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O Zelda para Mega Drive

“The Legend of Zelda” sempre foi uma série de muito sucesso nas plataformas Nintendo, especialmente “A Link to the Past“, lançado em 1991 para o Super Nintendo. Eis que em 1994 sairia então um clone de Zelda para o Mega Drive, chamado “Crusader of Centy (ou ainda Soley como era conhecido na Europa ou Ragnacenty, no Japão). Ele foi produzido pela NexTech (a mesma do incrível Ranger-X) e publicado pela Sega no Japão e Atlus em outros países.____________

Ele segue o estilo RPG ação bem parecido com o excelente “Beyond Oasis” e logicamente, mais ainda com Zelda, no qual foi descaradamente inspirado. E qual o problema disso? Nenhum! “Crusader of Centy” pode ter alguns elementos de Zelda, mas com certeza tem o seu estilo e carisma próprios, que irá agradar aos gamers que curtem jogos antigos.

Ele utiliza bem as capacidades gráficas do Mega Drive, com cenários bem feitos e coloridos, possui uma jogabilidade simples e fácil de se jogar e é um jogo extremamente divertido, que irá proporcionar vários momentos inesquecíveis. A trilha sonora também é muito boa, com vários temas empolgantes e uma das melhores no Mega Drive.

A jornada para se tornar um herói

Há muito tempo atrás, tudo era trevas. Durante esse período de escuridão, as pessoas viviam com medo dos monstros, que eram o símbolo da maldade e crueldade, e nenhum homem tinha coragem de enfrentá-los, nesse mundo de escuridão eterna. Então veio a luz, vinda de um lugar desconhecido, o céu se abriu revelando um radiante Sol com a sua gloriosa e quente luz. A era dos monstros acabou com a chegada do Sol, cegando e matando as criaturas instantaneamente. Poucos deles conseguiram fugir, aqueles que conseguiram foram forçados a se esconder da fúria do globo de fogo dos céus em cavernas e passagens subterrâneas.___________________

A humanidade cresceu em número, cultura e força, e logo dominaram a superfície do planeta. Os monstros não eram mais uma ameaça. Mas eles não foram extintos. Após muitos séculos, o número deles foi aumentando e novamente o terror voltou para as pessoas. Bestas de todos os tipos e tamanhos começaram a dominar os campos e colinas, e agora nenhum viajante estava mais seguro. Havia apenas uma coisa a fazer: preparar um exército e entrar em guerra contra as criaturas.

 

Todos os homens que tivessem a idade a partir de 14 anos deviam se alistar. Armados com espadas, arcos-e-flechas e sem treinamento exceto pelo que aprenderam rapidamente nas academias de guerra, os jovens marcharam e a Cruzada de Centy se iniciou.Entre os soldados está Corona, um jovem que acabou de completar os seus 14 anos de idade, e de acordo com a tradição ele vai receber a espada de seu pai, que foi um homem forte e corajoso que aniquilou vários monstros em sua juventude.

Bravo e destemido, Corona vai se aventurar pelo mundo e no caminho encontra uma cabana de uma cartomante. A feiticeira lança um feitiço sobre ele, dando-lhe a capacidade de falar com os animais, flores e até monstros, mas isso teve um preço: ele agora não consegue se comunicar com os seus parentes e pessoas em geral. Agora, o peso de um terrível destino cai em seus ombros, Corona deve procurar por uma cura para a sua condição enquanto ajuda os necessitados a enfrentar uma horda de monstros. Aqui começa a sua aventura.

o mapa global de Crusader of Centy

Os monstros também amam

Apesar de uma introdução bacaninha, o forte do game não é o seu enredo, que é bem fraquinho com o desenrolar da aventura, sendo que lá pela metade você vai aprender que os monstros também possuem sentimentos e vai esquecer porque exatamente você saiu da sua casa no início do game. Você sai em um mundo de conflitos entre homens e monstros, onde as criaturas se sentem injustamente temidas e são constantemente atacadas pelos humanos. O bizarro nesse enredo é que, teoricamente, você deve convencer os humanos que está errado o jeito como tratam os monstros, mas para você terminar o game, irá derrotar vários deles pelo caminho. Como dizem, “os fins justificam os meios“.

