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Um dos ícones da geração 16 bits, Bomberman atraiu jogadores de todas as idades por seu visual despojado e diversão multiplayer familiar garantida. No Super Nintendo, a série teve seus melhores momentos, incluindo o cultuado, e raro, Bomberman 5, que é uma verdadeira orgia de diversão, tanto jogando sozinho, mas em especial, no seu modo multiplayer, que permitia que até quatro jogadores se divertissem simultaneamente, mesmo após ser derrotado em campo de batalha. Para a grande maioria, a melhor versão de Bomberman surgiu em sua versão para Saturn, que permitia fantásticos 10 jogadores se enfrentando na tela. Uma orgia de diversão.

Entretanto, desde então, a série nunca mais conseguiu entrar nos eixos novamente. Com várias versões lançadas para portáteis, para Nintendo 64, para Playstation, Playstation 2 e até mesmo o N-Gage, nenhuma jamais se destacou como as antigas versões supracitadas. Fato esse não injustamente ou sem explicação, tais versões de Bomberman são realmente muito ruins.

Com as possibilidades de games para download da geração atual, eis que a Hudson, produtora do game, tem a óbvia idéia de disponibilizar para compra mais um exemplar de seu, antes, renomado mascote. Muita gente já torceria o nariz para isso, afinal, faz anos que a Hudson não acerta a mão com Bomberman, mas nem mesmo o gamer mais pessimista poderia imaginar o que a Hudson estaria prestes a fazer na sua nova investida com um game da série.

E graças a isso, aqui estamos nós, com mais uma análise de minha “seção” (um dia vira uma, tenha fé) Trash Games, com um game que é tão ruim, mas tão ruim, que fez todos os games Bomberman de Playstation, de Nintendo 64 e afins, parecerem jogos AAA. Eleve o seu Cosmo para sobreviver a Bomberman: Act Zero.

What a Hell….

What a Hell. Uma expressão idiomática, que em tradução livre significa “Que por#@$% é essa”. Essa é a melhor expressão que me vem a mente para sintetizar Bomberman: Act Zero. Lançado em 2006 para Xbox 360, para ser comprado via download pela Live, Bomberman: Act Zero elimina absolutamente tudo o que de bom a série possuía, e que por conseqüência, a caracterizava. O personagem principal, cabeçudo, bem SD mesmo, com grandes olhos, alegre e carismático se foi, assim como todos os seus “amiginhos” de batalha, que partilhavam do mesmo carisma. Em Act Zero os personagens foram substituídos por ciborgues futuristas, chatos, sem sal, de design muito duvidoso, sem nenhum carisma. Da mesma forma, os cenários, antes cheios de cor e vida, com elementos interativos interessantes que adicionavam o tempero certo para a divertida salada que era uma partida, foram substituídos por cenários pós-apocalipticos, escuros, compostos por cores sem vida, com virtualmente nenhum elemento interativo.

É revoltante verificar que a onda do “vamos deixar tudo darkness” hipnotizou a Hudson de tal forma a fazê-la destruir tudo o que levou anos para conceitualizar e concretizar. Não é possível um jogador Old School olhar para uma tela de Bomberman: Act Zero e instintivamente pressupor de que se trata de um game da série. O mais óbvio é imaginar de que se trata de um clone sem inspiração do clássico game.

Existem duas formas de se jogar Bomberman: Act Zero, a maneira clássica, com a câmera aérea, focando todo o cenário de uma só vez, ou então se utilizando de um sistema batizado de F.P.B., uma sigla que significa “First Person Bomberman”.

Jogar da forma clássica tenta recriar a experiência dos antigos jogos da franquia, assim sendo, o simples fato de uma bomba explodir na cara de um jogador ou inimigo, faz com que o mesmo perca. Já o F.P.B. já começa errado pelo o que a sigla significa, uma vez que, a câmera nesse modo não é em primeira pessoa, mas sim em terceira pessoa, seguindo próxima ao personagem, deixando o jogador com o controle de rotação da mesma. Pelo o amor de Deus….

