custando mais de mil dólares, esgotou em minutos. Hoje, vale ainda mais.

Conclusão: o mundo pode zombar, mas o fã de Resident Evil gasta, sua e sorri.

🔥 6️⃣ Dark Souls III – Prestige Edition (US$ 800)

Dark Souls sempre foi sobre dor, superação e arrependimento — e essa edição representa os três perfeitamente.

Por US$ 800, você levava uma estátua de 40 cm do Lord of Cinder, uma miniatura do Red Knight, mapa de pano, trilha sonora, artbook e steelbook.

Era limitada, cara e, claro, quase impossível de conseguir. A FromSoftware basicamente disse: “Prepare-se para morrer… financeiramente.”

🏺 7️⃣ Assassin’s Creed Origins – Dawn of the Creed Legendary Edition (US$ 800)

A Ubisoft não podia ficar de fora da festa. A “Dawn of the Creed Legendary Edition” era tão luxuosa que parecia ter sido feita pelo próprio faraó.

Custava US$ 800, trazia uma estátua de 73 cm de Bayek, um amuleto de águia, artbook, mapa, trilha sonora, caixa entalhada e código digital.

Foram feitas apenas 999 unidades, todas numeradas. Ou seja, cada comprador ganhou não só uma estátua, mas o direito de dizer “sou um dos escolhidos” — enquanto o cartão chora baixinho.

⚙️ 8️⃣ Armored Core VI: Fires of Rubicon – Premium Edition (US$ 450)

A FromSoftware volta pra lista com algo que mistura luxo e sofrimento em doses iguais. Por 450 dólares, você recebia uma estátua de mecha, diorama, artbook capa dura, trilha digital e adesivos.

É o tipo de edição que você monta, admira por 20 minutos e depois pensa: “Acho que o Miyazaki deve rir toda vez que alguém compra isso.”

Mas é linda, e quem comprou sabe: vale cada centavo de dor emocional.

💍 9️⃣ Middle-earth: Shadow of War – Mithril Edition (US$ 300)

300 dólares por uma estátua de Balrog vs. Tar-Goroth. Ou, como Tolkien chamaria, “a batalha do seu saldo bancário contra o arrependimento”.

O pacote trazia mapa de tecido, litografias, steelbook e trilha sonora. Pra muitos fãs de O Senhor dos Anéis, foi o momento de dizer: “Não posso pagar o anel, mas posso comprar o Balrog.”

🕶️ 🔟 Call of Duty: Modern Warfare 2 – Prestige Edition (US$ 150)

E pra fechar com estilo (ou falta dele), temos a edição mais “acessível” — se é que 150 dólares pode ser chamado de acessível. A Prestige Edition vinha com um par de óculos de visão noturna funcionais.

Era 2009, a internet ainda era inocente, e de repente todo adolescente achou que era o Soap MacTavish no quintal de casa. Metade caiu, a outra metade gravou no YouTube. Todos saíram felizes.

🎮 Filosofia do colecionador moderno

Essas edições provam uma verdade simples: o gamer é o ser humano mais fiel que existe — e o mercado sabe disso.

Você pode tirar o salário dele, o décimo terceiro e a dignidade, mas se botar “edição limitada” na caixa, ele dá um jeito.

O amor por um jogo é bonito.

Mas o que vemos aqui é uma ópera de exagero, um espetáculo de consumo que faz o Jeff Bezos sorrir e o Karl Marx girar no túmulo.

No fim, as edições de colecionador são como o próprio ato de jogar: irracionais, emocionais e, muitas vezes, completamente insanas.

E ainda assim, quando o carteiro chega com aquela caixa enorme e brilhante, você sente que valeu cada centavo (e cada lágrima).

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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