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Desde seu anúncio na conferência da Microsoft na E3 2017, Dragon Ball FighterZ vinha chamando a atenção devido ao seu visual, o qual fez muita gente ficar de queixo caído, tamanha a qualidade e fidelidade que tinha com o desenho da tv. Os enaltecimentos não paravam apenas no aspecto gráfico, mas a jogabilidade, desta vez em 2D, também arrancou muitos elogios de todos que tiveram a oportunidade de testá-la naquela ocasião.

A franquia Dragon Ball, por ser incrivelmente popular há décadas, é uma das que mais receberam jogos. Mas mesmo ganhando dezenas de adaptações para os videogames, algumas inclusive boas como Budokai 3 ou Budokai Tenkaichi, nunca havia conseguido ter algo que fizesse frente com os demais títulos do gênero de luta, o que fazia seus games serem voltados apenas para os fãs mais assíduos do desenho. Com Dragon Ball FighterZ, tudo isso mudou.

Graficamente estamos diante não apenas do jogo de Dragon Ball mais bonito já feito, mas um dos jogos de luta mais competentes já criados no que diz respeito ao visual. O cuidado colocado na arte dos cenários e especialmente dos personagens é tão grande que é bem provável que se você começar a jogar e passar alguém por perto, esta pessoa vai achar que você na verdade está assistindo ao desenho propriamente dito.

Os detalhes nas expressões dos personagens, no modo como se movimentam, nas explosões, estão espantosamente fiéis ao que encontramos no anime. A Arc System Works pois na prática tudo aquilo que aprendeu nos últimos jogos das séries Guilty Gear e BlazBlue, e os resultados não poderiam ter sido melhores.

O aspecto mais importante do jogo, no entanto, a jogabilidade, também recebeu um tratamento de gala. Graças a um sistema de combos automáticos, qualquer um pode pegar o controle e começar a jogar, que vai se sentir um ás das lutas. O legal é que você não fica restrito a apenas isso, pois há a possibilidade de realizar combos manuais em conjunto com estes de execução automática, e os resultados são excelentes, desde que você pratique bastante. Alguns jogadores mais exigentes, no entanto, poderão se incomodar um pouco com isso, preferindo que tudo fosse manual. Mas não se engane, o sistema de jogabilidade implementado em Dragon Ball FighterZ é tão bom que o coloca em pé de igualdade com veteranos deste gênero como Street Fighter, Marvel vs. Capcom e Guilty Gear.

Há 24 personagens à sua disposição, três deles sendo destrancáveis. O fato das lutas serem de três contra três ajuda consideravelmente para que você amplie sua cartela de opções de ataques. Com prática, você pode começar a realizar um combo utilizando um personagem e terminá-lo com outro. Dá também para forçar o jogador adversário a trocar de personagem sem que ele queira, o que pode acabar sendo determinante para o resultado do confronto.

Ao finalizar o oponente, se você fizer isso utilizando um determinado golpe especial ou efetuando um ataque pesado, causará algo chamado de “Fim Destrutivo”, e verá o adversário sendo atirado para longe, se espatifando em uma montanha ou um prédio, ou então sendo engolido por uma explosão digna daquelas que vemos no anime. Caso atenda aos requisitos para isso no meio da luta, o cenário pode inclusive mudar para o restante do combate.

Outro aspecto chamativo é que há também easter eggs chamados de “Fins Dramáticos” e “Introduções Dramáticas” que você acessa apenas se atender condições muito específicas de personagens e cenário. Foi uma maneira da Arc System Works de colocar momentos marcantes da saga dentro do jogo. Por exemplo, caso você esteja com Goku na liderança da sua equipe e o líder do outro time for Freeza, Kuririn estiver ausente da luta e o palco for Namekusei, verá o imperador do mal destruindo o melhor amigo de Goku, fazendo-o ficar furioso e se transformar em Super Saiyajin. Caso derrote Boo no planeta do Kaiohshin com Goku usando um ataque pesado, verá ele ser finalizado com uma Genki Dama, tal qual ocorreu no anime.

Todos os modos de Dragon Ball FighterZ podem ser acessados através de um Lobby. É dentro dele que você consegue jogar o multiplayer online em partidas ranqueadas ou casuais e o multiplayer local. Se estiver sem internet, apenas os modos offline ficarão acessíveis. Dá também para enfrentar jogadores do próprio Lobby em Partidas na Arena ou Partidas no Ringue. Este último é uma sala que você mesmo cria dentro do Lobby, para que outros jogadores que estejam lá possam entrar, de maneira que vocês então lutem entre si. É possível colocar uma senha na sala caso você queira apenas que seus amigos ou conhecidos entrem nela.

