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Exclusivo para Playstation 3, Cavaleiros do Zodíaco: Bravos Soldados é o segundo jogo baseado no universo de Saint Seiya lançado para o console. Apesar de ser uma obra de respeito internacional, Saint Seiya até então jamais teve um game a altura de seu legado.

Em uma história mais recente de lançamentos, os dois games para Playstation 2 foram sofríveis, mesmo que com um interessante modo história do primeiro deles, similar ao de Dragon Ball Budokai. O tendão de Aquiles de ambos os games é o gameplay, desprovido de qualquer profundidade.

A alguns anos atrás, já para Playstation 3, a Namco Bandai lançou Saint Seiya: Chapter Sanctuary, que se por um lado também possui um bom modo história e melhorou / diversificou um pouco o gameplay, de outro continuou a ser um game com pouco conteúdo e com uma jogabilidade sub-aproveitada.

O game fez sucesso entre os fãs, mas isso não faz dele algo melhor do que meramente regular.

Tendo em vista a franca decadência na qualidade de games baseados em animes produzidos pela própria Namco Bandai, previ o pior para essa nova investida da produtora no universo de Saint Seiya. Se elas foram justificadas é o que descobriremos a seguir. Lembro-lhes que vou ignorar o último game dos Cavaleiros, que terá uma análise para si em breve, ao longo desse review.

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Bravos Soldados não se foca somente na saga das 12 Casas como o seu predecessor. É claro que ela está presente, afinal é o momento mais icônico de toda a série, mas agora o pacote conta também com as sagas de Posseidon e Hades. Dessa forma o game abarca toda a história do mangá clássico.

Infelizmente a saga de Asgard, criada exclusivamente para o anime, não está presente. De acordo com os produtores essa decisão foi tomada justamente devido a Asgard não fazer parte do mangá. Na verdade, possivelmente a equipe de produção não teria tempo, ou mesmo verba para a inclusão. A presença dos Guerreiros Deuses de Asgard por certo seria muito salutar na diversidade de personagens para seleção, assim como seria uma decisão bem acolhida pelos fãs da série.

O modo história, por certo o ponto mais interessante do game anterior, perde absolutamente todo o seu encanto em Bravos Soldados. As cenas animadas, se utilizando da própria engine gráfica do jogo, que emulavam as cenas clássicas do anime, se resumem aqui em desenhos estáticos dos cavaleiros, com uma caixa de texto e a dublagem em japonês.

Eventualmente um efeito sonoro aqui e acolá dão o ar da graça, bem como quadros de cenas do próprio anime, que não são de tela inteira, não foram remasterizados para ficarem mais belos em TVs de alta definição, bem como podem aparecer em ordens equivocadas, não condizendo exatamente com o momento da história que está sendo contada.

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O fato de o game não retratar somente a saga das 12 casas piora a má impressão, pois agora são três sagas com esse tratamento horrível. A coisa é tão ruim que é possível que o jogador se irrite até mesmo com a trilha sonora do game durante as transições das lutas no modo história, mesmo que a OST desse game, assim como em todos os games da franquia lançados desde o Playstation 2, seja maravilhosa.

Com toda certeza a melhor opção para o jogador que vá se aventurar pelo modo de história do game é, ironicamente, pular as “cut-scenes”. E acredite em mim, você irá jogar o modo história, pois o jogo não tem quase nada além desse modo para deixar o gamer entretido. Dito isso, vamos a mais um grande problema do game: conteúdo.

Em Chapter Sanctuary, além do modo história o game trazia desafios a serem cumpridos e ranqueados e um sistema de evolução de personagens. Os desafios eram repetitivos e o sistema de evolução básico, mas lá estavam. Em Bravos Guerreiros ambos os conteúdos citados foram excluídos.

O problema não é remover conteúdo do game anterior, a questão aqui é que nada de interessante foi inserido no lugar para manter o jogador interessado.

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No lugar dos desafios temos o modo de torneios, que é tão básico quanto o mesmo modo em Dragon Ball Z: Budokai o é. Como personalização dos personagens agora é possível equipar orbes que lhes dão atributos especiais como maior força, poder cósmico e afins.

Por mais simples que fosse o sistema de evolução de Chapter Sanctuary, ele conseguia fazer com que o jogador se interessasse em continuar com a jogatina a fim de evoluir seu Cavaleiro favorito ao máximo, coisa que o sistema de orbes não o faz.

De resto, ambos os games compartilham a obsessão da Bandai em mostrar todos os bonecos já criados de Saint Seiya, por motivos única e exclusivamente capitalistas. São centenas de fotos, mostrando peças de todas as linhas já existentes de figuras de ação da série. Para alguns isso pode até ser interessante, mas contar como conteúdo gamer é impossível.

Não é possível também contar como conteúdo a possibilidade de assistir aos os golpes especiais (chamados de ataques Big Bang) de todos os personagens disponíveis, bem como ter disponível a trilha sonora para desfrutar.

