Análises

Castle of Illusion starring Mickey Mouse

“Era uma vez um camundongo…”

Era com essa frase acima que começava um clássico. Foram 23 anos desde o lançamento de “Castle of Illusion” no bom e velho Mega Drive, mostrando a aventura de Mickey Mouse contra a malvada Bruxa Mizrabel, com a missão de salvar a sua amada Minnie. Se nos anos 90 o jogo já ficou conhecido por capturar a “magia Disney” em toda a sua glória 16 bits, nesta reimaginação em alta definição consegue ir além, e ao mesmo tempo permanecer fiel ao clássico do Megão – provando que verdadeiros clássicos, nunca morrem. Produzido pela Sega Studios Australia, seu último game antes de fecharem as portas (uma pena, pois rumores diziam que eles pretendiam trazer outros clássicos como Golden Axe e Shinobi), o jogo teve a supervisão da diretora original, Emiko Yamamoto, o que garantiu uma readaptação para os tempos modernos de alta qualidade.

Assim como em “DuckTales: Remastered“, o game apresenta fases, inimigos e chefões familiares, porém todos reformulados, além de expandir o que já existia no original. As diferenças já começam na introdução, agora mostrada em forma de slides com belos desenhos de Mickey e Minnie curtindo uma alegre vida de namoradinhos, onde tudo é lindo e maravilhoso. Mas isso até surgir a Bruxa Mizrabel (a velhota da Branca de Neve fazendo um bico por aqui), que raptou Minnie para roubar a sua beleza (?!) e juventude. Assim, nosso herói orelhudo parte para resgatar sua donzela, quando encontra pelo caminho um idoso camundongo que explica que ele deve encontrar sete joias para construir uma ponte e chegar ao Castelo das Ilusões, e assim poder salvar a Minnie.

Belos cenários cheios de animações aguardam por Mickey

Toda essa abertura é narrada com a voz de Richard McGonagle, que os fãs de “Uncharted” logo reconhecerão como a voz de Sully. A voz do cara é perfeita para dar o tom de “contos de fadas” que o jogo possui (afinal, estamos falando de um jogo Disney aqui pessoal!). Mas se você não gostar da falação, que acontece durante o game também (as vezes, ao morrer, pode encher o saco a repetição) com comentários espirituosos, como quando você joga maçãs e o narrador diz “Mickey se lembra em como era bom no tiro ao alvo com maçãs” ou “enquanto Mickey passava pelo pato gigante, ele se lembrou do conselho de Donald em aventuras: fique longe deles” você pode desligá-la e deixar só as legendas (ou pode tirá-las também). Mickey possui sua tradicional voz que todos amam (com direito a vários gritinhos), além de Minnie e Mizrabel também. Aliás, o som em geral está perfeito, tanto as vozes, como os efeitos especiais e a trilha sonora, inspirada na já excelente original, mas com novos arranjos. Mas se você quiser uma experiência nostálgica mais completa, é possível escolher ouvir os temas em 16 Bits, que não ficam devendo em nada aos novos.

Os gráficos e visuais estão sensacionais, o design artístico dos personagens e inimigos imediatamente nos levam aos desenhos animados, assim como os cenários de fundo, extremamente coloridos, cheios de detalhes e animações. A jogabilidade é focada no estilo 2,5D, mas em algumas partes ela se transforma totalmente em 3D, uma surpresa inesperada e muito bem vinda, que permite o camundongo se movimentar para qualquer direção. Há um bom uso do zoom in e zoom out, com Mickey algumas vezes mais próximo, e grande, na tela e outras vezes mais distante, e menor. O uso de profundidade também é excepcional, muitas vezes vemos ações acontecendo lá no fundo do cenário, como na primeira fase o chefão brincando com a joia em uma clareira, lugar esse que Mickey logo alcança e passa.

