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por Márcio Alexsandro Pacheco

Imagine a seguinte situação: você cria um joguinho viciante para smartphones, que começa a fazer um sucesso razoável entre os usuários. Mensagens parabenizando o jogo começam a chegar, mas junto com elas vem outro tipo de comentários: as ameaças virtuais, que colocam tamanha pressão que afasta os desenvolvedores da indústria de games.

Mas não estamos falando de Dong Nguyen, o criador de “Flappy Bird“, que retirou da internet o seu popular jogo dos passarinhos porque “não tinha mais paz e não conseguia dormir” devido as mensagens negativas que recebia, e sim de um desenvolvedor de games brasileiro.

Criador do jogo para Android “Insanity Game“, que preferiu ficar no anonimato, procurou o site Gamehall para relatar uma situação preocupante: de pessoas fazendo ameaças pessoais em sua conta do Twitter.

Nunca botei fé que faria um jogo que as pessoas odiariam a ponto de ameaçar. Quem imaginaria algo assim?“, disse ele em entrevista para o Gamehall. “A gente não sabe se é um hater idiota ou um lunático. Não é muito comum ler que as pessoas querem te matar“, contou.

ameaças recebidas pelo criador de “Insanity Game”

As ameaças começaram a surgir depois do carnaval, porque o jogo é muito viciante e muito difícil, assim como “Flappy Bird” o era. A própria descrição do jogo na página oficial da PlayStore já avisa os jogadores: “O jogo mais difícil e irritante do mundo!!!“. O seu alto grau de desafio irrita os jogadores, que mandam mensagens inflamadas para o criador, como se ele fosse culpado delas jogarem.

Mas não é de agora que o cyberbullying extremo tem assustado desenvolvedores. Além de “Flappy Bird“, já tivemos outros casos notórios como o do Phil Fish, criador de “Fez“, que cancelou a produção de “Fez 2” e desistiu do mercado de games por conta de uma longa e amarga disputa pública com internautas arruaceiros.

David Vonderhaar, diretor de design da Treyarch, foi outro desenvolvedor que sofreu com os abusos online, recebendo ameaças de morte, inclusive para a sua família, por causa de uma atualização no game “Call of Duty: Black Ops 2” que diminuiu a eficiência de três armas. “Você deveria morrer num incêndio” ou “Estou indo nesse momento comprar um rifle pra assassinar você e toda sua família” foram algumas das ameças recebidas por ele em seu Twitter. Está certo que o jogo é bem agressivo, mas o mundo real possui limites.

Dan Amrich, gerente de mídia social da Activision, saiu em defesa de Vonderhaar, dizendo que é por causa de “pessoas imaturas” e “idiotas cuzões” como esses que o mundo não leva os videogames a sério. “Se você gosta de seus jogos, tenha um pouco de respeito pelas pessoas que os fazem e pare de ameaça-las de lesão corporal cada vez que eles fazem o seu trabalho“, declarou publicamente.

Não apenas esses, mas como outros inúmeros casos, acontecem diariamente, e nem todos relacionados ao mundo dos games. Dan Slott, famoso roteirista de quadrinhos, recebeu milhares de ameaças contra a sua vida e a de sua família ao comandar as histórias de “Homem-Aranha Superior“, a nova e polêmica fase do famoso personagem da Marvel Comics, em que Peter Parker morre e tem o seu corpo possuído pela mente de Doutor Octopus.

“Nada melhor para o fim de ano do que ler que alguém quer te encontrar e ‘enfiar um lápis’ no seu olho. Mal posso esperar pela sessão de autógrafos do dia 27!”, escreveu o roteirista em seu Twitter no fim de 2012 (mas já foi anunciado que Peter Parker voltará a ser o aracnídeo antes da estreia do novo filme).

Dan Slott recebeu inúmeras ameaças e disse ter pesadelos com fãs o matando

Aqui mesmo no site Gamehall percebemos ataques sem escrúpulos de “fãs” mais exaltados em matérias opinativas ou de entrevistados como “Lorde Eternal“, o primeiro brasileiro que pagou R$ 4.000,00 em um PlayStation 4.

Infelizmente o universo da internet oferece o anonimato para que esses cyberbullyings continuem acontecendo e esse tipo de agressão verbal extrema está longe de acabar. Mas, mesmo que devagar, as coisas podem mudar num futuro próximo. Hoje há muitas leis cuidado do assunto e essa “falsa proteção” que a tela do computador oferece pode ser facilmente investigada. Há meios de descobrir nomes e endereços das pessoas que fazem ameaças extremas, algo que é contra a lei e pode causar processos litigiosos e até penas de multas e condenação.

O criador de “Insanity Game” já consultou um advogado que fez algumas orientações de como proceder quando recebesse alguma ameaça pública, mas ele espera não precisar chegar ao ponto de processar alguém, mas sim que essas pessoas mais exaltadas se conscientizem que não é nada legal fazer xingamentos, ameaças de morte, humilhação e outros tipos de cyberbullying. Algumas pessoas podem até estar acostumadas a lidar com isso, mas com certeza em nenhum momento é fácil. As vezes apenas ignorar não basta.

E você leitor, já sofreu alguma vez perturbação por cyberbullying? Como agiu na situação? Compartilhe a sua experiência conosco!