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Embora esta série não tenha sido iniciada com Dark Souls, papel este de Demon’s Souls para PS3, foi ele o grande responsável por fazer essa franquia obter a imensa popularidade que possui hoje, levando não apenas a criação de mais sequências, mas também de vários jogos inspirados nela, incluindo Bloodborne, também da From Software, e títulos de outras desenvolvedoras.

Dark Souls se tornou um fenômeno pois resgatou aquela sensação de conquista que víamos constantemente nos games dos anos 80 e 90, mas que foi se perdendo durante as gerações seguintes. Superar um determinado desafio voltou a causar imensa satisfação no jogador mais hardcore, que se via cansado de tantos títulos que não ofereciam isso.

O anúncio de uma remasterização deste ícone da cultura gamística foi muito comemorado pelos fãs, mas também foi recebido com cautela. Afinal de contas, havia o receio de que a jogabilidade poderia ser alterada, visando os gamers mais casuais, ou até mesmo a dificuldade receber alguma espécie de atenuação, o que seria uma tragédia.

Felizmente, Dark Souls Remastered possui a mesma jogabilidade do título original e as mudanças que foram realizadas nele neste aspecto são bastante sutis e não afetam negativamente em nada a experiência. Muito pelo contrário, deixaram a qualidade de vida muito melhor para o jogador.

Dark Souls Remastered

Por exemplo, agora é possível trocar de Pactos na Fogueira, algo que no jogo de 2011 requisitava que o jogador andasse até os personagens que forneceram originalmente estes tratados para efetuar a troca. Esta simples mudança poupa várias horas gastas por aqueles que desejam obter todos os benefícios oferecidos pelos Pactos.

O multiplayer agora pode ser jogado por seis pessoas, aumentando as possibilidades de PvP e PvE, mas embora a Bandai tenha dito que haveria servidores dedicados para isso, não parece ser o caso, pois os problemas de desconexão e lag do original continuam presentes no remaster. Por diversas vezes, fui contemplado com mensagens de erro relacionadas a erros de conexão ao tentar jogar contra outros jogadores.

Entretanto, as maiores alterações feitas em Dark Souls Remastered não estão nas mecânicas da jogabilidade, que tirando um ou outro detalhe como estes citados acima, permanece praticamente intocada. É nos visuais e no desempenho que a remasterização mostra a que veio.

Logo de cara você percebe que a taxa de quadros por segundo está muitíssimo superior àquela apresentada no título original, e a diferença que isso faz é gigantesca para um jogo como esse. Eu me vi pela primeira vez passando pela temível Blighttown, chamada de Cidade das Moléstias na tradução em português, sem morrer uma vez sequer por problemas relacionados com a performance. É uma experiência totalmente diferente daquela que presenciei não somente nos consoles da geração passada, mas também na edição Prepare to Die para PC, que embora tenha sido drasticamente melhorada com os mods da comunidade, não conseguia manter 60 fps constantes mesmo com eles instalados.

No PS4 Pro, onde joguei o remaster pela maior parte do tempo, o desempenho se manteve em 60 fps cravados, mesmo em lugares mais exigentes. Pude experimentar o game também no PC e fiquei impressionado em como ele está leve na plataforma. Quem possui uma GeForce GTX 1070 ou superior, poderá facilmente jogar em 4K nativo sem prejudicar a taxa de quadros por segundo. Para se ter uma ideia, eu consegui rodar o jogo nesta resolução numa GTX 970 e a 30 fps, o que é incrível, levando em conta que ela só possui 4GB de memoria de vídeo.

Falando especificamente das mudanças visuais, a maioria das texturas está mais definida, assim como a iluminação que em muitos locais se encontra com maior realismo. Há também animações em objetos do cenário, como a grama, que originalmente não existiam. Mas inexplicavelmente há lugares onde tanto as texturas quanto a iluminação parecem piores, dando a entender que enquanto houve cuidado ao retrabalhar a maioria dos aspectos gráficos, também existiu certo relaxo com algumas coisas. Certas armaduras, por exemplo, aparentam ser mais bonitas no título de sete anos atrás.

Outro fator o qual indica que existiu preguiça, falta de tempo ou até mesmo de conhecimento dos desenvolvedores é a presença de bugs do jogo original dentro do remaster, quando na verdade por ser uma remasterização esses problemas nem deveriam existir. Fortunadamente estão sendo lançadas atualizações periódicas para o jogo desde que ele foi lançado, visando remediar esses erros.

Não se tratam de negatividades que influenciam o game a ponto de eu recomendar que você se distancie dele e se mantenha jogando o original. Nada disso. Os pontos positivos de Dark Souls Remastered são consideravelmente maiores do que os negativos, especialmente se você nunca jogou o primeiro game no PC. Na verdade, esse remaster chega para provar que Dark Souls, mesmo depois quase sete anos, ainda é um dos melhores jogos já criados e continua sendo um dos títulos mais influentes dos últimos dez anos.

Uma cópia do game para PS4 foi fornecida pela Bandai Namco para elaboração desta análise.