Felizmente a diversão do game não se baseia em sua história, mas principalmente pela sua jogabilidade e o seu criativo sistema de “armas”, que envolve colecionar animais com variadas habilidades que irão lhe ajudar a resolver puzzles, passar por labirintos e derrotar chefes pelo caminho. Há vários bichos e você só pode usar as técnicas de dois animais por vez. Há um Penguim que aumenta o poder da sua espada enquanto também congela os inimigos; um Leão flamejante que faz o mesmo efeito, só que com fogo; uma Cheetah que aumenta a sua velocidade, uma Fênix que aumenta o poder de outros animais.  Mas não fica apenas nisso, você ainda pode fazer alguns combos com os seus bichos e combinar suas habilidades para conseguir novos efeitos e assim poder avançar no game.  Toda a diversão do game está em encontrar os animais e ver o que eles podem fazer e como você pode usar isso a seu favor, e é isto que o torna tão original para a época em que foi lançado.

 

Confira a lista completa de animais e os combos que você pode usar abaixo:

– Mac: cachorro do herói do game – segura o inimigo em um ponto do cenário
Combos:
Mac + Moa: Aumenta a força de segurar (não muito diferente do poder normal de Mac)

– Moa: Uma fênix – tem a habilidade de aumentar o poder dos outros animais
Combos:
Moa + Mac: aumenta o poder de Mac segurar os inimigos
Moa + Inferno: aumenta o poder de fogo da sua espada
Moa + Chilly: aumenta o poder de gelo da sua espada
Moa + Flash: triplica a sua velocidade
Moa + Dodo: arma se prende no inimigo (não muito diferente se usar apenas o Dodo)
Moa + Leviathan: triplica a velocidade de manejo da sua espada
Moa + Cecil: faz sua espada rebater indefinidamente quando jogada
Moa + Monarchy: quando a espada é jogada, pode ser controlada indefinidamente

– Inferno: Um leão flamejante – poder de fogo para a sua espada
Combos:
Inferno + Moa: aumenta o poder de fogo da sua espada
Inferno + Chilly: aumenta o poder da espada
Inferno + Dodo: o inimigo acertado fica com uma chama que vai drenando o seu HP

– Chilly: Um penguim – poder de gelo e congelar inimigos
Combos:
Chilly + Moa: aumenta o poder congelante da espada
Chilly + Inferno: aumenta o poder da espada
Chilly + Dodo: o inimigo acertado fica congelado que vai drenando os eu HP

– Flash: Uma cheetah – dobra a sua velocidade
Combos:
Flash + Moa: triplica sua velocidade
Flash + Dippy: faz Dippy mover-se mais rápido

– Dippy: Um dinossauro – com ele você pode andar sobre algumas partes de água do mapa central e sobre terrenos com espetos e espinhos
Combos:
Dippy + Flash: faz Dippy mover-se mais rápido

– Dodo: Um pássaro em extinção – a espada “gruda” no inimigo e itens
Combos:
Dodo + Moa: Aumentar o poder de prender o inimigo na espada
Dodo + Inferno: O inimigo acertado fica com uma chama que vai drenando o HP
Dodo + Chilly: O inimigo acertado fica congelado que vai drenando o HP

– Leviathan: dobra a velocidade de manejo da sua espada
Combos:
Leviathan + Moa: triplica a velocidade de manejo da espada

– Wong: Um guaxinim – imita sua aparência, atraindo a atenção dos inimigos
Combos:
N/D

– Cecil:
Um esquilo – a espada rebate nas paredes e o seu alcance aumenta
Combos:
Cecil + Moa: faz a espada rebater indefinidamente
Cecil + Monarchy: faz a espada girar quando jogada podendo ser controlada

– Pieces: Uma lagarta – não faz nada, até se transformar em uma borboleta

– Monarchy:
Uma borboleta – permite controlar a espada quando jogada
Combos:
Monarchy + Moa: a espada pode ser controlada indefinidamente quando jogada
Monarchy + Cecil: quando jogada a espada gira e pode ser controlada