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Dessa forma, Cavaleiros do Zodiaco: Bravos Soldados se torna um game vazio. De um lado um modo de história extremamente mau desenvolvido e de outro um game que não apresenta mais nenhum conteúdo verdadeiramente válido além do próprio modo história.

A única importante adição ao game é o modo online, algo absolutamente necessário para um game do gênero atualmente. Infelizmente não é possível considerar o quão bom o netcode funciona, pois até o presente momento não consegui jogar contra ninguém do país.

Isso mesmo, somente encontro Japoneses desfrutando do game online. Dito isso, não vou me martirizar por não ter pego o game em seu lançamento, isso não é desculpa para servidores vazios menos de três meses após seu lançamento (data em que tive acesso a Bravos Guerreiros). Prova disso é o fato de Street Fighter x Tekken, um game verdadeiramente “morto”, ainda possuir jogadores nacionais se confrontando online.

O que traz mais tristeza em notar a falta de comprometimento da equipe de produção em criar conteúdo ao game é o fato de finalmente terem acertado a mão no gameplay. É muito gostoso batalhar em Bravos Soldados.

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É evidente que um game desse não tem a pretensão de possuir a complexidade de um Street Fighter ou um The King of Fighters, mas isso não o exime de ser um jogo de luta, tendo, portanto, de ter um gameplay equilibrado e divertido.

Cavaleiros do Zodiaco: Bravos Soldados pega “emprestado” mecânicas de Naruto, outro game do gênero da Namco Bandai, e adéqua as mecânicas de luta às suas necessidades. O resultado é satisfatório, trazendo batalhas intuitivas, de movimentos de simples execução, com possibilidades de estratégias e combos complexos, dentro do que é possível tratar enquanto complexo um game baseado em anime.

Tudo o que o fã de Saint Seiya demanda é possível ser realizado em campo de batalha. Dito isso, os golpes especiais vistosos estão de volta, evocando toda a magia de suas contrapartes em anime..

Graças ao novo motor gráfico e a salutar utilização da técnica Cell-Shadded, o visual de Bravos Guerreiros é muito similar ao dos melhores momentos do anime, fazendo com que a execução de um Big Bang, independente de qual personagem o seja, seja um momento de muita empolgação.

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Algumas das animações para os ataques Big Bang são maravilhosas. Difícil definir qual é a melhor. Apesar disso, é visível o reaproveitamento de muito do trabalho realizado no game anterior, o que se não atrapalha a experiência de batalhar como um todo, dá um certo ar de “coisa recauchutada”.

A quantidade de cenários é satisfatória, afinal de contas o game abarca três sagas, entretanto as arenas jamais são um elemento determinante no resultado das partidas, uma vez que nenhum tipo de interação entre personagens e cenários existe.

A quantidade de personagens é absurda e passa da casa de 50. Apesar disso é claro o mau uso da saga de Hades e o abusivo do uso da técnica de personagens clonados aqui.

Vindos da saga de Hades, estão presentes no game somente os Cavaleiros de Ouro renegados, que nada mais são do que os próprios Cavaleiros de Ouro com armaduras e ataques Big Bang (nem todos) alterados, os deuses gêmeos Hypnos e Thanatos e o próprio Hades.

Se o mangá e anime já subaproveitaram a hipotética contagem de 108 serviçais de Hades, que dirá Bravos Guerreiros. Onde estão os Espectros que tiveram importante atuação nessa saga como Valentine de Harpia, Lune de Balron, Faraó de Esfinge e Myu de Papyllon?

Por que não estão aqui?!

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Outro problema é como o game trata de certos Cavaleiros enquanto personagens diferentes. Cinco versões independentes de Seiya, quatro ou três versões dos outros principais Cavaleiros de Bronze (Shun, Ikki, Hyoga e Shyriu). Isso apenas para citar os protagonistas da série.

Seria muito mais justo e proveitoso se cada Cavaleiro fosse considerado somente um personagem individual e que as suas diferentes versões de armaduras fossem selecionadas em um sub-menu posterior. Isso traria a verdadeira quantidade de personagens diferentes selecionáveis na tela, bem como daria espaço para que outros importantes nomes da franquia fizessem sua aparição no game, como outros Espectros de Hades, ou mesmo os principais Cavaleiros de Prata.

É uma pena que apesar da sempre bela trilha sonora, dos bons visuais e de finalmente terem acertado com um divertido, intuitivo e equilibrado gameplay, Cavaleiros do Zodiaco: Bravos Soldados não passe de mais um game extremamente “fan service”.

A severa falta de conteúdo, aliada e um dos mais desastrosos modos de história que um game do gênero pode proporcionar (problema do qual o segundo game para Playstation 2 também sofreu), fazem com que essa nova investida dos defensores de Atena no mundo dos games seja, assim como a animação das fases Inferno e Elísios da saga de Hades o são, absolutamente passável.