Análisesr7

DeadCore Redux é um desafio brutal de parkour em primeira pessoa

Jogo em primeira pessoa da 5 Bits Games mistura precisão, speedrun e uma atmosfera sci-fi opressiva

(ou: “por que eu aceitei subir uma torre infinita achando que isso não ia mexer comigo?”)

Eu vou começar sendo bem honesta: DeadCore Redux é aquele tipo de jogo que não pede licença. Ele te joga no vazio, te dá uma arma estranha, aponta pra uma torre absurda no horizonte e basicamente diz: “sobe”. Sem tutorial longo, sem personagem carismático te explicando o mundo, sem musiquinha reconfortante dizendo que vai ficar tudo bem. Não vai. E isso é exatamente o charme.

Desenvolvido pela 5 Bits Games, DeadCore Redux é uma releitura moderna de um jogo cult de 2014, agora com gráficos atualizados, áudio retrabalhado e uma identidade ainda mais afiada. Mas não se engane: por baixo do verniz bonito, continua sendo o mesmo jogo cruelmente preciso, existencial e deliciosamente estranho.

E sim: eu caí muito. Muito mesmo.

A Torre, o vazio e eu (emocionalmente instável)

DeadCore Redux começa com você caindo do céu. Literalmente. Você acorda sem memória, sem contexto, olhando pra uma torre gigantesca que parece saída de um sonho febril entre Matrix, Blame! e aquele tipo de arquitetura impossível que só existe em jogos que querem te fazer sentir pequeno.

A narrativa aqui é minimalista. Não tem cutscene cinematográfica, não tem diálogos longos. A história é contada através do ambiente, de logs espalhados pelo caminho e daquela sensação constante de que você não é o primeiro a tentar subir… e provavelmente não será o último.

Se eu tivesse que comparar, é como:

  • a solidão de Shadow of the Colossus

  • o mistério silencioso de Journey

  • misturado com o desconforto tecnológico de Portal, só que sem piadinhas

DeadCore não quer te explicar tudo. Ele quer que você sinta. E às vezes isso significa sentir confusão, frustração e uma estranha vontade de continuar mesmo depois da décima queda seguida.

Jogabilidade: parkour, tiro e arrependimento imediato

Agora vamos ao coração do sofrimento: a jogabilidade.

DeadCore Redux é um FPS com foco em plataformas de precisão. Não é sobre matar inimigos (apesar de eles existirem). É sobre:

  • correr

  • pular

  • deslizar

  • usar impulso

  • errar

  • cair

  • aprender

  • repetir

A estrela do show é a SwitchGun, uma arma que não serve apenas para atacar, mas para ativar e desativar elementos do cenário: plataformas, campos de força, inimigos mecânicos, mecanismos temporários. Ela é basicamente a “Portal Gun emocionalmente instável”, porque cada tiro pode salvar sua run… ou acabar com ela.

O jogo exige timing milimétrico. Um pulo feito meio segundo antes do ideal é o suficiente pra mandar você de volta ao vazio. E o mais cruel? Você sabe exatamente onde errou. Não dá pra culpar o jogo. Ele é justo. Seco. Quase pedagógico na dor.

Se você gosta de:

  • Mirror’s Edge, pelo parkour em primeira pessoa

  • Titanfall, pela fluidez de movimento

  • Super Meat Boy, pela filosofia de “errou, tenta de novo”

…então DeadCore Redux vai conversar direto com você. Em voz alta. Às vezes gritando.

Level design: o verdadeiro vilão (e professor)

Uma coisa que eu preciso elogiar muito é o level design. Cada área da torre parece pensada para te ensinar algo novo — mesmo quando você não percebe.

Plataformas móveis, campos de gravidade estranhos, inimigos que mais atrapalham do que atacam, saltos que exigem leitura rápida do espaço… tudo vai sendo introduzido de forma quase orgânica. Não tem texto dizendo “agora você aprende isso”. Você aprende caindo.

E o mais legal: existem atalhos, caminhos alternativos e áreas secretas. DeadCore Redux recompensa curiosidade. Às vezes, parar, respirar e observar o cenário é mais importante do que sair pulando desesperada como se eu estivesse atrasada pra uma reunião inexistente.

Speedrun, replay e a armadilha do “só mais uma tentativa”

Aqui entra uma parte perigosa: DeadCore Redux quer que você jogue de novo.

O jogo tem:

  • modo speedrun dedicado

  • rankings

  • medalhas por performance

  • desafios extras

  • e uma trilha sonora dinâmica que muda conforme seu ritmo

É aquele tipo de jogo que você termina uma fase e pensa:
“ok, mas eu posso fazer isso melhor”.

E aí você tenta.
E tenta.
E quando vê, perdeu completamente a noção do tempo.

Se você já caiu no buraco negro de melhorar tempo em jogos como Celeste ou Neon White, prepare-se: DeadCore Redux é um prato cheio pra esse tipo de obsessão saudável (ou não).

Gráficos e som: agora sim, a torre impõe respeito

A versão Redux traz melhorias visuais claras:

  • iluminação mais realista

  • efeitos volumétricos

  • texturas modernas

  • UI mais limpa

A torre agora parece mais viva, mais opressiva, mais “presente”. Ela não é só um cenário — é quase um personagem silencioso te observando subir.

A trilha sonora mistura ambient eletrônico com momentos mais intensos, criando uma sensação constante de tensão e foco. Não é música pra cantarolar. É música pra entrar em estado de fluxo.

O que as pessoas estão dizendo (e eu concordo)

A recepção da comunidade é majoritariamente positiva, especialmente entre jogadores que gostam de desafios técnicos. Muitos reviews no Steam destacam:

  • a fluidez do movimento

  • o respeito à inteligência do jogador

  • a sensação de progressão pessoal

As críticas geralmente vão para:

  • a dificuldade alta

  • a narrativa pouco explícita

  • o fato de não ser um jogo “acolhedor” pra todo mundo

E assim… justo. DeadCore Redux não quer agradar todo mundo. Ele quer agradar quem gosta de ser testado.

Prós:

  • Jogabilidade precisa e extremamente satisfatória
  • Parkour em primeira pessoa muito bem implementado
  • Level design inteligente, com múltiplos caminhos
  • Ótimo para speedruns e replays
  • Atmosfera forte e identidade própria
  • Remasterização visual competente

Contras:

  • Dificuldade alta pode afastar jogadores casuais
  • Narrativa muito sutil para quem prefere histórias explícitas
  • Pode gerar frustração em sessões longas
  • Não é um jogo “pra relaxar”

Nota Final: 8/10

DeadCore Redux não é um jogo fofo. Não é confortável. Não é relaxante. Mas ele é honesto. Ele confia que você é capaz de aprender. Confia que você vai insistir. Confia que a sensação de finalmente acertar aquele salto impossível vai valer mais do que qualquer tutorial gentil. É um jogo sobre subir, mesmo sem saber exatamente por quê. E às vezes isso diz mais sobre a gente do que sobre o jogo.

Magali "Pixel" Susana

Magali "Pixel" Susana é pseudônimo (para evitar gente chata me procurando nas redes)! Gamer das antigas, da época que checkpoint era coisa de filme de ficção científica. Com um coração pixelado e uma paixão que atravessa gerações, ela escreve para quem ama videogames com alma. Se você é da era dos disquetes, vai lembrar de mim... ou sentir que sempre me conheceu.
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