Falando mais do multiplayer online de rank ou casual, meu único questionamento é que há momentos onde demora muito para o buscador dele encontrar uma luta. Apesar disso, quando lutei não tive quaisquer problemas de conexão, e o confronto transcorreu sem nenhum problema.

Há um sistema de caixas de loot no game, mas calma, você só pode comprá-las usando dinheiro (Zeni) obtido jogando e o que elas oferecem são recompensas cosméticas para serem utilizadas no Lobby, como a aparência do seu avatar, selos e emoticons. Elas não influenciam de maneira alguma na jogabilidade. Tudo que você completa no jogo lhe dá Zeni, havendo também missões diárias, fáceis de serem completadas e que lhe dão dinheiro adicional.

O modo história de Dragon Ball FighterZ é extenso, podendo levar até 20 horas para ser completado dependendo da sua habilidade e da quantidade de lutas que decidir fazer. Ele envolve uma trama criada especificamente para o jogo, incluindo uma nova personagem chamada Androide 21, feita sob a supervisão do próprio Akira Toriyama. Há três arcos distintos neste modo e você precisa jogar todos eles para entender completamente a história. Ao começar, você é colocado dentro de um mapa onde terá um determinado número de jogadas para chegar até o chefe. Há a possibilidade de resgatar aliados, os quais poderão ser colocados dentro da sua equipe para que você utilize nas lutas.

Cada confronto ganho lhe dará experiência usada automaticamente para subir o nível dos personagens que lutaram, Zeni e técnicas as quais você equipa no seu time para lhe conceder benefícios adicionais, como reforço no ataque ou defesa. Adicionalmente, quanto mais você usa um personagem, mais afinidade você ganha com ele, algo que abrirá cutscenes adicionais exclusivas para ele.

Embora a história fique melhor depois que todas as peças se encaixam ao terminar os três arcos, ela é muito arrastada. Você luta contra os mesmos adversários uma quantidade muito elevada de vezes, e na grande maioria delas, o desafio imposto é quase zero, o que deixa a experiência tediosa. A dificuldade só aumenta mesmo perto do final do terceiro arco, e mesmo assim, basta jogar agressivamente que muito provavelmente você terminará o jogo não perdendo uma vez sequer. Adicionalmente, os tutorais em algumas das lutas depois de um certo ponto são completamente desnecessários. Zerando, você destrava a personagem Androide 21 para ser utilizada no multiplayer.

Além da história, há um modo arcade no qual você pode montar sua equipe e lutar contra adversários que ficam progressivamente mais fortes e inteligentes. Sua nota influenciará diretamente quem você irá enfrentar em seguida. Ao terminar um percurso do modo arcade, você libera a versão difícil dele, que realmente faz jus ao nome, pois conseguir terminá-la com nota elevada é bastante complicado de ser feito caso você apele somente para os combos automáticos. Dois destes percursos difíceis, inclusive, precisam ser completados com nota A ou S para destravar os personagens Goku SSJ Blue e Vegeta SSJ Blue, caso você não tenha efetuado a pré-compra do jogo. Outra maneira de liberá-los é conseguindo um total acumulado de 500 mil Zeni. Este montante, ou quase todo ele, pode ser obtido terminando-se o modo história. Fica a dica!

Se estiver querendo praticar, pode se dirigir até a área de treino onde você acessa um tutorial de batalha bastante detalhado, o qual recomendo que complete antes de qualquer outra coisa nesse jogo. Dá também para treinar contra a CPU ou um amigo seu localmente e também encarar desafios que consistem em dez tarefas com cada personagem, envolvendo a realização de combos com eles.

Algo que faz uma falta tremenda em Dragon Ball FighterZ é uma dublagem em português brasileiro, que ficou ausente apesar de muitos fãs terem solicitado. Ao menos o áudio em japonês (ou inglês, caso você prefira) estão presentes. Os textos foram traduzidos para o nosso idioma, mas foi um trabalho feito claramente por quem não tem familiaridade com a série, já que houveram traduções incorretas de termos vistos nela. Por exemplo, Semente dos Deuses virou Feijão Senzu; Goku Black virou Goku Sombrio (não precisava de tradução, Bandai); Plataforma Celeste virou Vigia de Kami; Resplendor Final (ataque do Vegeta) virou Lampejo Final, e por ai vai. Felizmente são coisas que você corrige facilmente com uma atualização.

Uma cópia digital do game para PS4 foi fornecida pela Bandai Namco para análise.