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A BBC News apresentou a emocionante história de Robert Gagno, um jovem canadense de 27 anos que tem autismo, condição que segundo ele, ajudou a torná-lo campeão mundial de fliperamas de Pinball.

Quando ele vai jogar fliperama em uma galeria perto de casa, uma multidão se reúne para assisti-lo devido ao seu incrível controle de manter a bolinha em jogo por até uma hora – e se você já jogou em alguma máquina de pinball, sabe que alcançar tal tempo é uma tarefa hercúlea.

Se estou jogando por diversão, consigo repetir tiros certeiros sem parar e, ao mesmo tempo, descobrir quais são os movimentos que recebem o maior número de pontos“, contou em entrevista.

Segundo o jovem, o que lhe atraiu às famosas máquinas foram a combinação de luzes e sons que ocorrem ao iniciar uma partida.

Quando ele tinha cinco anos, uma vez eu o levei para comer um hambúrguer”, conta o pai, Maurizio. “Havia uma máquina de fliperama no canto (da lanchonete) e ele ficou mais interessado nela do que na comida. Minha mulher, Kathy, e eu percebemos que poderíamos sentar e relaxar um pouco enquanto Robert jogava“.

Kathy, a mãe, percebeu que seu filho era “diferente” logo cedo. Ele era fascinado por avisos de “saída” dos lugares, gostava de girar em círculo e gritava durante encontros com outros pais e crianças. “A palavra ‘autismo’ foi mencionada pela primeira vez quando Robert tinha três anos”, diz Kathy.

Não era algo conhecido naquela época. Os livros que encontrava na biblioteca diziam que era um problema ligado a deficiências na educação dada pelos pais, o que não fazia sentido para mim“.

Ele era um menino doce e engraçado, mas exigia muita supervisão. Sempre falávamos abertamente de suas dificuldades às outras crianças, explicando a elas que ‘às vezes pode não parecer, mas ele está muito contente por brincar perto de vocês‘”, conta Kathy.

Assim, as máquinas de fliperamas se tornaram uma espécie de refúgio do mundo tumultuado em que Robert vivia, e seus pais lhe compraram uma dúzia de máquinas desde os seus 10 anos. Ele chegava a passar horas e horas do dia tentando melhorar sua pontuação.

coleção de máquinas de Pinball na garagem de Robert

Mas, além de servir de refúgio, o passatempo também melhorou a autoconfiança do rapaz, que passou a frequentar lugares abertos como boliches e salões de jogos, além de aumentar suas habilidades sociais para interagir com outras pessoas.

(O jogo) ajudou-o com coisas como saber quando era a vez dele de falar, ter espírito esportivo, conversar com os outros e isso certamente impulsionou sua autoestima“, conta a mãe. E, além disso, deu-lhe a oportunidade de fazer novos amigos.

Gosto de jogar com outras pessoas em torneios. Há bons jogadores em Vancouver, e é divertido tentar superar os recordes uns dos outros ou ensinar truques a outros jogadores“, diz Robert.

Aos 19 anos, passou a competir em torneios de fliperamas, e hoje é o principal jogador do Canadá e está entre os dez melhores do mundo. Ele acha que o autismo melhorou suas habilidades no jogo.

Acho que consigo focar em uma única coisa por um bom tempo e tenho uma forte memória visual. Então só preciso jogar uma vez em uma máquina para me lembrar (dela). Também consigo perceber várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e rapidamente calculo para onde a bola deve ir.

Robert e seu pai se preparando para os campeonatos

Ele chega a passar duas horas ao dia “treinando” quando está participando de campeonatos. Seu pai, que atua como uma espécie de técnico, o ajuda nos preparativos para as inevitáveis mudanças de rotina durante os torneios – algo que costuma ser trabalhoso para Robert.

Conversamos sobre coisas como a espera nos aeroportos“, relata Maurizio. “Eu também faço as inscrições nos torneios e fico de olho para que ele se alimente e durma o suficiente, caso contrário, ele provavelmente esqueceria disso.”

No campeonato do ano passado, Robert avançou rapidamente e chegou à final contra o favorito, Zac Sharp, que escolheu a máquina em que competiriam – Flash Gordon, um fliperama antigo e notadamente difícil. Porém, já na segunda bola Robert conquistou uma alta pontuação que se tornou imbatível. Momentos depois, o canadense estava com o troféu de campeão mundial nas mãos, sob o olhar marejado de seu pai.

Orgulhosos, seus pais o estimulam a encarar novos desafios.

Robert é um cara bonito, disse para ele se inscrever em sites de namoro“, diz Maurizio sobre o sonho do filho de um dia ter uma namorada e casar. “Não quero que ele se sinta limitado ou tenha qualquer barreira.

Emocionante a história de Robert, não é mesmo? Apenas um exemplo de como os games podem ter uma influência positiva na vida das pessoas! Clique aqui para ler a matéria completa na BBC News.