O Castelo das Ilusões é agora todo em 3D

Apesar dos gráficos totalmente remodelados e os novos layouts, o design principal permanece o mesmo do original, na fase dos brinquedos, por exemplo, Mickey deve subir até o topo para então descer correndo numa ladeira vertiginosa. Esse cenário nunca esteve tão colorido e cheio de vida, é como estar dentro do filme do Toy Story. E falando nas fases, é uma mais bela do que a outra, a começar pela floresta encantada, com direito a fuga da maçã gigante com uma visão totalmente nova. O estágio da biblioteca é outra que merece destaque, assim como o cenário dos doces, uma explosão de cores na tela da sua TV, e que certamente vai deixar você com vontade de comer guloseimas.

Os comandos não podiam ser mais simples: pule em cima dos inimigos ou ataque coisas em cima deles, como maçãs e bolinhas de chumbo (elas mudam a cada fase). Explore bem cada cenário, há caminhos diferentes e várias passagens secretas. São 15 no total, cinco cenários (Floresta Encantada, Caixa de Brinquedos, Tempestade, Biblioteca, Castelo) divididos em três etapas, sendo a terceira a batalha com o chefão. Há uma última fase inédita (que vai testar sua habilidade em plataformas) em que Mickey deve alcançar o topo do castelo para enfrentar Mizrabel.

Os cenários são cheios de plataformas e os pulos de Mickey não ajudam muito na tarefa

A trilha sonora é sensacional, baseada na original (que já era ótima), mas agora mais orquestrada e modernizada, captando ainda melhor a “magia disney” e criando a atmosfera perfeita para cada cenário. Os temas, em sua maioria, são de teor mais alegre, mas algumas são mais sombrias e tensas, como a fase dos fantasmas e do Castelo do Gigante do Pé de Feijão. Os chefões, todos do original, marcam presença, mas agora com uma jogabilidade 3D, e apesar de não muito difíceis, alguns podem ser ardilosos e causar problemas, especialmente pela jogabilidade tridimensional.

Mas como nada é perfeito, vamos ao único defeito “Castle of Illusion”: ele é muito fácil e curtíssimo, você consegue terminá-lo em três ou quatro horas apenas, e o fator replay não é muito alto. As vezes o game parece ser focado para crianças, mas então nos deparamos com fases com plataformas 3D em que é exigido um alto nível de habilidade, timing e paciência – lugares que até adultos vão penar um pouco para passar, mas também nada que um pouco de prática não resolva.

Novos visuais dão um ar moderno para o clássico

Tudo bem que Mickey Mouse tem um apelo infantil, mas ele também possui muitos fãs adultos, e além do mais, a maioria dos fãs nostálgicos do “Castle of Illusion” original já estão na sua casa dos 30 anos. Podiam ao menos ter colocado uma opção para escolha de dificuldades (coisa que havia no original), assim os mais habilidosos poderiam optar por algo mais desafiador. Mickey pode colecionar no caminho cartas mágicas (uma referência à World of Illusion) e pimentas (referência à QuackShot) que podem ser usados para destravar novas roupas para o herói.

O problema é que o jogo é uma “mãezona” (isso que dá deixar uma mulher dirigir o game – brincadeirinha feministas), você começa já com cinco estrelas de energia (podia começar com menos), há vidas espalhadas em toda parte, e rapidamente você chega a mais de 10 – e para perder uma, é necessário antes perder todas as estrelas. Ou seja, se você cair num buraco, você volta ao início da fase, mas é castigado apenas perdendo uma estrela, e não uma vida. Outro exemplo, alguns itens só podem ser pegos se Mickey pular em cima de um inimigo. Se você perdeu a chance, não se preocupe, basta esperar um pouco que ele aparece novamente e você ganha outra chance, infinitas vezes.

As últimas fases vão oferecer um desafio maior, assim como alguns chefões (que são visualmente espetaculares), mas mais pela dificuldade de controlar Mickey no ambiente 3D do que o desafio em si. Pagar R$30,00 por quatro horas de jogo parece muito, então talvez você queira esperar baixar o preço (uns R$15 ou R$20 parece um preço justo), mas se tiver dinheiro sobrando ou for fã hardcore, não perca tempo.

A fase dos brinquedos continua divertidíssima

Márcio Pacheco

Márcio Alexsandro Pacheco - Jornalista de games, cultura pop e nerdices em geral. Me add nas redes sociais (links abaixo):

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