– Rio –  es6e animal serve como plataforma extra para atingir locais mais altos
Combos:
N/D

Animais alugados: são bichos que podem ser comprados e usados uma vez

Kitty:
recupera o seu HP quando chega a zero
Edgar: um ovo bomba que explode nos inimigos
Batty: deixa Corona invencível por 10s

O game é bem balanceado entre combates, puzzles, plataformas, exploração e conversação. Você inicia o game apenas com a habilidade de usar a espada, mas logo irá aprender como jogá-la para alcançar objetos longe de alcance, como alavancas e também  vai aprender a pular, um recurso padrão em qualquer RPG ação, que será muito útil  principalmente para passar entre as clássicas plataformas móveis (bons tempos dos jogos 2D com suas várias plataformas, principalmente aquelas com o mau hábito de desaparecer fazendo o personagem cair, como no ótimo Landstalker) e carregar objetos de um lado para outro. Além dos monstros, você passar muito tempo evitando armadilhas além de alguns puzzles simples pelo caminho, grande parte resolvida com a ajuda de seus amigos animais.

Você passa de uma área para outra através de um mapa central, com trajetos já definidos. Quando você passa por uma área, outra irá aparecer e você pode voltar pelo caminho quando quiser. As vezes o caminho poderá estar bloqueado e você terá que lutar ou encontrar outra maneira de contornar, e assim chegar a novos destinos. Você pode aumentar sua barra de energia com grandes maçãs douradas habilmente escondidas nos cenários ou derrotando um chefe, geralmente guardando a saída de um cenário. As maçãs menores recuperam sua energia. Você não ganha pontos de experiência, mas os inimigos as vezes liberam dinheiro. Os chefes de fase são bacanas, alguns bem interessantes (aposto que você nunca imaginou ter que enfrentar um corda como chefe), infelizmente a maioria fácil de se derrotar, não exigindo grandes estratégias, salvo um ou outro boss.

Visuais coloridos e bem definidos

Visualmente o game possui belos gráficos e é um dos seus destaques. Eles são nítidos, cristalinos e coloridos, com sprites bem definidos para a maioria dos personagens, humanos, animais e monstros. Os cenários são bem construídos e são incrivelmente animados e cheios de detalhes, como paisagens e plantas se mexendo, suas pegadas que ficam na areia, nuvens se movendo, neve caindo, entre outras coisas. Você vai passar por áreas bem variadas como campos, colinas, montanhas, florestas, vulcões, labirintos, torres e até vai passear pelo Paraíso (com um visual fantástico). Os gráficos podem não ser excepcionais, mas sem dúvida são agradáveis de se olhar e combinam com o estilo do jogo._____________________

A trilha sonora é muito bem feita e utiliza bem as capacidades sonoras do Mega Drive. Ela foi composta por Noriyuki Iwadare (conhecido por seu belíssimo trabalho nas séries ‘Lunar  Silver Star’ e ‘Grandia’) e Motokazu Shinoda. Alguns temas são memoráveis, e eu destaco aqui as músicas Opening Theme, Battle 1, Battle 2, Battle 3, Babel Tower e Root Temple.  A trilha sonora é bem variada, com temas mais lentos, alguns mais sombrios ou frenéticos e outros mais alegres e divertidos. São no geral temas agradáveis de se ouvir e nenhuma delas é irritante, e você não terá problemas de ouvi-las durante a sua jornada. Os efeitos sonoros também seguem pelo mesmo caminho, são bem nítidos e variados.

Como nada é perfeito, vamos aos defeitinhos do game. O principal problema de Crusader of Centy é o de ser muito curto e muito fácil. Deve levar apenas umas 10 horas de jogo para salvar o mundo, e as batalhas contra os inimigos e chefes são bem tranquilas, não exigindo muito esforço para derrotá-los. Você tem uma grande variedade de animais e combos possíveis para se usar, mas como o game é curto muitos deles não serão bem aproveitados. Se o game fosse mais longo e com um melhor uso de todos os animais e suas possibilidades, certamente o jogo iria figurar entre os mais populares da época.

Battle Evil From the Dawn of Time