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Lançado originalmente em 2010, o primeiro “Darksiders” (leia nossa análise) nos apresentou uma nova franquia de ação em terceira pessoa bem interessante, com uma história localizada no Apocalipse (o fim do mundo, não o vilão dos X-Men) tendo como protagonista Guerra, um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse.

O jogo fez um sucesso mediano, o que garantiu uma sequência em 2012, seguindo o mesmo estilo, mas melhorando o que já havia e apresentando um novo personagem principal, o Cavaleiro Morte. Mas eis que em 2013, a THQ, publisher dos games e proprietária da desenvolvedora Vigil Games, anunciou falência e ambas as empresas fecharam as portas, colocando em cheque o futuro de uma franquia promissora (mais dois jogos, estrelando os outros dois cavaleiros, estavam nos planos).

No entanto, em 2014 a empresa sueca Nordic Games anunciou que comprou os direitos do catálogo da THQ, e assim herdou a franquia Darksiders, sendo que no ano seguinte a empresa revelou a produção de uma versão remasterizada de “Darksiders II” para PC, PlayStation 4 e Xbox One, batizada de “Deathinitive Edition“, lançada em outubro de 2015. O port ficou nas mãos da Gunfire Game, um estúdio fundado em 2014 por ex-empregados da falecida Vigil Games.

Ou seja, apesar da montanha-russa, essa versão remasterizada acabou em boas mãos, a dos próprios criadores, que ofereceram um excelente game de ação para aqueles que por algum motivo não o jogaram na geração passada. Continue conosco e veja o que achamos dele em nossa análise abaixo:

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O que começou com a Guerra, terminará com a Morte

O enredo de “Darksiders II” se desenvolve no mesmo período de tempo do antecessor, mas desta vez sob a perspectiva do Cavaleiro Morte e num mundo infernal totalmente novo, duas vezes maior do que o primeiro jogo. Acreditando que seu irmão Guerra foi vítima de uma conspiração e injustamente acusado de causar o Apocalipse, Morte parte em uma missão pessoal para provar a inocência de Guerra. Para isso, ele viaja até os Reinos Inferiores, um lugar entre o Céu e o Inferno, para pedir favores aos poderosos seres que lá governam.

A proposta da história, assim como foi no primeiro jogo, é muito interessante e desperta a nossa atenção, não é? Mas infelizmente, algo deu errado no caminho, e a execução dela dentro do jogo simplesmente não convence, revelando uma trama confusa e nada envolvente. Vários lugares e personagens são citados ao longo da aventura, mas poucas explicações, ou mesmo nenhuma, sobre eles são dadas ao jogador. Mesmo o protagonista não consegue nos conquistar, com diálogos e motivações fracas e desconexas (Morte ter que reviver humanos para absolver Guerra é meio difícil de engolir), e depois de um tempo o jogador vai simplesmente deixar a história de lado e ignorar os diálogos para simplesmente curtir a ação.

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E ação é o que não falta em “Darksiders II”! O jogo copia na cara dura mecânicas e estilos de jogos consagrados como “God of War”, “Devil May Cry”, “Bayonetta”, entre outros, colocando tudo num liquidificador e nos entregando uma experiência extremamente divertida e viciante. A ação decorre em lindos 60 fps lisinhos, com combates agora mais fluídos e impressionantemente variados, com vários tipos de ataques, upgrades e combos (com direito a uma árvore de habilidades) que vão sendo desbloqueados enquanto se avança no jogo.

Morte ainda é bem versátil, escala paredes, tetos, empurra objetos, arremessa bombas e em grandes áreas pode usar o seu cavalo-fantasma-infernal chamado Desespero. Além disso, contamos também com elementos clássicos de RPGs, no qual é possível ganhar pontos de experiência e evoluir suas estatísticas, ou ainda customizar o seu arsenal de armas e armadura. A sensação de progressão do personagem é bastante eficiente e recompensadora, um dos pontos fortes do game.

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Além da ação desenfreada, há vários puzzles pelo caminho e áreas gigantescas com missões secundárias e muitas coisas escondidas, para quem gosta do fator exploração em um game. Nada muito desafiador ou complicado, mas que certamente agrega pontos na diversão de maneira geral.

Visualmente o jogo não aproveita todo o potencial da atual geração, mas ele segue o mesmo padrão do antecessor, com um design artístico criativo, colorido e animado, que lembram histórias em quadrinhos – afinal o visual exótico foi criado pelo desenhista de HQs Joe Madureira. Podemos ver uma evolução na versão remasterizada, que traz personagens mais detalhados (como os cabelos e máscara de Morte), cenários com arquiteturas e texturas melhoradas, melhores efeitos de luzes, sombras, cores e iluminação em gloriosos 1080p. Se você gostou dos visuais do primeiro game, certamente vai apreciar ainda mais o segundo, que conta com cenários mais variados e maiores.

Por fim, o jogo conta com uma boa trilha sonora, nada de espetacular que faça você dizer “Oh Meu Deus!“, mas ela cumpre o seu papel com temas sombrios que combinam com o universo do game. O mesmo pode ser dito dos dubladores (Mark Hamill, que esteve no primeiro game, fez falta aqui), que cumprem o seu trabalho sem grandes destaques ou méritos – o roteiro e diálogos fracos pesam bastante aqui também, não explorando melhor o que os dubladores poderiam oferecer.

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