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A franquia Darksiders começou lá em 2010, com o game produzido pela finada Vigil Games e protagonizado pelo Cavaleiro do Apocalipse Guerra. O plano inicial era lançar quatro jogos, cada um estrelando um dos Cavaleiros, e então um quinto título com todos reunidos.

O jogo original fez um sucesso mediano, o que garantiu uma sequência em 2012, desta vez tendo como personagem principal o Cavaleiro Morte.

Mas eis que em 2013, a THQ, publisher dos games e proprietária da desenvolvedora Vigil Games, anunciou falência e ambas as empresas fecharam as portas, colocando em cheque o futuro de uma franquia promissora.

Felizmente, em 2014 a empresa sueca Nordic Games entrou em cena e anunciou que comprou os direitos do catálogo da THQ, e assim herdou a franquia Darksiders (e conhecida hoje como THQ Nordic), que recentemente recebeu versões remasterizadas dos dois primeiros jogos para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

QUE VENHA A CÓLERA DO DRAGÃO!

Depois dessa montanha-russa, “Darksiders III” foi oficialmente anunciado em 2017 para PC, PS4 e Xbox One, tendo como protagonista Fury (nome curiosamente alterado do original em inglês, para se adaptar melhor na narrativa do game), que no jogo recebeu a tradução de Cólera (acho que Fúria seria uma tradução mais apropriada, ainda mais levando em conta a personalidade explosiva da personagem, mas enfim…), com a missão de caçar e destruir os Sete Pecados Capitais que escaparam e estão devastando (ainda mais) a Terra e trazer novamente equilíbrio entre as forças da ordem e caos.

A história de “Darksiders III” ocorre ao mesmo tempo que o primeiro e o segundo jogo (e o quarto, se eventualmente for lançado), onde na abertura vemos Guerra aprisionado pelo Conselho de Equilíbrio entre o Bem e o Mal no começo de “Darksiders I” (acusado de provocar prematuramente o Apocalipse, o que causou o fim da humanidade e uma guerra entre céu e inferno na Terra), além de também mostrar eventos de “Darksiders II” (onde Morte parte em uma missão pessoal para provar a inocência de Guerra).

Fury, considerada a mais impaciente e imprevisível dos cavaleiros, aceita a missão de caçar e destruir os Sete Pecados Capitais, mas com a condição de que ela seja a líder dos cavaleiros quando tiver sucesso. O Conselho concorda com seus termos, mas ela é obrigada a ser acompanhada por uma Watcher, para vigiar e guiar Fury em sua jornada.

Em termos de história e narrativa, “Darksiders III” entrega um trabalho mediano, apresentando um universo caótico e personagens interessantes, com destaque claro para Fury, que possui personalidade e bons diálogos, enquanto o roteiro se desenvolve. Ela recebeu uma boa dublagem de Cissy Jones, que já dublou vários outros personagens secundários de games (esse é o seu maior projeto até hoje).

Destaque também para a personagem Watcher, que recebeu um bom desenvolvimento na narrativa e uma boa dublagem de Fryda Wolff, oferecendo interações memoráveis com a protagonista e outros personagens. No entanto, apesar de prender a nossa atenção, no geral fica a sensação de que a narrativa poderia ser melhor explorada.

Fury usa como arma principal uma espécie de chicote e segue o mesmo padrão hack’n slash dos jogos anteriores, que por sua vez foram inspirados em clássicos como “God of War” e “Devil May Cry”, porém sem grandes inovações.

A ação é intensa e como a personagem não tem um sistema de defesa, ela se revela uma guerreira ágil cheia de acrobacias, com um gameplay com grande foco na esquiva para evitar ataques dos inimigos.

Fury também tem acesso a diferentes armas e habilidades ao longo de sua jornada, que vão permitir acesso a novas áreas (ao melhor estilo metroidvania) ou facilitar a eliminação de certos inimigos e obstáculos, como caminhar no fogo ou ganhar um salto mais longo para alcançar lugares mais altos. Certamente esse é um dos melhores elementos do jogo.

DIVERTIDO MAS SEM INOVAÇÕES

Infelizmente, nem tudo são flores em “Darksiders III”. Apesar de um bom gameplay com foco nos combates e um sistema de exploração “metroidvania”, o jogo peca em sua apresentação, parecendo mais um título bem polido de PlayStation 3 do que um game que aproveita bem o hardware do PS4 (plataforma onde foi feita análise). Após dois jogos remasterizados, eu estava esperando um nível de qualidade bem acima do que foi apresentado. Isso não quer dizer que o jogo seja ruim ou feio, ele possui visuais agradáveis, mas só faltou um pouco mais de empenho.

Outra coisa irritante e retrógrada é o sistema de checkpoints, que são bem distantes um do outro, o que significa que se você morrer terá que voltar um longo percurso para fazer tudo de volta – e torça para que isso não aconteça durante luta contra um chefão difícil. Ângulos de câmeras também podem ser problemáticos, especialmente em combates quando não é possível ver a localização de inimigos.

E se prepare para morrer bastante, pois o jogo apresenta um alto nível de dificuldade. Não raras vezes, quando você acha que está tudo bem, dois ou três inimigos se juntam e sua barra de energia rapidamente é esvaziada. Inimigos de grande porte e chefões também podem dar bastante trabalho. Para se dar bem no game, é essencial dominar a técnica de esquiva, pois quando realizada no momento certo, abre a oportunidade de um ataque com dano mais poderoso.

Por fim, o título possui menus e legendas em português (com alguns errinhos surgindo as vezes), infelizmente faltou também uma dublagem (mas o trabalho em inglês manda bem nas interpretações).

O valor salgado também pode assustar alguns jogadores: R$ 249 (Xbox One), R$ 229,90 (PS4) e o mais em conta R$ 189,99 (PC).

O jogo foi analisado com cópia gentilmente cedida