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Bump ‘n’ Jump

Analisando novamente mais uma conversão de um jogo de Arcades, Bump ‘n’ Jump chegou ao NES em 1988 a fim de tentar trazer a diversão vista nas “máquinas comedoras de fichas”, porém falhou miseravelmente, com gráficos pobres e sem muitas novidades na jogabilidade, mesmo com o tempo de sobra para isso; a versão para Arcades saiu em 1982.

Salve sua garota!

Seu objetivo em Bump ‘n’ Jump é salvar sua namorada, que foi capturada pela gangue Black Army Corps. Para completar sua missão tudo que o jogador precisa fazer é correr, passando por várias fases cheias de obstáculos e membros da gangue até alcançar o chefe da temerosa Black Army Corps.

Os controles do jogo da Data East são bem básicos, um botão para frear, o outro botão de ação faz seu carro saltar para evitar obstáculos e direcionais para cima e baixo controlam a velocidade de seu carro, além é claro que o direcional da esquerda e direita movimenta seu carro para os lados; a câmera é a vista por cima, conhecida como visão de águia/passárinho por alguns.

Durante as corridas, o jogador deve estar sempre atento aos membros da gangue que farão de tudo para que você bata seu carro e saia da cola do sequestrador de sua namorada, empurrando o carro do jogador para fora da pista e realmente sendo bem incômodos, não dando muito tempo de paz; esses raros momentos normalmente não duram mais que alguns poucos segundos. Além de lidar com os furiosos e selvagens motoristas na sua cola, o jogo apresenta alguns outros fatores para dificultar a nossa vida, como curvas fechadas, caminhões que soltam pedras, óleo na pista entre outras coisas, alguns obstáculos como cavaletes e momentos que a pista acaba, onde somente é possível passar fazendo seu carro saltar.

Basicamente se resumi a isso Bump ‘n’ Jump, que além de ser um jogo longo para o que se propõe a fazer não traz rigorosamente nenhuma novidade que valha a pena investir tanto tempo nesse jogo, salvo uma única real “novidade”, que são galões espalhados na pista com um P escrito neles, necessários para aumentar um marcador no topo da tela que possui a mesma letra de identificação, que serve como força para que seu carro consiga saltar; esse marcador não existia na versão para Arcade. O problema aqui é que existem momentos que esses galões aparecem em locais onde é simplesmente impossível pega-los, como dentro da água!

O jogo é chato, pois além de haver ausência de efeitos sonoros para pontuar, por exemplo, o ronco do motor, a trilha sonora é meia boca e o mesmo podemos dizer da jogatina em si, que não é lá tão divertida ou interessante, muito pela falta de capricho nessa versão para NES, que em dados momentos nem parece ser o mesmo jogo lançado em 82. As pistas são genéricas, sem criatividade nenhuma e normalmente se resumem a repetições de determinados trechos de curvas ou em momentos que o jogador precisa ficar saltando para passar pelos buracos entre uma pista e outra.

Os inimigos aparecem em grandes quantidades, mas é somente empurrar um pouco eles para ir seguindo adiante sem maiores dificuldades, alias, as pistas em si são mais difíceis de lidar do que os pilotos adversários, já que em muitos momentos a várias curvas fechadas e pouco espaço para seu carro no meio dos obstáculos.

Há momentos, inclusive, que você precisa saltar exatamente a onde o jogo quer, obrigando os jogadores a fazerem inúmeras tentativas até acertar um pequeno trecho de terra no meio do mar para logo em seguida fazer outro salto atingindo a linha de chegada da fase. Existe uma grande diferença entre fazer um jogo difícil e incluir elementos de forma desordenada.

Um jogo difícil exige perícia e pensamentos rápidos do jogador, reflexos e controle de seu veículo ou personagem, além de um alto grau de precisão para conseguir tirar finas ou acertar aquele tiro em cheio. Já um jogo que simplesmente joga vários elementos na tela de forma desordenada para dizer que seu game é difícil é totalmente o oposto, pois em dados momentos você não depende de sua habilidade para seguir em diante, mas sim de ter a sorte de fazer exatamente o que o jogo espera que aconteça, como saltar de um exato ponto da pista, caso contrário você sempre vai cair no rio ou bater seu carro, não importando o que você faça.

Outro ponto que deve ser mencionado, é que jogos que exigem muito do jogador entregam uma jogabilidade coesa e firme, como em Road Fighter para MSX, um jogo muito difícil, só que temos total controle de nosso carro, ao contrário Bump ‘n’ Jump, com um carro que inexplicavelmente fica balançando de um lado para o outro como se fosse desmontar a qualquer momento.

 

Gráficos capengas e com problemas

O que poderia segurar um pouco a falta de inovação e falhas na jogabilidade, faz exatamente o papel oposto e contribui para que a experiência do jogador seja uma das piores do console da Nintendo. Os gráficos são muito mal feitos, com carros mal detalhados e cenários sem nenhuma inspiração, que ficam se repetindo a exaustão durante a extensa campanha. Há, inclusive, alguns elementos do cenário que você somente pode deduzir o que seja como alguns objetos que os caminhões jogam na pista para atrapalhar a vida do jogador.

Até temos um bom uso da palheta de cores, deixando os gráficos bem coloridos, mas por vezes você terá a sensação de gráficos borrados, como fosse uma criança que pintou e acabou pintando fora das linhas, borrando o desenho. Tenho que destacar também as falhas gráficas que acontecem com frequência, com partes dos carros inimigos sumindo e voltando, isso quando não desaparecem por completo no amontoado de corredores.

A trilha sonora é razoável, sem se destacar muito, porém a falta de efeitos sonoros, como ronco do veículo, incomoda depois de um tempo, deixando a experiência ainda mais pobre. Não há desculpas para uma conversão tão mal feita como essa, uma vez que Road Fighter para NES é muito bonito e bem trabalhado, inclusive é a conversão para a plataforma da Nintendo é que mais se aproxima no quesito gráfico da versão original para Arcades.