O design das fases mantiveram o sistema labiríntico dos games anteriores, apesar da péssima escolha artística. Imagine você, jogando Bomberman, não possuindo uma visão ampla do cenário, já que a câmera fica grudada em você, tendo de, além de correr para matar os inimigos, e fugir dos ataques dos mesmos, ter de tentar controlar uma câmera em terceira pessoa, para tentar, muitas das vezes infrutiferamente, ver onde estão bombas inimigas e os inimigos em si. É uma zona. Uma zona desnecessária, mau projetada e obrigatória. Isso mesmo, obrigatória, uma vez que uma das opções single player só pode ser jogado no modo F.P.B.

O tal modo Battle Mode F.P.B. é o cúmulo da falta de criatividade. O jogador terá de enfrentar inimigos em 99 arenas até o fim e ponto final. Pior do que o modo single player de Quake 3: Arena. Caso morra em alguma das arenas, terá de recomeçar do zero. DO ZERO!

Não é preciso nem dizer que, dentre os males, jogar no modo clássico é a melhor opção, apesar de seguir as mesmas diretrizes. Entretanto, mesmo no modo clássico o jogo peca pela falta de variedade. É certo que existem “Power-ups” para elevar características do combatente, mas estes são genéricos e em inferior variedade quando comparados aos clássicos do Super Nintendo. Não é preciso nem dizer que as montarias presentes nos games antigos não existem aqui certo? Para piorar, esqueça interatividade com os cenários. O máximo que verá, é o mesmo ser diminuído depois que o relógio acabar, assim como nos originais.

Esqueça um modo Story, com mapas, chefes e tudo mais o que deixou os gamers encantados no lançamento do primeiro game para SNES. Isso em Act Zero não existe, e nem poderia, dado o estilo visual e óbvia intenção dado o design do jogo.

As bombas, outro símbolo clássico dos antigos games da série, se foram. Agora, o que deixamos no chão para explodir, são bolas de plasma, Tal alteração, assim como todas as outras é de mal gosto, além de diminuir consideravelmente o impacto das mesmas.

O modo multiplayer já começa errado por não apresentar uma modalidade de jogo offline. Isso mesmo, esqueça a época em que Bomberman servia para unir os amigos para boas tardes de jogatina, pois a própria Hudson já se esqueceu disso. O modo online, para até sete combatentes simultâneos até funciona bem, sem lags e slowdowns, mas isso deve ocorrer pois ninguém deve jogar essa porcaria online, assim sendo, os servidores sempre estão livres e acessíveis. Antes da batalha online, é possível escolher seu avatar, que ao contrário das versões anteriores, que permitiam a escolha entre combatentes de visual bastante singular, tudo o que se pode fazer é alterar a cor da armadura de seu ciborgue e mais nada.

A trilha sonora “dark punk” não funciona em ambientalizar o jogador no clima que o game tenta proporcionar, ou seja, assim como todo o restante do game, falha em suas diretrizes / não presta. Os efeitos sonoros são pífeos, abafados e deslocados com o que se vê em tela. Imagine um Bomberman sem o som da explosão das bombas, mas espere, aqui não existem bombas de verdade, é mesmo….

Como se o já dito aqui não bastasse sobre a terrível escolha artística em que se seguiu o visual geral de Bomberman: Act Zero, o game visualmente é tecnicamente horroroso, cheio de texturas em baixa qualidade, cantos de superfícies que deveriam ser arredondados mas que apresentam as eternas junções de polígonos visíveis e até mesmo serrilhados, em um console que tem , notadamente, um ótimo sistema de Anti-Aliasing. O grafismo de Bomberman: Act Zero é muito pior do que muito game de primeira geração de Xbox. Mesmo sendo um game que surgiu na Live em 2006, muito game exclusivo para compra online é muito melhor do que Act Zero, mas muito mesmo.

A Hudson deveria ter vergonha, não só de lançar um game tão mal acabado, em que absolutamente nada funcione a contento, dando quase a entender que o jogo é um clone mal concebido dos “verdadeiros” Bombermans, que ainda estaria em fase demonstrativa tão somente, deveria ter realmente vergonha é de dar ao game no fim das contas o nome Bomberman.