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Por Márcio Alexsandro Pacheco

Quando a Nintendo lançou o Wii em 2006, muitos duvidaram do seu sucesso, eu incluso. Mordi a língua. Os controles de movimentos corporais foram uma grande revolução na indústria de games, e assim a Big N deixou seus poderosos concorrentes comendo poeira (eu comprei um Wii antes de qualquer outro console). O Wii sem dúvida foi um grande sucesso comercial (tá chegando na casa das 100 milhões de unidades vendidas), e foi lançado na hora certa. O mesmo não pode se dizer do seu sucessor, o Wii U, videogame da “nova geração“, mas que se iguala aos já “velhinhosPS3 e X360. Tome prejuízo. Já o portátil 3DS foi uma aposta interessante, se há alguns anos atrás os movimentos corporais eram a sensação, hoje é o mundo 3D que atrai a atenção do público. E assim, a Nintendo dá mais um passo a frente das concorrentes, e para garantir a vitória, calibrou o seu 3D em um portátil, mercado que a empresa sempre dominou com tranquilidade. Mas eis que o inesperado acontece e o tiro saiu pela culatra: o 3DS demora para emplacar e as vendas ficam abaixo do esperado pela gigante japonesa. Mais prejuízo. Demorou, mas o 3DS começou a emplacar, e hoje já vendeu mais de 30 milhões de unidades em todo o mundo, um número bem significativo e que está aumentando, principalmente pelos fãs japoneses (o Vita por exemplo, vendeu apenas em torno de 5 milhões globais até hoje).

Então quando todos esperam que a Nintendo aposte todas as suas fichas no 3DS, a empresa dá dois passos para trás e anuncia um novo portátil: o Nintendo 2DS! Ué, mas já tem povo falando em 4D e definição ultra HD, e a Nintendo anuncia um “3DS sem 3D“? O que vem depois disso, o 2DS XL? Não, isso não é uma piada e nem 1º de abril. Pelo jeito a Nintendo teve aulas com a Capcom e EA de mercenarismo e de como tirar dinheiro dos trouxas fãs. Claro que oficialmente, a desculpa para o lançamento do aparelho é de ter um valor mais atraente (US$130 – US$40 mais barato que o 3DS) e de ser focado para o público mais jovem. Além de não ter o efeito 3D, o portátil possuiu um design plano horrível, ao estilo tablet e pouco prático, e além disso, perdeu uma saída de áudio, reproduzindo som mono (mas estéreo com fones de ouvido). Pelo menos ele ainda é compatível com todos os games do 3DS e do DS.

Veja acima tabela comparativa

Mas deixando de lado o $$$ da coisa, o que isso significa na indústria de games? A hipótese mais óbvia é que a Nintendo se arrependeu em apostar no mercado 3D, e viu que essa “modinha” tridimensional é passageira e voltou atrás. “Tecnologia tridimensional em um portátil não é tão revolucionária assim“. Afinal, ela já tem no mercado um “2DS“, na verdade quatro modelos, o Nintendo DS, então porque lançar mais um? A Nintendo já começa com um número de 30 milhões negativos, afinal, quem já tem um 3DS, por que diabos vai comprar um 2DS? Se quiser jogar 2D, é só tirar o efeito 3D e pronto, voilá.

E que porra de design é esse? Não seria muito  melhor com uma tampa para fechar? Qualé, isso não aumentaria tanto o preço, estamos falando de um portátil pra criançada levar no bolso, não na mochila. AH, é para crianças menores de 7 anos, ok… “é feito para crianças, não faz mal parecer um monte de lixo“…

Segundo a Nintendo, o público alvo do 2DS são as crianças menores de 7 anos, e a julgar pelo design, não cuidadosas como essa da imagem

Numa coisa a Nintendo acertou, a data de lançamento do 2DS: 12 de outubro. Ué, o que tem de especial nessa data, você me pergunta? É o mesmo dia em que será lançado o jogo “Pokémon X & Y“, verdadeira febre entre os jogadores de portáteis e que vende que nem água no deserto. E podem acreditar, muitos pais vão querer economizar US$40 num aparelho que roda o jogo que o pentelho lá quer. Diabos, até eu fiquei com vontade de comprar um só pra pode jogar Pokémon dentro de ônibus e viagens! Não subestimem o poder de Pikachu e cia!

Outro ponto interessante, a longo prazo, são os futuros títulos lançados para o 3DS, que agora podem rodar em mais um modelo, num total de três, o que significa mais vendas para a Nintendo. O que virá a acontecer é que a Nintendo vai deixar o 3D de lado e apostar no 2D mesmo. Aguardem o sucesso dele e a versão XL dobrável chega em breve.

Se tem Pokémon é venda certa, esses merdinhas tem milhões de fãs em todo o mundo

Em minha modesta opinião (de quem aqui escreve, e não do site), a Nintendo está gastando esforços e dinheiro voltando atrás numa decisão errada. Deixa de ser hipócrita e inventar historinha que é para “crianças menores de 7 anos“. Ela se arrependeu do 3D e ponto final! Tomou consciência que o público gamer está se lixando se o jogo é tridimensional ou não. Eles querem jogar, seja num celular, num tablet, num DS mesmo, sem frescuras de 3D, uma moda passageira que logo logo vai passar. Deviam ter feito isso antes, quando o 3DS tava encalhado nas prateleiras, não agora que vendeu mais de 30  milhões. A longo prazo, vão ganhar dinheiro com os futuros Pokémons, Marios e Zeldas, que venderão tanto no 3DS como no 2DS. Isso, supondo que o 2DS seja um sucesso de vendas, e concorra com o seu irmão/pai.

E você, o que acha da Nintendo lançar um portátil inferior ao já existente no mercado? Devia ela focar apenas no 3D ou em consoles/portáteis mais avançados do que andar para trás? Ou está certa ela praticar o mercenarismo e encher os bolsos com um lançamento “supérfluo“, afinal: É portátil? É Nintendo? Tem Pokémon? Vai vender milhões!

PS: Para aqueles que não entenderam o texto, ele é um artigo OPINATIVO DO AUTOR, que não reflete a opinião do site. Ele foi feito para levantar argumentos/questões para DEBATES SAUDÁVEIS. Critiquem com inteligência e educação crianças 🙂