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Capa de Kenseiden

Saudações aos leitores.

Aproveitando um tempinho livre, aproveitei para pegar uns games antigos só para variar, aproveitando então para ter meu primeiro contato com um clássico do Master System: Kenseiden. E não é que o jogo envelheceu bem?

Meu console de infância foi o NES, o que por óbvio fez com que meu contato com o finado Master System fosse limitado à locadoras e/ou casa de amigos e conhecidos. Apesar desse contexto, jogos como Alex Kidd and the Miracle World, California Games e Turma da Mônica sempre chamavam minha atenção o suficiente para considerar o Master System até mesmo uma opção de compra.

Passados alguns anos, resolvi retornar ao console da Sega via emuladores para poder experimentar os jogos que não pude jogar nos tempos de Mappin e Mesbla. Entre os diversos títulos que fui jogando no PC, foi Kenseiden, cujo cartucho eu consegui comprar há alguns dias.

Mas por que Kenseiden? Bom, pode parecer estranho, mas o primeiro detalhe que me chamou atenção foi o fato do protagonista do jogo ser um samurai, personagem ao mesmo tempo tão culturalmente icônico quanto ignorado nos games (sobretudo nos anos 1980).

Esse fato fica ainda mais esquisito quando lembramos que não apenas boa parte dos games produzidos para os consoles 8 e 16-bits eram justamente de produtoras japonesas (Nintendo, Sega, Capcom, Konami, Taito, Data East, Tecmo, Bandai), como os bem menos nobres ninjas foram muito mais populares e retratados no NES, Master e Genesis também – basta lembrar das trilogias Ninja Gaiden e Shinobi, além de jogos como Shadow of the Ninja ou The Legend of Kage. Ou seja, ao mesmo tempo que os ninjas eram figuras pop e seus games vendiam como pãozinho quente, o samurais ironicamente eram figuras obscuras nos games.

Kenseiden é uma grata exceção a essa regra, pois além de surpreendentemente original é também um game divertido e desafiante. Seu gameplay é simples e direto, com movimentação lateral via direcionais, botões de ação servindo como pulo e golpe de espada, e o direcional de baixo podendo ser usado como uma esquiva. Dessa forma o samurai Hayato atravessará 16 fases cortando e desviando de demônios diversos até chegar a eventual saída.

Há também os eventuais embates contra chefes de fase, os quais são sempre figuras típicas da fantasia japonesa, que quando vencidas concedem habilidades especiais ao jogador. Dessa forma o jogo ganha um recurso interessante de evolução, que somadas às dificílimas fases de treino opcionais, torna o jogador progressivamente mais poderoso conforme a aventura avança.

E podem crer que tais recursos serão necessários, pois além do alto grau de desafio, Kenseiden é completamente muquirana: o jogador tem 3 vidas e NENHUM continue. Morreu três vezes vai direto para a tela-título. E por falar em desafio, as fases de treino fazem questão de testar o jogador até o limite:

Outro dado interessante do jogo é sua estética um tanto diferenciada, no sentido de que enquanto o padrão da época (Kenseiden foi lançado em 1988) era de jogos coloridos e cartunescos, Kenseiden por sua vez usava cores escuras, contrastes marcantes e tiles granulados, lembrando um jogo de primeira geração do Sega Genesis. Chama atenção também os sprites grandes e detalhados, elementos raros em games 8-bits, possíveis graças a boa capacidade de processamento do Master System e seu processador Z80. É verdade que os controles são um pouco duros e o jogo se torna injusto em determinadas partes devida a grande quantidade de inimigos que se acumulam na tela, mas ainda sim creio que o jogo envelheceu bem e seja bem jogável ainda. Eu recomendo a todos que não jogaram ou mesmo que queiram relembrar um game antigo de qualidade.

Por fim…

É fato que o Master System não foi um console marcante e sua biblioteca não tem a mesma qualidade que a do NES, porém isso não impediu que o console da Sega também não tivesse suas jóias escondidas. Kenseiden é um desses jogos, que embora não fossem tão conhecidos, tinham qualidade e diversão similares ao clássicos da época.

Uma pena apenas que Kenseiden não teve continuações ou mesmo que os samurais sejam tão pouco representados em videogames (mesmo a série Samurai Showdown). Pelo menos os samurais não foram ridicularizados em jogos como esse: