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Após minha decepção com “Batman vs Superman” (leia análise), fiquei com um pé atrás com “Esquadrão Suicida“, mas com um fundo de esperança especialmente porque a direção não era de Zack Snyder, mas sim de David Ayer (que também escreveu o roteiro), cujo trabalhos mais expressivos até hoje foram o clássico “Dia de Treinamento” (roteiro, produtor), o primeiro “Velozes e Furiosos” (roteiro) e “Corações de Ferro” (roteirista, produtor e diretor).

Esquadrão Suicida” começa bem, apresentando o famigerado grupo de vilões um a um, formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne), que trabalham junto com duas peças do governo, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Dessa galera toda, Will Smith e Margot Robbie são os que ganham mais destaque, o que já era de se esperar já que são os nomes mais populares. E os dois realmente trabalham muito bem em seus personagens, Smith é um assassino de aluguel, mas sua paixão pela filha é algo que consegue comover. Já Robbie rouba toda a atenção ao apresentar uma Arlequina linda, engraçada e perturbada, sempre com boas cenas.

SUICIDE SQUAD

O problema é todo o resto do elenco. Bumerangue, Crocodilo e Katana são mal aproveitados, pouco ou nada fazem o filme todo, com diálogos ou performances igualmente inexpressivos. O Diablo ainda tem um fundo de história mais ou menos explicada, assim como a Magia, mas os atores não convencem na tela (Cara Delevingne inclusive em uma performance muito parecida a de Sigourney Weaver em Caça-Fantasmas) com performances sem brilho nenhum.

Por incrível que pareça, quem consegue se destacar mais que os supracitados é Viola Davis (mesmo aparecendo menos tempo na tela), que interpreta Amanda Waller, uma agente do governo que comanda o Esquadrão Suicida. Davis consegue fazer uma personagem que impõe respeito, durona e ameaçadora, exatamente o que a personagem necessita.

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Mas e o Coringa? Ah sim, ele está presente no filme, mas apenas por cerca de 15 minutos. Jared Leto é um Coringa melhor nos trailers e nas supostas histórias de presentes bizarros que deu para os colegas de elenco, do que em seu trabalho dentro do filme. É até injusto tentar comparar o trabalho dele com as excepcionais interpretações de Heath Ledger ou Jack Nicholson, pois nem dá tempo de avaliar a sua performance – mas pelo pouco que aparece, tem potencial.

Algumas incoerências no roteiro incomodam um pouco, como por exemplo Crocodilo, que é apresentado como um animal selvagem e incontrolável, mas pouco tempo depois está todo “brother” bebendo com os companheiros em um bar. Ou Bumerangue que nos quadrinhos é um cara perigoso, cruel, covarde, traiçoeiro, indisciplinado, elementos esses que o tornam interessante mesmo não tendo super-poderes, mas no filme aparece de maneira bem mais branda e rasa, apesar de ter três prisões perpétuas (ele não é nada bonzinho). A Marvel já ensinou que dá pra fazer algo interessante com um personagem assim, vide o Gavião Arqueiro ou a Viúva Negra, que apesar de não terem super-poderes, são mais desenvolvidos.

E se tem algo que os quadrinhos ensinaram é que quando um bando de super-vilões é reunido, sempre vai dar m*rda. Um vai tentar passar a perna no outro, traições e desconfiança estão todo o tempo no ar, alguém sempre vai querer ser o líder sob protestos, planos secretos gananciosos ou para dominar o mundo são feitos, enfim, há toda uma biblioteca de possibilidades e tretas com um time de bandidos que poderia ser abordada, e não é em “Esquadrão Suicida”. Histórias boas do próprio Esquadrão nas HQs abordando esses temas não faltam, ou até mesmo da concorrente com o Sexteto Sinistro, grupo que reúne os vilões do Homem-Aranha geralmente em histórias memoráveis ou ainda os Thunderbolts.

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Um ponto que vale destacar é a excelente trilha sonora composta por clássicos do rock ‘n roll, mas senti falta de temas marcantes compostos especialmente para o filme, como o tema de Guerra Civil ou o tema da Mulher Maravilha. A impressão é que Esquadrão Suicida tentou fazer o mesmo que “Guardiões da Galáxia” fez com a sua trilha sonora, só que aqui elas não funcionam tão bem.

Esquadrão Suicida” é um filme melhor do que “Batman vs Superman”, tem bons momentos de ação e doses de humor sem exagerar muito, mas a sensação que fica é que a produção tinha um grande potencial nas mãos que foi mal aproveitado. Não foi desta vez ainda que a Warner e DC Comics acertaram a mão, vamos ver no próximo que será “Mulher Maravilha”.

Nota: 6,5/10