Parece que os moleques da Sandfall Interactive resolveram parar de só copiar na prova dos RPGs clássicos e agora estão sendo copiados de volta.
Pois é, meu consagrado — os caras foram de “quem?” pra “os populares da escola” em tempo recorde. Depois de lançarem Clair Obscur: Expedition 33, um RPG que mais parece um poema francês com tapa na cara de quem só entrega anime genérico com espadinha brilhante, os devs foram bater na porta dos chefões da indústria: Square Enix e Hideo Kojima.
E os japas abriram.
Kojima e Square Enix abriram o portão: “Entra, senta aqui com a gente”
Não é fanfic de fórum, é real: o diretor Guillaume Broche, o programador Tom Guillermin e o produtor François Meurisse colaram no QG da Square Enix, onde foram recebidos pelo Naoki Hamaguchi (diretor de Final Fantasy VII Rebirth) e o lendário Yoshinori Kitase, produtor da franquia inteira de Final Fantasy. Isso depois de já terem trocado uma ideia com ninguém menos que o Hideo Kojima, o cara que fez você carregar bebê em frasco por 40 horas em Death Stranding achando que isso é “gameplay contemplativo”.
A visita foi chamada de uma “rica troca criativa de visões e ideias”. Traduzindo pro linguajar técnico do RumbleTech: os caras foram mostrar como se faz JRPG bonito com coração, e os veteranos da indústria ficaram tirando print mental pra copiar depois.

Do porão indie direto pro camarote AAA
Se você ainda não jogou Clair Obscur: Expedition 33, tá perdendo o melhor JRPG francês desde que a baguete virou arma branca. O jogo é uma carta de amor aos RPGs clássicos, mas com uma cara de “sou indie e refinado” que deixa até Persona 5 com inveja. Os personagens têm estilo, os cenários parecem capa de disco do Pink Floyd feito por IA melancólica, e a história? Dá vontade de ligar pro terapeuta só de lembrar do final.
É o tipo de jogo que te quebra emocionalmente, te oferece café com absinto e depois pergunta se você tem um minuto pra ouvir a palavra da arte.

Enquanto isso, a Square tenta lembrar quem ela é
A Square Enix, que anda mais perdida que Chocobo em dungeon de Dark Souls, parece estar num relacionamento sério com a crise de identidade. Entre um Final Fantasy VII Rebirth que vende bem mas divide opiniões, e anúncios de Foamstars (a.k.a. Splatoon do AliExpress), ver os caras abrindo as portas pra uma desenvolvedora nova como a Sandfall é quase poético.
Tipo aquele momento em que o velho mestre Jedi percebe que o padawan tá fazendo coisa melhor que ele. Não é guerra de consoles, não é ego, é só o ciclo natural da indústria: quem tem visão, colabora. Quem tem só orgulho… anuncia NFT.
Kojima, o padrinho espiritual da galera que pensa diferente
E claro, se você tá fazendo algo meio esquisito, meio filosófico, com narrativa fragmentada e personagem de monóculo que solta poesia em combate… quem você vai visitar?
Kojima, é claro.
O homem que faz cutscene de 45 minutos parecer arte experimental. E aparentemente, ele curtiu o rolê, porque recebeu os devs pra conversar e possivelmente comer sushi e discutir existencialismo gamer enquanto ouvia trilha sonora de Silent Poets.
Isso não é pouca coisa. É o carimbo definitivo de que você entrou no grupo dos cool kids, mesmo se seu jogo não tem lootbox nem modo battle royale.
O segredo do sucesso? Amor e cópia bem-feita
Muita gente vai tentar vender que a Sandfall “superou” os estúdios grandes. Mas como bom técnico da arquibancada, eu digo: Clair Obscur não humilhou ninguém — ele apenas lembrava o que esses estúdios foram um dia, antes das reuniões de comitê, das planilhas de monetização e da síndrome de Ubisoft.
Guillaume Broche é claramente um fã de JRPGs que não teve medo de pegar o que amava e moldar ao estilo europeu, com aquele toque de melancolia parisiense e gameplay que parece ter sido testado por alguém que realmente joga videogame, não só assiste PowerPoint de pitch.
E sim, eles roubaram ideias, como todo artista genial faz. Mas roubaram com elegância. Com propósito. Com alma.
Mas Rumble, você tá dizendo que um time de 30 e poucos caras fez um JRPG melhor que empresas com orçamento de Vingadores?
Sim. Tô dizendo.
Não porque eles têm mais dinheiro. Mas porque eles têm mais cojones criativos, mais foco, menos chefes de setor perguntando “mas e o passe de temporada?”.
E agora que eles são os “populares”, espero que não esqueçam de onde vieram, e que continuem fazendo jogo com cheiro de paixão, em vez de cheiro de diretoria de marketing.
Quem diria que a revolução viria de Paris?
A Sandfall Interactive virou nome quente no grupo de WhatsApp da indústria de jogos. Kojima chamou pra conversar. A Square fez café. E se o universo for justo, Clair Obscur: Expedition 33 vai ser lembrado como o RPG que acendeu o fósforo de uma nova era — onde fazer jogo com coração, coragem e poesia não é exceção. É regra.
Se Baldur’s Gate 3 foi o retorno dos CRPGs com respeito, Clair Obscur é o grito dos JRPGs de que a alma ainda vive, mesmo fora do Japão.
E se você ainda não jogou?
Faz o favor. Joga. Depois a gente conversa.